terça-feira, 23 de dezembro de 2008

Antigos sete anos

Depois daqueles dias cósmicos em que você desconfia do mundo, até a luz branca da tela do computador é brilhante demais para que eu possa compreender. Tem umas horas em que eu paro para pensar sobre o mundo e suas varias possíveis explicações.
Hoje foi um dia que eu estava precisando viver. Também por causa da cerveja, mas não só. Principalmente por causa da companhia e da incrível pseudo-brainstorm e aquele sentimento de que por mais rápido e alto que eu fale, eu nunca vou conseguir expressar plenamente o que estou pensando, mas então a pessoa apenas sorri e eu sei que ela simplesmente entendeu. Sempre bom, rezar com gente assim.
Agora mesmo recebi um e-mail com uma relação das formas de entrar em contato com todas as pessoas legais que conheci semana passada.
Começo a pensar em como o mundo é grande demais para mim.
Como eu disse hoje, eu sou perdida. Bem, eu sei que eu estou aqui... mas aqui viria a ser...?
Ai ai... essas perguntas sem reações, esses gritos de alegria em silêncio, esses pequenos sorrisos que querem dizer aquilo que não se fala.
Sabe... eu fujo. Fujo do que simplesmente admito ser covarde demais para enfrentar. Acho que preciso pedir desculpas e paciência a mim mesma. Respiremos profundamente, que o mundo ainda está girando até onde eu sei, e eu ainda não parei de caminhar por ele!
Mas enquanto me preparo para o salto, tenho esses momentos arrebatadores (adoro essa palavra) que me colocam de frente com esses fatos que nunca colocamos em palavras. Por que será? Acho que as coisas já se tornaram muito normais (com isso quero dizer recorrentes), e nós acabamos perdendo aquele brilhozinho irritante de crianças de sete anos, tentando saber o porquê e o como de praticamente tudo.
Se você está aqui nesse blog e chegou até esse ponto desse texto, aposto que você é dos meus! (ou porque já é um dos meus melhores e maiores amigos, ou porque é interessante o suficiente para se interessar por esse amontoado de palavras aparentemente inúteis mas com grande potencial filosófico). Pense em como seus setes anos se foram... pense na esquina em que eles se perderam de você.
Agora lembre-se de como é ter a sede de dissecar o significado de tudo e de como é fácil apenas olhar para uma conversa de bar e ver muito além da cerveja, dos papos sobre sexo ou até mesmo das tramas sociais que te levaram até ali. Tente enxergar a energia que flui em volta de duas pessoas que compartilham a atenção sobre um assunto qualquer.
O mundo parece mais intrigante assim. O mais legal é apenas não querer explicações religiosas, espirituais ou cósmicas. Gosto do caos como ele é: denso, enorme, pesado e fascinante!



►Hoje eu descobri que sou um leãozinho! Parece que me sinto mais forte por saber que eu pareço ser forte... vê se pode!

domingo, 21 de dezembro de 2008

A diferença.

Pode tudo mudar, mas a vida continua a mesma seqüência de impasses e soluções provisórias. Acho que me desencantei, mais uma vez, com o que não esperava. É... tudo que vem tem que ir embora, não é?
De toda forma, voltamos à estaca zero. É sempre assim. De zero a um, um e meio... e de volta a zero.
Fiz vinte e um! Agora sou mundialmente maior de idade... Pois é, e daí? Tudo que senti foi que esse aniversário não foi um aniversario. Ficou faltando alguma coisa. Na verdade faltaram varias coisas, uma em cada aspecto do evento. Por isso não sinto a menor diferença. Como se, ao contrário do ano passado, eu não precisasse negar a nova idade porque ela realmente ainda não veio bater na minha porta. Até pensei que poderia ser ela quando ouvi um barulhinho estranho. Mas quer saber... ainda não tive o ânimo de ir lá na porta olhar e ver se são os vinte e um mesmo. Afinal, o que significa vinte e um? Pois é, eu gosto de dissecar significados.
Essa última semana foi estranha. Principalmente pelo fato de agora eu ser uma pessoa empregada e com uma carga de responsabilidades dobrada. Conheci tanta gente, e como sempre fiz algumas amizades em potencial. Ia ser legal levá-las à frente. Vejamos o que vai acontecer... mas olha que estranho está isso tudo. Eu estou muito estranha. Aliás, o mundo está muito estranho.
Acho que deve significar isso, quando as coisas param de ter que ter um significado mágico. É quando chega uma leve decepção, porque as coisas acabam por conseguir te empurrar para o lado negro da força... e você acaba realmente se calejando. Acho que o mundo é injusto e godless demais para que possamos manter essa visão mágica das coisas. Porque afinal as coisas são difíceis mesmo. Se não for por mim, ninguém vai me levantar no ar em nuvens e me transformar em uma princesa que dança balé e canta com os animaizinhos silvestres.
Eu estive tentando engolir isso durante esse ano. Lutando contra a idéia e chorando pela injustiça que é a minha vida. Que patética, cara!
Sim, o próximo ano vai ser difícil, eu vou ter que aprender a me organizar ainda melhor. Eu preciso saber me controlar, eu preciso saber os limites. Eu preciso principalmente saber até onde eu posso pular, saber qual o meu próprio limite, e me dedicar ao máximo para que faça pelo menos jus a ele.
Amanhã continua.
No ultimo ano aprendi a enfrentar coisas que nunca confiaria em mim mesma para enfrentar. mas tem uma coisa que deixei de lado: a minha capacidade de sugar diversão do básico. Acho que a minha meta para o ano que vem vai ser essa. Reaprender a ser feliz usando o que eu mais prezo em mim mesma: criatividade.


►É, eu não fui. Às vezes me culpo pelas minhas faltas. Às vezes me pergunto se a frustração não é apenas pela falta de espaço... “quem é que eu QUERO ser?”, é a grande questão!

quarta-feira, 17 de dezembro de 2008

Really big thoughts!

Fui nocauteada... just now. Por mim mesma, I guess.
You see... de repente percebi que é impossível estar em dois lugares at the same time. Quer dizer, é impossível ter a mente dividida between two worlds. Well... claro que não é impossível, mas precisa-se de muita destreza to do so!
Me deu uma semana para me preocupar com meu novo emprego. Mais uma vez me provei que eu sou capaz de fazer coisas se eu me dedicar a elas de verdade. Testei minhas habilidades sociais e me encontrei mais natural que nunca. Está sendo uma ótima semana, quase louca. Engraçado que quase todo mundo naquele teachers training course me lembre alguém que já conheci ou que conheço. Durante essa semana tudo que me vem à cabeça é essa minha nova eu, professora de inglês, modelo para jovens de todo tipo.
Foi na hora do almoço que me peguei pensando mais uma vez naquilo tudo que antecede esse emprego. Pensei na minha (e do Humberto) nova pesquisa sobre sinestesia. Pensei no livro. Pensei em como estou cheia de idéias e conhecimentos mal acabados e em como me empolga a idéia de polish them. E então pensei em como isso tudo se diluiu enquanto estava concentrada em dar uma aula, uma simples aula de Listening que fosse pelo menos interessante.
Mais uma vez eu vejo como sou mais do que espero de mim. E mais uma vez me assusto diante de tudo que espero de mim no futuro. É um passo de cada vez, right?
Em cada lugar que eu piso, mais uma peça.
This is one puzzle that has no final solution... just momentary satisfactions and endless search for clues!


So, tomorrow is my birthday... and I'm going to spend my whole day inside this new world I'm starting to get myself in. started thinking about some things I have been forgetting about. Actually it’s great to forget about those things… proves that things can change in my head when I want them to, and that I can restart things, make new lives, be cheerful again!
This time I’m really turning twenty one. I guess it was a jump actually for me. I remember when I wrote last year about me turning nineteen again and not getting grown up and stuff like that. I couldn’t possibly imagine how this year was going to be the mightiest age and maturity jump I’ve ever seen happening! I mean, for everyone… including me!
So now I have this whole new me to be and all these quests I’m searching to defeat (wrote beautifully just now!) and this new mission!
In one year I’ll still be here, telling how I went through another tough time and built myself again from the basis!
Time, huh… Doesn’t it fly?



►Weird news: planning schedules for vacation!

domingo, 14 de dezembro de 2008

Novo tom

Para que servem decepções? Para aprender alguma coisa, para simplesmente sentir raiva do mundo? Nunca consegui sentir raiva de verdade, nem ao menos um leve desejo de vingança. Quer dizer, contra quem ou o que me vingaria? O acaso?
Está tudo crescendo rápido demais, e eu estou estarrecida. Pode ser cansaço, pode ser medo. Mas eu sei que isso dá pra fazer (joinha!). Estou sentindo um novo ímpeto corajoso em mim que eu não conhecia. Uma nova vontade de, digamos, testar os limites do mundo (!). Claro que estou com uma cara diferente. Me sinto uma formiga num labirinto com paredes de cinco metros de altura.



►Três vezes mais que ontem.

sábado, 13 de dezembro de 2008

E o mundo cresce

Eventos, trabalho. Ângela, Gustavo, memória, sinestesia, evolução, filosofia da mente, processos psicológicos básicos, neuropsicologia, perversão, Rorschach, estágio, Greenwich, grupo de estudos, sair de casa às sete e chegar às dez, de alguma forma sobreviver, me superar, crescer e me tornar eu mesma.
E o pulso ainda pulsa...
Eu preciso e sei que consigo investir tudo de mim em mim mesma no ano que vem. Quem sabe eu descubra que tem muito mais aqui do que eu espero que tenha. Quem sabe tudo vire de cabeça para baixo, as coisas percam os sentidos e, um dia, eu ganhe essa luta contra mim mesma.
Eu não conhecia esse meu lado antes desse ano. Agora me lembro de tudo aquilo que pensei e escrevi aqui há um ano. Como eu estava nostálgica, pensando em quanto havia caminhado até aquele ponto. Parece que eu estava me preparando para o ano mais difícil da minha vida até agora. Mas esse foi com certeza O ano da minha vida. Mais uma vez, não sou mais aquela que escreveu aqui sobre orgasmos cósmicos há um ano.
Como me disse alguém que admiro, eu ainda sou muito novinha.


►Mal acabou e já está aqui de novo.

terça-feira, 9 de dezembro de 2008

Um daqueles momentos…

Eu já devia estar acostumada a não ter certeza das coisas. Acho que isso é ansiedade. De repente o mundo desacelera e eu tenho que esperar que as coisas aconteçam em seu tempo.
Calma... o mundo ainda não acabou. E algumas coisas são grandes demais para entrarem na balança nesse momento.
Queria ser sortuda desse jeito... será que um dia eu pesco no mundo o que é perfeito pra mim?

Mas concentra! Agora é hora de pensar burocraticamente. Se amanhã (literalmente) eu descobrir que não deu certo, já tenho que bolar planos B, C, e D...

E mais essa agora? Eu estou naquela fase do jogo em que as paredes se mechem e vão me empurrando, só que eu não tenho três vidas pra gastar.

Ai que difícil!!!



►never ends!

segunda-feira, 1 de dezembro de 2008

Je Reviens

J'aime autant te dire à l'oreille,
Je ne suis pas du genre qu'on emmerde
Regarde moi bien, je reviens.

A prendre aussi tous des détours,
je me suis perdu
Tous ces jours,
mais je suis ici, je reviens.
Pour le meilleur et le pire je reviens.

Petit rappel pour mettre à l'aise,
je n'aime pas la chanson française
Je te l'avais dit, je reviens.

Tu t'es faite grande aux yeux du monde, mais
Delerm en sera ta tombe,
Promis, c'est promis, je reviens.
Pour le meilleur et pour le pire, je reviens.

Tu n'as rien à dire je reviens.

Tout est resté là à sa place, mais de mio plus aucune trace
Comme je suis parti, je reviens.
Pour le meilleur et le pire, je reviens.
Tu n'as rien à dire, je reviens.
C'est une surprise, tu m'inspires, je reviens.
Je reviens.

Juste pour le plaisir
Je reviens.


É difícil arrancar prazer da dor, mas o que poderia ser mais belo? Quem muito fala da dor só pode estar se deliciando em sonhos. E realidade eu nao discuto. Um dia começa sem nada antecipar e nada acontece. O ato e a potência de um dia são um só... são o dia. Me cansei de escrever sobre a morte. Me dei um recreio para escrever sobre a vida. E como se opostos fossem, acabo me sentindo pequena. Quem sou eu para dizer sobre o que veio e o que virá? Sim, filosofia cansa a mente. E depois dessa semana vou precisar de 32 horas ininterrúptas de sono.
Mas eu volto para visitar o desespero... juste pour le plaisir!



►Kaolin

quarta-feira, 26 de novembro de 2008

Suspira e vai à luta, bem!

Mais legal que quando se ganha um presente é quando o presente é tomado de volta... e é claro que estou usando a ironia em uma das minhas muito conhecidas formas ambíguas de usar a ironia.
Fiquei puta. Me fez lembrar de outros presentes que são tirados de mim antes de chegarem às minhas mãos... mas o que eu vou fazer? Não sou cara de pau ou egoísta a ponto de reclamar isso quando o motivo do presente ter recuado foi dinheiro... agora volto ao plano inicial, e conseguir emprego pro semestre que vem se tornou ainda mais imprescindível.
Às vezes me pergunto de onde estou tirando a força para continuar andando em meio a tanta coisa me prendo ao chão e puxando pra trás.
É... hoje não foi um bom dia. Me deparei com a minha incompetência, com o meu tempo curto e com essas sacanagens que a vida anda me impondo ultimamente.
Como é que vai ser esse próximo ano? Não tenho certeza do que eu quero fazer com o meu tempo. Não quero ficar tão apertada quanto estive nesse semestre, mas não quero abrir Mao de nada. Ainda mais agora que consegui montar um horário legal com as matérias do semestre que vem e vou fazer sete. E ainda nem pensei direito sobre fazer alguma coisa na filosofia. Não queria deixar de fazer, mas não sei se vou ter ânimo já fazendo sete matérias na psicologia... esse semestre acabei desistindo das três matérias da filosofia... e era pra eu ter visto as aulas sobre filosofia da mente do Ernesto... agora já era. Tem tanta coisa acontecendo e eu sentindo que estou perdendo mais da metade do que queria estar aproveitando...
Mas então vai ser assim. se eu quero chegar em algum lugar eu preciso ralar no caminho. Vou trabalhar e vou comprar eu mesma o meu suposto presente. Ainda vou conseguir pagar terapia, nem que meu salário só dê pra essas duas coisas!



►Tô exausta! Mas ainda falta uma semana e meia de atividade intensa... vamo lá que eu consigo!

domingo, 23 de novembro de 2008

Um terceiro

São os dois caminhos viciosos da minha vida. A inveja e a frustração. Os dois caminhos que me fazem ver como joguei e fui jogada fora. Parece que o mundo pirraça. Ironia só é legal quando serve pra rir da cara de outrem. De quem é que quero me vingar? Eu quero nao precisar mais pensar nesses dois caminhos... quem sabe um terceiro caminho.

Is it enough to be happy, or am I just loving theses miserable thoughts?
Is it enough to have my own life? Is it enough to grow one inch at a time?
Why ain’t I laughing? Why do my days seem so empty?
I don’t have to need anything….

Declaro ofiecial a temporada conexionista da minha vida. E fodas o mundo. Porque eu quero mais é que o mundo se exploda... de que adianta se eu vou morrer e o silicone vai ficar?


►Não venham atrás de mim, que hoje eu quero me fechar.

Interrogações de baixa estatura

Algumas coisas são tão boas que pensar nelas é aversivo.
Pra mim, a memória é como a bolsa do gato Félix. Acho que me falta algo como o rabo dele... uma interrogação multiuso. Afinal não é sempre que as nossas interrogações prestam pra alguma coisa.
De presa em um pontinho a dispersa no espaço, sigo buscando um conforto que parece não existir. Pelo menos não racionalmente. Mas fazer o que se eu insisto em me livrar de qualquer misticismo? Experiência transcendental já não adiantaria.
Viajar no tempo é sempre uma saída nessas horas. Estou aqui me imaginando a bordo do MHS Beagle discutindo teorias sobre a origem das espécies com Charles Darwin...
Às vezes temos essa necessidade de viver outras vidas. Por que nos limitarmos a uma só não é... com tantas épocas passadas e tantas pessoas vividas...
Sagrada neurose... será que posso esperar algo diferente de mim? Será que exigir não é só aumentar o desgosto? Será que tudo não é apenas uma forma de me manter presa na espera por um dia perfeito?
Quem sabe...
Dessa vez vou tentar usar uma de minhas interrogações como gancho, ou então pulo para as dimensões paralelas onde se perdem guarda-chuvas pretos se produz coca-cola dentro da minha bolsa amarela com x’s e .’s pretos.



►Não adianta... procrastinar faz parte de mim.

sexta-feira, 21 de novembro de 2008

Entre barras

Eu vou escrever um livro com o meu orientador. Nem tenho noção da proporção de pavor e euforia nessa história. E ainda me surpreendo com a sorte que tive em conseguir um orientador tão foda.
Estou tensa o tempo todo. A eminência de alguns pensamentos já me deixa receosa. Ainda mais quando esses pensamentos são eliciados por presenças indesejadas. Tem hora que desejava apagar a existência de uma ou duas pessoas.
Sinto que minha vida foi roubada por alguém que está conseguindo vivê-la melhor do que eu. Que raiva!
Tenho algumas idéias empolgantes. Mas elas vão me dar trabalho. E no momento, minha energia está escassa. Eu sou um Sim com barrinha de humor vermelha.
Estou com medo do relógio. Às vezes acho que eu dou conta e que o cansaço é drama meu. Porque é muita coisa na cabeça, mas que se eu soubesse lidar melhor com isso produziria muito mais. No fim das contas eu sou eficiente e entrego a encomenda. Mas é pouco. Meu currículo Lattes está vazio, eu sou lisa academicamente. Estou no sexto período e o que eu produzi até agora? Pior é que já produzi, mas não tem como desenterrar vinte artigos publicados do nada. Não tenho nem idéia de por onde começar para tomar esse caminho complicado. E o pior: começo a ter duvidas sobre as minhas bases. Se eu estiver no caminho errado voltarei à estaca zero, e vou mais uma vez me sentir empacada, inferior.
Claro que esse medo é reflexo de outra coisa. Não tenho conseguido me atribuir valor nas, digamos, relações sociais. Então sublimo para esse meu sonho de futuro acadêmico e me espelho no meu orientador que é no mínimo algum tipo de prodígio que aos 30 anos já tinha doutorado no exterior. E então o ano acaba. E eu vejo que em um anos de trabalho duro e de cansaço emocional ao extremo, parece que só subi um dos mil degraus que preciso enfrentar.
Me aparecem coisas novas. Esse livro que virou a alegria do meu coração desde ontem. Tenho algo em que focar minha energia quase inexistente. Tenho mais um passo certo. Mas a vida está tão confusa que no meio do dia me pego me perguntando sobre o que eu realmente estou querendo com isso tudo. Se não estou seguindo o caminho mais difícil só porque ele é inevitavelmente mais fácil...
Então me fazem lembrar de coisas há muito deixadas de lado. Volto a me sentir... considerada. Mas da forma que não queria mais ser. Parece que não posso mesmo conseguir o que quero pelos caminhos saudáveis e tranqüilos. Duas figuras que doem. Por motivos diferentes, mas é uma dor parecida.
Eu estou visitando uma área perigosa de mim. Desde o inicio desse semestre. Minto, desde o inicio desse anos, tudo que estou fazendo e aumentar as incertezas sobre as coisas mais certas pra mim. O pior é isso. Eu sei muito bem o que faz meu espírito embrulhar de euforia. Mas eu sei também das falhas, dos argumentos contra, das frustrações antecipadas.
Sabe-se que felicidade é inversamente proporcional a conhecimento...
O que fazer agora que já estou no meio da estrada de terra sofrendo insolação? Voltar pro lugar de onde vim e aceitar o fracasso é tão doloroso quanto continuar andando em frente sem ter idéia da distancia que falta para chegar ao destino. E pode ter certeza que falta mais que isso!
Eu queria ajuda. Mas não tenho meios pra isso. Por isso estou correndo atrás de meios. Vou conseguir um emprego e serei English teacher no Mai ou no Greenwitch. Em resumo vou assumir um compromisso pesado, aumentar o fardo sobre os meus ombros, quem sabe adoecer só para poder ter o direito de ter uma atenção externa... alguém que ouça tudo isso que passa tanto pela minha mente e tão pouco pela minha língua.
Quando não há certo e errado então tudo pode estar errado. Para onde ir? Acho que vou mesmo é continuar vivendo às metades e aos inteiros. Acho que não vou fazer nada.
Minto, vou fazer o trabalho de ética e suicídio, o trabalho de personalidade II sobre psicologia cognitiva, o resumo do Varela, o relatório de escolar, a prova de psicopatologia II, a leitura sobre evolução e consciência, a carteira de trabalho, levar o currículo no Mai, preencher o Lattes, corrigir testes e preencher planilhas...



►Sem perceber, os rabiscos viram idéias. Algumas idéias são grandes demais para caber dentro do meu crânio.

quinta-feira, 20 de novembro de 2008

Isso é ódio, isso é medo.

Às vezes me aparecem umas pessoas que dão raiva só de existirem. Por serem justamente tudo que eu gostaria de ser. Que raiva de quem está muito mais na frente nesse mesmo caminho que eu tento estar! Que raiva de quem faz a vida parecer fácil. Que raiva de quem consegue ser gritantemente único sendo simples.
Tem algumas pessoas que eu queria matar sem motivo aparente. Só porque a sua existência me lembra dos meus limites.
Pior é que estou perdida mesmo tendo guias à minha volta. Às vezes sinto que comi mosca durante muito tempo.
De toda forma o meu tempo é o meu tempo. Mas como eu queria estar invejando a mim e não a outrem.
Como disse alguém que igualmente invejo, mas em quem, mais do que isso, me inspiro: tenho inveja de nós no futuro.
Ah como eu queria ter certeza de que meu futuro vai ser tão bom assim...
Claro... que segurança eu tenho sequer de que minhas bases estão mesmo corretas?
Eu posso estar completamente errada desde aquele dia fatídico em que fui colocada contra a parede e tive que encarar meu suposto futuro. E estou aqui, cavando cada vez mais fundo e sem saber nem se estou procurando algum tesouro.
E cara. Tem meses que não consigo desenhar. Não acredito que posso estar perdendo isso. eu tive uma fase de descrença nos meus desenhos. Eles nunca foram sublimação. Eram mais copiação do mundo. Alguma coisa que me fizesse sentir que presto para alguma coisa no mundo. Já não sei se presto para qualquer coisa. E essa é a maior verdade.
Durante toda a vida ganho tudo nas mãos. Sem problemas, sem impossibilidades, sem esforço. Não corro atrás do que é mais difícil, por medo de um não antes mesmo de elaborar a pergunta. Não sei lutar e por isso fico calada, quieta, encolhida. Mas quando percebo que se não lutar, nunca serei nada que preste, começo a ver como é muito fácil acreditar que eu realmente nunca serei nada que preste.
Começa aqui a fase existencialista da minha vida (finalmente, depois de anos de antecipação filosófica). E começa aqui o maior incômodo... existencial mesmo, que eu já experimentei.
Estou confusa. Nada ajuda a clarear as idéias. Pelo contrário, cada nova informação só me faz me perder mais. E eu estou deixando essa bola de neve crescer sozinha. De duas uma: ou eu me descubro uma máquina de resiliência ou entro em surto psicótico no semestre que vem.



►Todas as proposições e esquemas desmanchados e só resta uma certeza: pelo menos estou seguindo o que faz meus olhos brilharem.

segunda-feira, 17 de novembro de 2008

Intrusivamente


Pensamentos automáticos e intrusivos, hein... infelizmente saber o nome da doença não é sinônimo de cura.
E quando eu percebo que os sentimentos estão sendo canalizados para quem nem tem nada a ver com a história? E quando os fatos me perseguem e ficam à espreita em todos os corredores?
Eu já não tenho tempo, mas quero volume. Acredito que não dê conta, mas não posso evitar de querer.
Eu estava “trabalhando”, distraída dentro das melodias do Camelo... daí senti de repente um ataque de inveja. Daquela inveja ruim e raivosa, que as pessoas relutam em admitir que sentem mesmo. Tive inveja de tudo que tinha pra se ter. E eu nunca imaginei que um dia ia desejar deixar de ser eu para ser alguém tão ou mais normal que eu...
Pois é, hoje eu não queria ser eu... deve ser aquela blusa roxa que eu estava usando... ou quem sabe esse meu bloquinho de papel recheado de medos e destinos fatais. Pode ser também os sacos de papel que eu carregava no braço direito... pode ser o meu cabelo bicolor. Pode ser os meus hábitos alimentares pouco ortodoxos. Afinal, tinha vários motivos para evaporar, no entanto não o fiz. Voltei para casa com o pescoço doendo, as pernas falhando e a cabeça latejando. Resolvi mais uma vez que não era o caso de continuar corrigindo testes. Decidi comer mais do que devia como de costume e acabei vindo escrever sobre minhas inquietações como se isso fosse aliviar as tenções... pior é que alivia mesmo.
Pois então. Acho que amanhã, a primeira coisa vai ser cumprir o horário para me dar de novo aquele ar de eficiência que já estou perdendo devido ao fim de semestre (e outros mil fatores). Depois programar a semana... aquele quadro de horários que eu uso como recurso nas épocas mais desesperadoras. Aí sim posso ter um surto, correr, fingir que o mundo acaba amanhã, e ver se disso sai alguma coisa produtiva. Semana que vem estarei 500g mais leve (filosoficamente falando)... quem sabe até o ano que vem eu perca mais alguns quilinhos... vou programar uma dieta filosófica para essas férias e quem sabe, com muita, mas muuuita sorte, eu arrumo um psicólogo.
Esse ano vai entrar pra história... e tomara que eu nunca mais seja a mesma.



►Take advantage of the season to take off your overcoat...

sábado, 8 de novembro de 2008

Mais...

Eu preciso de uma revolução. Que de alguma forma tudo mude de cara. Que eu mesma mude de cara. Sabe, ir num show do New Order ia ser bem interessante nesse momento. Quem sabe finalmente tirar aquele salmão do congelador e cozinhar alguma coisa genial com ele. Se sair ruim melhor ainda, assim eu me provo alguma incapacidade naquilo que acredito saber fazer.
Uma vez minha mãe me disse que é muito difícil não gostar de mim, porque eu sou bonita, inteligente, tenho uma “boa alma” e sei fazer bem tudo que me proponho a fazer. Eu não disse pra ela que há controvérsias... foi uma frase falaciosa! Mas sabe-se que eu nunca fui muito inclinada para acreditar nessas coisas.
Sabe qual é o problema? Eu nunca preciso suar para chegar ao fim da linha. O mundo vem fácil demais para mim. O dia que eu me deparo com a verdade: o mundo não vem de graça, eu é que tenho que ir a ele e mesmo assim me frustrar... eu entro em parafuso emocional.
Quando entrei para a psicologia eu pensava que o curso ia acabar de alguma forma me fazendo enxergar as entrelinhas da minha vida... quem sabe entender o funcionamento das coisas que me rodeiam e, por que não, o meu próprio funcionamento. Mas eu nunca pensei que entenderia tanto e tão pouco e que me sentiria tão irritada com isso.
Uma coisa é verdade: eu não poderia estar fazendo qualquer outra coisa da minha vida. Eu sei que estou um saco esses meses, que não sorrio ou espalho a alegria como fazia ano passado, que não vou mais às aulas e que estou reclamando mais que o aceitável... mas, por increça que parível, me sinto mais humana que aquela pessoa sempre alegrinha... chega a parecer artificial.
No fundo do poço e cavando...



►Um absurdo pode ser sintoma de alto desenvolvimento intelectual... mas pode também significar isolamento. Quanto mais queijo, menos queijo...

sexta-feira, 7 de novembro de 2008

Anything that comes first

Ok, so I’m drunk. And suddenly I realize that I’ve been doing some massed up thinking. Maybe not that suddenly. The thing is, I can’t organize my thoughts right now. It’s really funny, actually. My head is like floating over my body like it was a bubble or something…
But anyway… today… was a good day. Like I was talking to Huds, of course I’m not cured, I’m juts in rehab…
Know what… I felt great just to get home, not finding anyone here and having some more to drink (yes, I was already drunk, but doesn’t hurt to get a little drunker).
The world can be anything. Today it was a little annoying, but kind of poetic. The way things happen in a row… the way time makes us feel part of something and the way deep breaths make us feel alone in existence.
Anything could come out of my mind at this moment. I’ll just stop at saying nothing. ‘Cus that’s just my favorite kind of thing to say…


►Me and the chaos…

quarta-feira, 5 de novembro de 2008

Eu também

Uma coisa me fascina no mundo: pessoas estranhas. Digo estranhas como pessoas que simplesmente são, ao contrário de todas essas que tentam ser. É esse tipo de gente que me intimida. Tenho uma tendência a colocá-las num altarzinho e tentar ser igual a elas, tipo criança imitando a mãe cozinhando.
É pra falar a verdade não é? Então vamos lá. Eu invejo vocês, todos vocês que não sabem quem são, mas que são alguém mesmo assim. Invejo pelo talento, pelas formas esquisitas de contornar a agonia que se instala na garganta toda noite, pelo sorriso que revela a verdadeira graça, pelos escândalos e pelas cenas deploráveis, por seguirem desejos, por entrarem no papel, por roubarem a cena, pelos vexames e pelas conquistas. Por carregarem vidas.
Poderia dizer que invejo a mim mesma, mas eu tenho uma grave cegueira quando se trata de espelhos. Quer saber, acho que nunca vou me sentir um de vocês. Sei que sou alguém mesmo assim, mas vou estar sempre cega para a proeza que brota do impasse. Mas eu também sou artista, por mais que metida. Eu também tenho um mundo... eu também sou estranha.


►It runs in the family...

domingo, 2 de novembro de 2008

Respeito ao tempo de um dia

Respira fundo. Agora é hora de deixar o mundo ir embora. Sim, são muitos, mas que me deixem. Que me deixem aqui, só eu, eu mesma e Irene. Eu e minha vida, sem as vidas e vidas em volta. Eu e meu tempo. Respira fundo que agora a bomba já explodiu. Você está em meio às ruínas do pós-guerra. As transações monetárias e as relações internacionais ainda não se estabilizaram, é claro. Essa vai ser a sua nova função. Mas que seja feita com calma.
O tempo não vai parar para você se sentir a vítima dele. E a vida continua a te atingir com toda a força.
Foi esquecida, mas será relembrada. Foi deixada, mas terá tantas outras vidas a invadir. Foi desafiada, mas tem que aprender que aceitar o desafio não significa vencer, e que isso não é de forma alguma o fim do mundo. Foi limitada, mas só cabe a você abrir caminho. Sim, é difícil e você não faz idéia de como fazer isso, mas sem isso nunca vai se sentir completa. Foi elogiada, mas não é por isso que merece ser amada. Há tanto mais ali... um dia, quem sabe, você descobre que basta ser quem já é.
Abra os olhos no escuro e veja que não há diferença entre dentro e fora.
Respira fundo e saiba que ninguém mais está pensando em você além de você mesma.
Pode até estar, mas isso não faz a menor diferença agora.
Agora é só a música. O piano, a voz e a força.



►Say what you will, I am the kill...

sábado, 1 de novembro de 2008

Some brilliant song

The world erases me with the same effortlessness (great word) that it lets me shine. Who wouldn’t, when all that it wants me to be is so easily found in other random people that walk by everyday?
I can’t think of ways out. Like it is with a brilliant song, the appreciation of what goes on in my mind is exclusively private. I wish it wasn’t. But, even if I call for help and even if the help comes, this is a brilliant song, a private thought, a suffering that not even me or anyone else can erase by understanding. Fuck the reasons and fuck the consequences… the thing is: I’m too afraid of being myself. So I remain trapped inside the safety bubble that I created so that I wouldn’t have to face the fight.
Everything the world does is show me that nobody is loosing anything by loosing me and nobody is getting anything by having me around.
And my plans are getting far far away. Things are loosing sense. Nothing seams to be working. And I seam to be falling free.
I shall say, this is the hardest time I’ve ever been through!


►"Devoted to the fine art of perfecting absolutely everything inconsequential" (Dresden Dolls)

terça-feira, 28 de outubro de 2008

Angústia Sartreana

Essa raiva é mesmo de mim? É mais um medo de ter raiva dos outros? É mais um medo de ter raiva? Esse tempo está me irritando! Puta que pariu, já é terça feira!
Por que é que estou correndo tanto? A pressão vem de mim, não tem ninguém no meu pé dizendo o que devo ou não devo fazer (e isso é um ponto crítico, devo dizer). Quem sabe por isso mesmo eu esteja correndo tanto. É essa maldita terça feira que chega antes do que devia e me faz perceber como eu fiquei parada enquanto os dias passam por mim feito vento.
Às vezes eu tomo umas atitudes paliativas, achando que delas virão as soluções... todas elas.
Ontem encontrei o meu pai, e começo a ver semelhanças entre nós dois. Claro que eu, na situação dele, não faria com a minha vida o que ele faz com a dele... Mas o que é que eu estou fazendo com a minha vida, estando na minha própria situação? De maneiras bem diferentes, nós dois temos o dom de fugir dos problemas... a diferença é que ele está em depressão, e eu ainda encontro esperanças em coisas variadas... deve ser o meu signo tentando achar um sentido maior e otimista para o universo.
Percebi que eu estava no fundo do posso quando uma mensagem de fim de programa da Ana Maria Braga me fez pensar nos meus problemas. Pensei: meu deus, eu sou uma dona de casa! NÃÃÃÃO!
Pois é... como eu quero ser capaz de dizer fodas pro mundo e olhar para o meu umbigo!


►Segunda feira vagabunda: não tive aulas, fui pra casa das minhas tias e passei o dia todo lá me sentindo uma pirralha de dez anos de novo... o contraste foi sair de lá dirigindo e dando carona pro meu pai...

domingo, 26 de outubro de 2008

Momento em paralelo

Ironias riem da minha cara todo dia. And the facts were these... quanto mais caminho, mais empurrada me sinto pelo tempo e menos sei o que estou fazendo. Minha vida despencou de uma vez. Na verdade, sejamos um pouco mais literais, eu estive colecionando e adiando os meus fantasmas e de repente todos saem ao mesmo tempo para me assombrar. Já sabemos que esse semestre não está muito bom para ninguém. De repente ficou mais difícil viver (sinto que já mencionei isso indefinidas vezes).
O tempo passa, às vezes mais rápido do que podemos suportar... mas esse é um momento paralelo e único. Não teve começo ou fim, dura pra sempre e não é medido em tempo.
Será que é essa minha nova consciência exagerada de futuro ou a falta de consciência do passado? De alguma forma me sinto uma folha em branco sem nenhum talento para me tornar a poesia que sempre sonhei em ser.


►And the facts are these...

quarta-feira, 22 de outubro de 2008

O meu pensamento...

... é uma linha trêmula que escolhe seu próprio caminho próximo ao chão. Bem próximo mesmo. Às vezes sinto como se ela fosse dar um pulo ou desenhar uma espiral em 3D... mas não posso esperar tanto assim de uma simples linha trêmula.
Até os dias bizarros me parecem comuns demais. Eu não devo estar muito para me maravilhar com novidades hoje, ou qualquer dia desses aí...
Mas é claro que estou acuada. Agora já penso em aversão... insights têm lá suas peculiaridades. E eu me cansei. Já tem mais de ano que me cansei. Cansei de tudo isso, toda essa energia que se gasta sem destino, sem qualquer vantagem econômica. Cansei de mim, me debatendo contra essas cordas e correntes invisíveis feitas de ar. Cansei até das futilidades que me servem de consolo. Onde mais se vê sentido? Quem sabe em uma vida paralela onde meu único mérito é poder me considerar mais inteligente que a média e onde posso me ver num futuro qualquer sendo respeitada e reconhecida pelas coisas que minhas sinapses conseguem fazer, como se fosse um circo de habilidades pitorescas. Mas é uma vida paralela. Vida mesmo é essa coisa na qual nunca consegui me sair bem. Sou um desastre em viver, admito. Minha família, meus amigos, meus conhecidos, meus amores, meus ídolos, meu passado, meu presente, minhas vontades, meus medos, minhas certezas, meus descaminhos, minhas várias e várias e várias limitações... só sei me virar quando o interlocutor é imaginário... e eu no meio de tudo, sem saber quem afeta quem e pra onde esse trem está indo. Para Barbacena, quem sabe, ou para as terras ermas de lá na puta que pariu.
De que me adianta? Se ao menos houvesse resposta para isso... mas não vem resultado, eu não aprendi nada, eu não mudei em nada, eu estive apenas presa em uma gaiola brincando com meus cubinhos coloridos, absorta em delírios sobre o mundo e como ele funciona.
Eu digo: me dê um reforço e eu te darei o comportamento desejado.



►O tempo está propício para fazer um piquenique, navegar em alto mar e ser bastante pessimista.

terça-feira, 21 de outubro de 2008

Comprimindo

Queria alguma palavra para descrever esse sentimento comprimido.
A apresentação foi bacana, fiquei meio nervosa, mas me saí bem. Afinal foi uma super novidade da minha vida essa de apresentar trabalho em evento acadêmico. Mas esse mundo é o mundo que ainda me faz sentir que eu posso ser alguém na vida.
Eu quero um gato...
Meu orientador é tão papai coruja! E a minha diversão do momento se resume em laboratório e os meus seletos amigos.
Estou perdida... não sei mais como vão ser meus dias.
Tenho uma teoria: tem algum planeta bloqueando alguma fonte de energia pra Terra, ou então estamos no foco de um buraco negro que está sugando tudo que há de bom por aqui, como um dementador ou qualquer coisa besta... porque simplesmente todo mundo está passando pelos momentos mais difíceis dos últimos tempos nesse semestre. Por que ficou de repente tão difícil viver assim? O mundo está louco, e só.
Ontem vi um filme muito bom.
Hoje calei a boca mais do que devia.
Amanhã, não sei o que vou fazer. Só espero decidir até ir pra cama, se não vou acordar amanha e saber que aí vem mais um dia dos piores.
Como já disse várias vezes, que bunda!



►Mau humor?

segunda-feira, 20 de outubro de 2008

About tragic thoughts

Ok, so now what? I have been there before and I do know what I don’t want.
How is it gonna be from now on? Well, let’s see if time will answer that one.
If it doesn’t, I swear I’m getting myself inside a mental clinic! Cause there’s no way someone can be that stupid.
So I lose my time… the precious time I should be using to study for the “presentation” of the research tomorrow…
Everything is gonna work out, I guess. I mean, I feel so bad, but so bad, that I just can’t see the goodness that I know is there. At least I know it is there!
Why do I feel that one year was the same as none time at all? I thought I had grown, but turns out I’m just the same girl pretending to be fragile so that people would notice and feel bad about making her sad… how is that for something to own up to?
Well, now history repeats itself, I see myself again trying to find impossible ways of forcing things to be perfect, maybe because I feel I’m not worthy of getting what I try to have or because it just doesn’t happen… and I simply don’t know how to go for it, I mean… I don’t have the behavioral repertory for that.
Oh, god. I feel so lost…
Now what? I’ll just keep living in desperate need of therapy and a terrible self esteem… meanwhile, I can always think about these practical chalanges I buy to feel that me being living has some kind of sense!


►A tragic post about tragic thoughts... Well... just being honest.

quinta-feira, 16 de outubro de 2008

Dor

Eu estou de saco cheio!
O que me resta de bom são alguns poucos amigos e o laboratório.
Hoje é um dia ótimo para estar de mau humor. Gripe, calor, dor de cabeça, brigas em família...
Não queria estar aqui... tem lugares muito mais agradáveis para eu estar nesse momento. Mas a razão me manda suportar (como sempre) caladinha e agüentar firme até a poeira baixar.
Enquanto isso, tenho coisas a terminar e a estudar.



►Não posso mais me ancorar numa mentira!

quarta-feira, 15 de outubro de 2008

Você brilhou!

Eu estive abusando da sorte... às vezes é necessário pisar no chão e perceber que tanto prazer assim só pode estar levando a desespero. Nada contra o prazer, é claro. Sou uma grande partidária. Mas também é bom o sentimento de missão cumprida, o reforço paterno, o alívio depois de nadar quilômetros até chegar à terra firme.
Por isso hoje eu pensei duas vezes antes de interromper as obrigações sem razões aparentes. Eu adoro essa famosa desculpa de que não consigo me concentrar por muito tempo. Mentira... foi o que eu fiz. Fiquei de oito da manhã ao meio dia estudando enfurnada naquela salinha simpática. E no final das contas não dei conta de terminar (por falta de fonte).
Recebi uma estrelinha de “você brilhou”. E como foi bem salientado, eu trabalho voluntariamente e tem que haver algum retorno... mas eu já fico tão satisfeita com um retorno como o que recebi: alguém que admiro até encostar na cerca elogiando a minha escrita, meu poder de síntese e meu esforço!
Mas de toda forma, ainda não acabou. Foi só um encerramento dentre mil coisas acontecendo. Agora preciso terminar aqueles tais artigos para poder ter uma conversa decente sobre essa pesquisa amanhã cedo. Sim, eu tenho menos de doze horas para ler digamos muita coisa!
Hoje assisti às aulas! Cheguei a estranhar o fato. Claro, porque eu não faço mais isso! minha vida agora se resume em laboratório, corredor da fafich e cervejas em momentos inusitados. Boa fase, eu diria!
Estive descobrindo coisas sobre mim. E estive me testando de forma até sapequinha...
Engraçado... para alguém que se define pela não-definição e faz escândalo em publico quando se empolga demais e nem liga para isso, eu até penso demais na opinião que as pessoas podem ter sobre mim. Eu costumo me fazer acreditar que as pessoas me acham interessante, inteligente, espertinha, engraçada e sarcástica: a minha definição de mim mesma! Pelo menos meu feedback é positivo de todos os lados (ou quem sabe nem todos).
Mais engraçado ainda é descobrir essas coisinhas irônicas da vida. É tão fácil deixar um ciúmes bobo crescer e virar inveja e até desconfortos desnecessários... e quando você descobre que aquela pessoa com quem você não foi muito com a cara na primeira impressão também nao foi muito com a sua? E quando você descobre as melhores pessoas escondidas nas cascas mais improváveis?
Sabe de uma coisa... eu já sinto é o contrário. Quanto mais uma presença me intimida e quanto mais inveja tenho de alguém, mais eu quero me aproximar para ver como a pessoa é. Afinal, se alguém me intimida é porque de alguma forma é merecedora da minha admiração também.
São tantas voltas... e o tepo vai passando sem eu ver, e eu vou vivendo no meio dessa bagunça.
Mas então vamos lá! Ler até os olhos caírem, viver um dia de cada vez e me alimentar de forma saudável!



►Muita saúde e boa forma!

segunda-feira, 13 de outubro de 2008

Continua a girar

Não tenho tempo e não tenho leitores. Mas continuo ignorando a bomba relógio e reservo um tempo de improdutividade no meu dia para escrever. Para ouvir música também. Sem ela, o que seria de mim?
De repente me bateu saudadinha de pessoas e das suas respectivas épocas. Tem sempre alguém batendo na porta...
Hoje me arrastaram para o cinema. Eu não queria ir. Sim, queria, mas não podia. Tentei argumentar umas três vezes que ainda precisava terminar o meu pôster, mas eles ganharam e eu já estava indo despreocupada com eles. Mas uma coisa é certa. Eu nunca mais vou na onda da Fernanda para escolher o filme! Não entendi porque ela não quis assistir o Ensaio Sobre a Cegueira (quero muito ver e nunca arrumo tempo). Ela me fez passar pela experiência até engraçada e deveras pitoresca de comprar um ingresso para aquele filme lá... como chama? Casa das coelhinhas? Uma merda dessa aí... e entramos para a sala de cinema nos sentido idosos perto da manada de pré-adolescentes que já estavam lá jogando pipoca, gritando, comentando de seres do sexo oposto e toda sorte de bobagens. Foi uma experiência que eu não pretendo repetir! Mas, como tudo na vida, até pude desenvolver algumas reflexões interessantes em cima disso. Eu sou um ser inquietante que não vive feliz sem algo para ocupar a mente.
Estou com saudade de ler sem compromisso. Comprei vários livros e ainda não tive tempo para ler nenhum. Queria também ter tempo para ler tudo que arrumo para ler na faculdade. Daí acabo tendo que selecionar o crucial. E minha bomba relógio está contando... um segundo de cada vez. Assim é bem mais angustiante, por sinal.
Pois é. Já quase terminei o pôster, só falta a parte que depende de eu terminar de ler os tais cinco artigos. O corpo inteiro dói, mas ainda estou viva. Já repeti o cd de Gotan Project umas três vezes e ainda não cansei. Está passando Titanic na TNT, e por algum motivo misterioso eu não troquei o canal. Quem sabe por alguma dessas forças misteriosas que regem o universo e que fazem vasos de petúnias pensarem “oh não, de novo não” em plena queda livre... o sono já passou para outro level e eu sei que não terei descanso ou tranqüilidade por mais um bom tempo. O que é que estou fazendo aqui? Acabo de me imaginar tomando um chocolate quente em um café em Londres num dia chuvoso e cinza, usando um cachecol preto e um sobretudo creme, conversando com um rosto familiar.
Eu estou lá e estou aqui. Essa é a beleza de se cultivar desejos em uma hortinha. Eles crescem quase que sozinhos.



►Que dia é hoje? Eu já morri?

domingo, 12 de outubro de 2008

Conflito em prosa.

E quando a vida está de cabeça pra baixo, você não sabe mais onde tudo começou e se tudo pode um dia acabar, as pessoas não têm mais as mesmas faces e as lembranças ficam turvas para aqueles momentos menos representativos. É tão fácil alguém ou alguma coisa entrar e bagunçar tudo... Voltar a estabelecer uma ordem demora horrores. Às vezes nem volta a ter uma ordem.
Tem hora que penso que essa nova forma de lidar com as coisas é mais saudável que a antiga. É provável que ela seja tão ou mais doentia. São sempre voltas que eu encontro para manter comigo o que não quero perder.
Essa bagunça toda me tornou alguém que eu nunca esperava poder ser. Costumava pensar, quando o professor de geografia no colégio passava sermões aos vagabundos, que eu era uma dos tais vagabundos. Não conseguia ver muito futuro para mim... eu não conseguia me estabelecer bem nem no presente.
Agora eu sou capaz de tanta coisa que não acreditaria se me contassem há uns dois anos. Mas ainda sou incapaz de tanta coisa...
Não sei se estou gostando desse novo level de relacionamentos. Estou mesmo é com medo. Medo de isso me acostumar às minhas fantasias. Medo de que a queda seja maior quando for para eu cair.
Pois é, eu gosto de ser levada pelas situações... gosto até demais. Acho que meu lado capricórnio vai brigar eternamente com a sagitariana que há em mim.



►Eis que meu telefone toca... era a minha vida me botando contra a parede.

quinta-feira, 9 de outubro de 2008

Feliz por não ser tão feliz assim.

Quase meia noite e eu ainda não li nenhum dos artigos. Acho que agora não leio mais. O sono resolveu mostrar as caras, acho que ele esteve tímido e se escondendo o dia todo. Adoro poder dizer que agora a minha vida não para mais quieta. Quando completo uma tarefa, me aparecem mais três. E por culpa minha, é claro. Claro que eu tinha que terminar a minha parte dos verbetes antes de todos e ainda por cima me oferecer para ajudar com os que ainda não foram feitos. Acabei pegando mais três para fazer até semana que vem. E a semana do conhecimento chegando e eu aqui sem segurança para fazer o meu pôster ou para apresentar a pesquisa. Mas já consegui recursos para arrumar essa segurança: os cinco artigos que não li ainda e já é quase meia noite.
Ainda não atualizei o meu quadro de horários. Minha memória prospectiva está sendo muito exercitada nessas ultimas semanas. Literalmente... e agora, sem meu quadro de horários, não consigo mais viver em paz. Quem diria, eu esquematizando compromissos em um pedaço de papel? Como as pessoas mudam quando estão sob pressão! Outro dia eu realmente cogitei a possibilidade de comprar uma agenda. Me assustei com o pensamento imediatamente. Claro: as palavras agenda e Paula não entram na mesma frase se não com um “não funciona para” entre as duas. Mas bem, estou aberta a essas novas experiências de quem eu posso ser. Só acho muito engraçado como cada coisa que me acontece num dia dá um jeito de se encaixar na minha definição de mim mesma. Eu tenho esse costume de me relativizar 24hs por dia.
Hoje foi um dia serelepe. Ri mais que o normal até para mim. Esqueci totalmente o cansaço e me diverti sem motivos aparentes. É aquele sentimento de confiança que tanto se busca por aí. Confiança na minha inteligência, na minha garra para conseguir as coisas, na minha competência para me virar em situações adversas, nos meus resultados, no meu controle diante daquilo que me altera, na minha capacidade de me superar naquilo que me machuca... acredite, algumas coisas são muito melhores depois do sofrimento e do esforço pela conquista. E algumas coisas são realmente muito melhores da forma como as circunstancias permitem. E que bom que eu não consigo tudo que eu quero! Eu seria alguém tão detestável se não me obrigasse a lidar (com muito, mas muuuito sofrimento) com a perda...
Sim, eu sei que dias tão bons assim tendem a ser seguidos por dias péssimos, cansativos e com uma taxa de auto-estima abaixo do zero absoluto. Mas que se dane! É por saber que ela vai acabar que eu não vou mais acreditar na alegria?
Minha frase do momento: vai tocando em frente, quérida, que um dia chega em algum lugar!
Eu e essa minha simpatia pelo caos...



►100% dos que concordam comigo tendem a discordar do mesmo. 99% dos meus pensamentos tendem a se contradizer numa dupla negativa (minto, tripla e meia). 120% do que eu digo tende a ser encontrado no gerador de lero lero.

terça-feira, 7 de outubro de 2008

Que climinha mais lounge!

Agora, com essa crise de eficiência e o fim dessa loucura toda se aproximando começo a pensar em como fiquei acostumada com a correria. Acho que vou me sentir meio perdida e ociosa quando não tiver mais esses verbetes para me preocupar ou quando não tiver mais a semana do conhecimento para me deixar em parafuso. Claro que quando forem me aparecendo mais projetos, mais compromissos e mais responsabilidades eu vou abraçando.
As matérias da filosofia que estou “cursando” esse semestre se transformaram nas menores das motivações. Na verdade, estou pensando seriamente em abandonar a matéria de estética de Hume, que é a única na qual estou matriculada. Mas como eletiva não conta como créditos e nem contribui para o rsg, que se dane. Essa matéria já está me atrapalhando mais do que trazendo qualquer coisa de bom. Quanto às duas outras, estética já me desmotivou há tempos, desde que a Virginia começou a passar Kant e eu nada entendendo. Ontologia ainda pode me trazer coisas boas, por isso vou continuar assistindo. Ainda vai chegar a aula de filosofia da mente! Mas eu estou passando por um período de direcionamento e focalização do meu interesse. Claro que também é um período de dúvidas crescentes, de decepçoes e surpresas...
Como pode-se perceber, meu interesse está todo direcionado a essa coisinha complicada que costuma-se chamar de mente. Hoje eu estava em uma mesa da cantina discutindo assuntos triviais com meus colegas de turma. De seis pessoas, apenas duas (eu e Igor) ainda tinham convicção de que estavam no curso certo. Todos estão entrando em crise com o curso e eu ainda estou aqui achando que a melhor coisa que já fiz foi marcar um xizinho na psicologia no dia em que me inscrevi pro vestibular. Não faço a menor idéia do que vou fazer da minha vida, mas pelo menos tenho um puta prazer com o que estudo. Sinceramente, não me imagino fazendo qualquer outro curso (claro que ainda farei belas artes, mas é outro assunto. Não é nada profissional, é por prazer). É... eu tenho que ser é psicóloga mesmo!
E agora estou quase correndo atrás desse estágio mesmo. Sei lá, eu dou um jeito e flexibilizo os meus horários e arrumo uma forma de continuar me dedicando ao laboratório (eu já criei um vínculo afetivo enorme com essa idéia de laboratório). Mas ter dinheiro é algo que faz falta e eu estou me cansando de depender do bolso sofrido da minha mãe. Nunca gostei de pedir nada. Agora que ela não está podendo me dar nada mesmo, estou passando fome, me desgastando, deixando de ler textos por não ter como tirar os xérox... fica difícil. Além do que, arrumar um emprego me parece um passo penoso e fatídico. Mas sem ele eu vou continuar me sentindo empacada.
Como sempre, para me provar o contrário, saber que eu sou capaz e crescer, eu preciso assumir as perdas e os ganhos e dar uma reviravolta radical na minha vida.
Para se unir ao conjunto e completar o quadro vem a questão afetiva, que anda tão paralisada quanto antes. Já nem sei se estou realmente procurando por isso. Se na verdade não estou procurando por uma repetição de um tipo de relação doentia. Eu estive é procurando me sentir necessária na vida de alguém, me sentir uma prioridade. E procurei em várias fontes. Mas não é aí que deve pousar a minha auto-afirmação. Afinal, investir em mim mesma não significa fugir do sofrimento e sim criar uma base para saber lidar com ele. Já assumi o fato de que sofrimento não vai faltar, mas quem sou eu para reclamar? Aquela que sempre tira diversão no importa de qual situação, que sempre vê o lado bom das coisas, que sempre confia no bacana das pessoas, que sempre anima para fazer qualquer coisa por mais comum ou incomum que seja. Não adianta negar, eu sou uma pessoa se não feliz, com um enorme potencial para tal.



►A descoberta do século: Gotan Project! Que climinha mais lounge!

segunda-feira, 6 de outubro de 2008

Consciência


Sonho


Pergunta pro verbo!

Deixei o meu carro no mecânico para curar suas mazelas e vou ficar uns três dias de ônibus. Até estou gostando da idéia. Tenho uma certa saudade daquele tempo todo que se gasta dentro do ônibus ouvindo música e pensando na vida. Falando em música, passei um tempo amusical, apenas ouvindo o que já estava me cansando de ouvir. Querendo conhecer alguma coisa nova. Pois bem, redescobri muita coisa no meio desses meus trinta Gb de música.
Hoje eu estou num clima... “Fresh” (na falta de palavra mais adequada para descrever).
Fim de semana com bônus de aprendizados atrasados em gramática. É só perguntar pro verbo! Foi uma boa aula de francês, mas me fez sentir como o curso do Luziana por si só não faz ninguém falar francês. Eu sei que adianto muito o meu lado com o meu interesse por música e cinema franceses, mas eu tenho umas dificuldades que só treinando e escrevendo em francês para resolver. Sábado foi um dia avulso. Voltamos do francês e fomos fazer um almoço que só ficou pronto à cinco da tarde.
Ontem prometia ser um dia sem graça qualquer. Mas foi bem agradável. Chamamos meus avó para almoçar aqui em casa e eu cozinhei com a minha mãe. Uma coisa bem nostálgica. Já tinha mais de uns cinco anos que nós não uníamos animação para fazer um almoço empolgado de domingo. E ao som de Tom Jobim e João Gilberto cantados por Caetano. Depois a Diva passou aqui em casa para irmos votar. Ou não votar, digamos assim. a parte de votar foi indiferente. Mas demos uma passeada pelo meu ex-colégio e lembramos de coisas divertidas e nos abismamos com as diferenças desde que formamos. Voltamos para casa e o calor estava tão insuportável que tivemos a brilhante (e que brilhante) idéia de ir à casa da mãe da Diva para nadar em sua piscina. Levamos sorvete e fizemos milkshakes até, bem até acabar o sorvete... Adoro quando a Diva aparece avulsamente. Sempre nos rende alguma coisa divertida, ou mesmo que fiquemos a toa jogando adedanha, nos divertimos horrores.
Voltamos para casa uma 19:00 e eu fui trabalhar nos verbetes de novo. Até fiz um bom progresso, mas ainda estou tendo dificuldades com isso.
E bem, hoje eu vou ter tudo para voltar de saco cheio e exausta. Mas whatever. Às vezes eu posso me sentir independente de eventos para me considerar viva.
Acordei com vontade de usar verde e ouvir lounge. De me despreguiçar como um gato e tomar um banho de uma hora.



► Where do I go to get some perfect life?

domingo, 5 de outubro de 2008

Paralisia do sono.

Essa noite eu tive uma crise de paralisia do sono mais uma vez. O mais assustador é que essas “crises” duram cada vez mais. Ou seja, é cada vez mais tempo de angustia por não conseguir me mover e estar consciente disso.
Ultimamente eu sempre tenho consciência do que está acontecendo. Chego a pensar “ah não, mais uma vez?”.
Dessa vez foi assim: eu estava sonhando, e eu não lembro bem o que estava acontecendo no sonho, ou como eu fui parar no meu quarto. Em certo ponto eu estava no quarto e me deitei na minha cama. Então, de repente, eu sabia que estava acordada, mas não completamente. E o sonho continuou acontecendo, mas eu sabia que estava meio acordada. Então um homem estava deitado na cama da minha irmã, do meu lado direito, se levantou e veio até a minha cama. Mas ele não tinha cabeça. Tinha, mas quando eu olhava para ela, a cabeça desaparecia e se misturava com o teto atrás dela. Eu estava cagando de medo daquele homem com uma blusa de frio cinza claro. Na verdade não estava com medo dele, mas estava com medo de ele ser de verdade e realmente estar ali enquanto eu estava meio acordada e não conseguia me mover. No fim estava com medo porque nessas situações fica difícil distinguir o que ainda faz parte do sonho e o que já é real, porque eu experimento os dois ao mesmo tempo (seria isso uma quase alucinação?).
Eu comecei a tentar mover pequenas partes do meu corpo. Tentei fechar o punho com força e cravar as unhas na palma da minha mão para sentir dor. Eu sentia que estava fazendo isso, mas não conseguia sentir nenhuma dor. Era como a sensação de sonho mesmo: eu sinto as coisas mas não as coisas em si... eu sinto um fantasma das coisas, uma quase sensação. Eu fechava os olhos e parecia penoso abrir novamente. Mas eu abria e via ali o meu quarto escuro. Tentei resmungar, mas não saia som da minha garganta.
Em certo ponto minha respiração começou a ficar pesada. Foi a primeira vez que ficou difícil respirar no meio de uma coisa dessas. Três vezes seguidas a respiração pesou, mas voltou ao normal. A maior agonia era que eu tentava respirar mais fundo, mas como eu já disse, eu não conseguia mover nada do meu corpo por vontade própria. Da terceira vez que a respiração ficou pesada ela falhou. Eu fiquei alguns segundos sem mover o peito e aí, com a falta de ar, meu corpo se contorceu todo e eu acordei, finalmente.
Essa noite foi uma das vezes mais longas, e claro que uma das mais angustiantes.
Respirei fundo, bebi um gole de água, voltei a dormir.
Quando já era de manhã eu estava sonhando que estava coçando insistentemente a perna mas a coceira não passava. Quando acordei eu tinha certeza (não sei como) que eu estava fazendo os movimentos do sonho com o corpo.
Estou começando a me preocupar com esses meus pseudo-distúrbios do sono (sem contar com aquele dia que descobri que sou sonâmbula ao me pegar jogando água em mim mesma quanto dormia...).

Me apareceu um dilema financeiro: um estágio bem remunerado em uma área em que eu sei que não iria gostar de trabalhar versus o laboratório que me dá tesão e abre caminhos para coisas que quero para o meu futuro, mas onde não tenho garantia alguma de conseguir uma bolsa... Eu me conheço, vou acabar suportando por mais algum tempo indefinido a falta de dinheiro, não poder comprar nada, não poder almoçar durante a semana, não poder ir a shows, não fazer nada em prol da minha super dedicação à minha vida acadêmica.



►Pequena pausa nos verbetes (a prioridade do momento) para respirar.

sexta-feira, 3 de outubro de 2008

Pseudo-palavras

Preciso, em primeiro lugar, de um plano de ação. Para dar conta dessas tarefas que não acredito ser capaz de realizar, mas o mundo me empurra para elas (ou que seja eu mesma que me empurro). Depois, preciso de dinheiro. Porque eu sempre me coloco nessas situações em que tenho que escolher alguém para decepcionar, quando decepcionar é em si uma tortura.
As complicações às vezes até parecem inventadas.
Hoje aconteceram coisas de sempre. Algumas levemente assustadoras, algumas saudosas, algumas que incomodam por essência. Ia ser bom me livrar de metade dessas paranóias.
No fim são poucos os momentos do dia que eu dedico a mim mesma. Este é um deles. É neles que eu volto àqueles pensamentos sobre como meus pensamentos não têm substância.
Acho que o meu problema é estar focalizando demais esse meu esquema de mim mesma. Algo que eu considero bom, inclusive. Sabe quando se percebe que quanto mais bem esclarecida e inteligente eu sou, menos satisfeita eu estou com a forma “natural” das coisas acontecerem?
Eu estou tranqüila. Eu sei que me viro. Mas para isso, esses pensamentos “negativos” (entre muitas aspas) vão ter que ficar para de vez em quando na frente do computador sem mais nada para fazer. Pois é né?... se eu continuar cavando até bater na pedra eu paro de viver.
Então vamos lá. Começando por um fim de semana inteiro de livros e artigos e dicionários e mais livros e mais artigos e, se tudo ajudar, conseguir definir pelo menos sete dos meus nove verbetes de memória.
Essas próximas três semanas vão ser difíceis. Não que as seis semanas anteriores não tenham sido...



►Entre o cansaço e a vontade de fazer alguma coisa impossível.

quinta-feira, 2 de outubro de 2008

Crise existencial em dez passos:

1. Eu detesto dogmatismo. Sinto uma enorme preguiça e sempre me parece tão imaturo venerar algo com tanta paixão que todas as respostas e todas as frases e todas as reações tem uma assinatura irritante daquilo que se venera. Acho que veneração deveria ser proibida por lei em prol de pessoas mais sensatas e abertas a verdades e mentiras.

2. Não faz muito tempo, eu nunca argumentaria tão fervorosamente como tenho feito. Parece que perdi uma parcela daquele medo que eu tenho de ofender ou decepcionar quando eu me posiciono. Eu sempre tive esse medo de ser alguém. É muito mais fácil só ser quem os outros dizem que eu sou. Mas chega uma hora que é informação demais para se ignorar fingindo ser a famosa average person.

3. Por trás das escolhas que não escolhemos se escondem todas as pessoas que poderíamos ter nos tornado. Mas o que aconteceu aconteceu. Já não poderia ser de outra forma a partir do momento de cada escolha. Dá uma impressão de destino controlável. Dá uma impressão de livre arbítrio determinista. Afinal escolhemos a cada segundo quem vamos ser aos olhos de outros e aos nossos próprios. Mas quem foi que disse que controlamos nossas escolhas? Simplesmente nos entregamos à vontade de nós mesmo. Engraçado pensar assim não? Cheguei a uma espécie de meio do caminho entre escolha e destino onde estou nos dois e em nenhum.

4. É nas discussões e nos argumentos que eu descubro quem é essa pessoa presa dentro da minha pele. Você não conhece o adversário até ter lutado com ele. Meu adversário sendo eu mesma e a luta sendo a simples classificação do mundo. As teorias do desenvolvimento de Vygotski e Piaget não previram o liquidificador no qual jogamos o mundo a cada novo problema. Ninguém previu que a incerteza traria esse sentimento de segurança apavorada. Afinal, ninguém no mundo prevê paradoxos.

5. Eu sei muito bem como é essa empolgação gostosa quando descobrimos o conhecimento mágico que parece fazer o mundo fazer sentido. Parece que a própria vida e o próprio caminho ganham motivo de ser. Mas quão imaturas são essas idéias eufóricas quando a cada momento se une mais um número à soma. Dois mais dois nunca vai continuar sendo dois. Como é que se planeja um fim quando o caminho é feito de gelatina? Onde é que vou chegar quando essas minhas idéias mágicas já forem apenas idéias passadas?

6. O que é futuro? Já ouvi falar disso antes, mas não lembro onde. Quem sabe pela boca da minha mãe ou pelos livros que cruzaram o meu caminho. Mais um paradoxo bate à minha porta. Eu faço planos para a próxima década, para o próximo ano, para aproxima chance, para a próxima responsabilidade. E mesmo assim não confio na minha capacidade de me sustentar eu mesma até o próximo amanhecer.

7. Onde estou? Eu sou alguém? Eu quero ser alguém? Alguém quer ser alguém? É possível querer alguma coisa? O que é que estou fazendo com a minha vida? O que é uma vida? O que é vida?

8. As respostas vão vir quando eu menos esperar.

9. E logo atrás das respostas virão perguntas piores. Certo comediante britânico disse que se um dia descobrirmos todas as respostas filosóficas para a existência e para as questões complexas que regem o universo, este será imediatamente substituído por algo ainda mais complexo. Dizem que isso já aconteceu.

10. Esse papo me deu fome... Vou fazer um macarrão!



►Estava procurando algo para escrever e de repente chegou esse espírito e me encarnou.

quarta-feira, 1 de outubro de 2008

Sobre mim e sobre mim.

Um dia, queria escrever não sobre mim ou sobre mim. Mas sobre alguém. Sem medo de alguém ler. Sem medo de ser ridícula só por amar alguém. Sem me importar se também serei amada. Um dia eu perco o medo de defender o meu peito e correr contra o muro, e derrubá-lo e cair, e quebrar vinte ossos, e receber um não. Quantas vezes já aceitei o não que não veio para não deixar que o não venha? Um dia vou me escrever em duas frases e vou sair andando. Se houver resposta, que ela venha atrás de mim. Se não, que eu vá atrás de outros nãos.
Um dia, queria escrever não sobre alguém ou sobre alguém. Ou sobre o efeito de alguém em mim ou em mim. Um dia, queria escrever sobre mim e sobre mim.


Janta
Eu quis te conhecer, mas tenho que aceitar
caberá ao nosso amor o eterno ou o não dá
pode ser cruel a eternidade
eu ando em frente por sentir vontade
Eu quis te convencer, mas chega de insistir
caberá ao nosso amor o que há de vir
pode ser a eternidade má
caminho em frente pra sentir saudade

Paper clips and crayons in my bed
everybody thinks I’m sad
I will take a ride in melodies and bees and birds
will hear my words
will be both us and you and them together
I can forget about myself
trying to be everybody else
I feel allright that we can go away
and please my day
I’ll let you stay with me if you surrender

Eu quis te conhecer, mas tenho que aceitar
I can forget about myself trying to be everybody else
caberá ao nosso amor o eterno ou o não dá
I feel allright that we can go away
pode ser a eternidade má
and please my day
eu ando sempre pra sentir vontade
I’ll let you stay with me if you surrender
(Marcelo Camelo & Mallu Magalhães)


►Invejo aqueles que se declaram.

Memória cotidiana

Acumulando conhecimento e cultivando minha hortinha intelectual. Enquanto isso vou aplicando de formas banais para fixar.
Terça feira às sete e meia da manhã eu estava na aula da matéria que ainda me pergunto se deveria mesmo estar cursando. Mas a inércia me levou ali novamente. Estava assistindo a apresentação de seminário de um cara muito nerd que achou um texto de um filosofo muito nerd (buscando argumentos filosóficos para defender o estatuto de arte dos.... vídeo-games! – Rowling eyes + deep breath). Eu agüentei firme e sonolenta uma hora e quarenta disso.
Quando a aula terminou encontrei a Raquel no corredor do segundo andar. A minha chará de data de nascença. Ela comentou quase que esperando uma resposta negativa: “vamos beber?”.
Eu disse: “não convida que eu fico com vontade.”.
“Então vamos mesmo?”
“VAMOS!”
Já viu né?... Duas sagitarianas com sobrecarga de stress. A palavra cerveja ou semelhantes não podem ser mencionadas que elas já ficam bêbadas.
Fui beber com a Raquel às nove da manhã de uma terça feira. E já tinha um bom tempo que eu não bebia aquele tanto. Quando era meio dia voltamos andando no sol, rindo das coisas sem sentido que só gente bêbada consegue perceber. Conversamos tanto sobre tanta coisa que senti que tinha descarregado alguns muitos quilos das minhas costas. Também estava precisando de algo assim: falar a falar, contar tudo para alguém que estivesse distante da minha história, mas em quem eu confiasse ou pelo menos me identificasse. E a Raquel é um máximo! Como discutimos enquanto bebíamos, ela é aquele tipo de pessoa que é impossível categorizar na primeira olhada. Na segunda e na terceira então, fica mais difícil. Aquele tipo de pessoa que te dá vontade de conhecer por não ser parecida com nada que se conhece.
Fomos almoçar, conversamos mais um monte. E nos despedimos.
Fui para a aula de ética. Claro que ainda bêbada. Eu havia bebido horrores e de estomago vazio. Então eu simplesmente dormi a aula inteira. Quando “acordei” e fui para a aula do Lincoln percebi algo simpático: eu estava com ressaca! E ela durou o resto do dia. Minha dor de cabeça só passou quando eu estava em casa deitada no colo da minha mãe assistindo novela (imagina a cena).

Hoje não teve problema. Não me afetei. O gatinho da fafich me tirou de mim por alguns minutos. Tive uma daquelas reuniões de laboratório que eu adoro (e isso não foi ironia, vale apontar). Fui à apresentação da peça “Aqueles Dois” na reitoria e juro que quem não foi é um idiota! Apelidei a peça de “a-peça-que-me-deu-um-nó-na-garganta-permanente”. Simplesmente maravilhosa, e eu estou boquiaberta até agora.
Depois uma aula de Industria, um macarrão (primeira refeição do dia às quatro da tarde), uma conversa breve com pessoas que me provocam sorrisos. Dirigir em horário de pico (e redescobrir como eu odeio motoristas estressados e apressados e filhos da puta e que merecem morrer em horário de pico – EU OS ODEIO!)
Tenho um trabalho de ética para entregar amanhã e já vejo como não terei o tempo que queria ter para isso... parece que esse não vai ficar tão bonito e chiquerrimo quanto o anterior, mas deixar de fazer eu não vou.

Entre sambinhas, musicas bregas, rocks alternativos e violinos, vou me carregando (às vezes com muito esforço) por aí. Mantenho sempre uma mistura de sentimento de rotina permanente com expectativa pela pausa e pelo inesperado. De certa forma, os dois acontecem de formas paradoxalmente simultâneas.
O peito está pesado, mas é um peso que eu consigo suportar. O cansaço clama por peso nenhum, por ser carregada e receber tudo nas mãos e na boca. Mas como o Linconl disse ontem: “A vida não é quando eu formar, ou quando isso, ou quando aquilo... a vida é todo dia, a vida é paulera!”


►Hey you... do you ever miss me, or is it me who needs to be missed?

segunda-feira, 29 de setembro de 2008

Boa sorte ao meu leitor

Todo dia começa com uma analisada na memória de trabalho em busca de resquícios de sonhos. Hoje eu fiquei espantada com a riqueza nonsense dos meus sonhos. De vídeos antigos e épocas hippies de pessoas que são apenas dez anos mais velhas que eu (apesar de terem uma certa representação paterna para mim), a uma estória louca misturando a minha avó, as confusões dessa região (geográfica mesmo) da minha família com os robozinhos ETs do filme engraçadinho que assisti ontem à noite. E nisso tudo me aparece um fulaninho (porque eu ainda não sei o nome que dei para esse ser) cabeludo que gostava muito de Beatles e me levava junto em suas aventuras pela Cristiano Machado em seu avião ultra tecnológico (que estava, sim, pousando na Cristiano Machado em meio aos carros) perseguindo o robô gigante de doze tentáculos que havia seqüestrado a minha avó dentro de uma lata de lixo. E quem eram os vilões do meu sonho? O Pato fu! Sim, eles estavam dirigindo o robô gigante de muitos tentáculos (em formação de Power Rangers dirigindo o Megazort deles...). Aí resgatamos a minha avó (que não queria ser resgatada porque ela não tinha mais lembranças de quem ela era e queria morrer – essa foi a parte filosófica pesada do meu sonho), voltamos para a nossa sala de aula (não me pergunte o nexo disso) que ficava num prédio de bambu meio escuro e com muitas plantas saindo de todo buraco possível, o fulaninho cabeludo apresentou a nossa aventura como se fosse um trabalho de escola e com She Loves You (versão Beatles n’choro) de fundo musical e eu pensando em como seria tão bom se ele cortasse aquele cabelo de ogro das cavernas dele...
Foi quando eu acordei e repassei tudo isso na minha cabeça.
Daria um filme bacana... se eu conseguisse pagar a participação do Pato Fu.

Sábado e ontem foram dias para o universo conspirar contra mim. Pela manhã de sábado eu já acordei seguindo a linha errada de raciocínio. Por que é que eu tinha que escolher aquela manhã para repassar em consciência todos (mas todos mesmo) os problemas cíclicos e suas conseqüências que viram problemas cíclicos que acontecem na minha vida... desde sempre. Eu praticamente escolhi uma hora para pensar no lado desgraçado da minha vida inteira. Com esse acumulo de excremento passou a ficar difícil, em primeiro lugar, parar de chorar... em segundo, encontrar alguma coisa boa para se pensar durante o dia. Pois bem, mesmo sabendo que não seria bom para mim, eu sai de casa e fui ao francês. Eis que o meu carburador furou, saiu fumaça do meu capô e eu fiquei parada sem poder ligar o carro de novo na pista do meio da amazonas no cruzamento com a contorno. Imagine a cena, como foi agradável.
Consegui ligar o carro de novo um tempo depois, quando ele já tinha esfriado um pouco. Fui até o posto de gasolina ali do lado e coloquei água de novo. Nesse ponto foi hora de me descontrolar de novo e chorar horrores. No meio do posto de gasolina, com dineis a gosto para me observar. Retomei o controle e fomos para o francês (chegamos atrasadas e ainda fui criticada pelo professor que nem brasileiro é por ter andado com pouca água no carburado).
A tarde foi passando e os problemas foram ficando mais distantes na minha cabeça (fui jogar The Sims 2 – nada melhor que algo totalmente inútil e com alto grau de distração).
À noite fomos ao Fimpro (campeonato de Match!) vimos a disputa pelo terceiro lugar entre México e Argentina. Foi bótimo. Eu saí de lá pensando em portunhol. Foi o momento bom do dia.
No domingo, porem, acordei e retomei a linha de raciocínio da manha de sábado. Não podia evitar de pensar em como os momentos de prazer que tenho não são substanciais. Passam rápido e não deixam nada de permanente. Como se só viessem para me fazer esquecer de como a minha vida é uma merda generalizada. Daí passei a pensar em como amizades são igualmente efêmeras, se baseiam em interesses (não interesses calculistas, mas interesses naturais que até eu tenho). Daí veio o pensamento sobre como tudo é mesquinho. Como nada vale a pena. Como ficar na minha cama (doente, by the way. Domingo ainda me fez o favor de me presentear com um enjôo e uma dor de cabeça muito simpáticos) não me traria nada de bom na vida, mas levantar dela não seria nada melhor que isso...
Eu não queria sair de casa, por isso não fui na casa do João e nem fui na final do Match (os fatos de o meu carro estar estragado, de eu estar passando mal e de eu não ter dinheiro algum contribuíram para a decisão). Passei mais um dia jogando The Sims 2...
Esse foi um fim de semana vagabundo de atividades e de pensamentos.
Com isso não adiantei nada nos verbetes, não li nenhum dos e-mails, não estudei nada da pesquisa, não li nenhum texto (se é que eu ainda faço isso) das matérias... mas que seja. Depois do breve abismo do fim de semana, acordei pensando nesse sonho estranho e o meu espírito de eficiência voltou. Hoje ainda vou virar três ao mesmo tempo para dar conta de aula de psicopatologia, entrevista com interno do hospital e entrevista com a criança (mais a sua mãe) do trabalho de psicologia escolar. Quando voltar para casa ainda vou estudar até não ter mais atp para gastar e tirar o atraso do fim de semana com os verbetes.
Pelo menos não tive que ir á aula de ontologia hoje e pude escrever esse monte de inutilidades aqui.



►Um dia eu ainda tiro alguma conclusão boa disso tudo que tem me acontecido...

sábado, 27 de setembro de 2008

Exausta

[texto apagado]

De que adianta pedir ajuda se ninguém responde ao pedido? Quando é problema de outra pessoa é invisível (e Douglas Adams nunca foi tão sábio em uma frase).
Engraçado como que promessas se dissolvem em tempo.
Engraçado como é fácil sugar o útil e deixar o resto de lado sem cerimônia.
Engraçado como é fácil me criticar pela forma como eu vivo, mas ninguém segura a minha mão.
Tão engraçado que estou rindo horrores nesse momento.
Tenho medo de estar me sentindo tão mal assim.



►Mas que mundo desgraçado!

sexta-feira, 26 de setembro de 2008

Enfim, uma sexta-feira.

Hoje eu vou ser como uma daquelas frases que saem da boca para impressionar alguém (certas presenças são intimidadoras demais para se agir com naturalidade). Aquela frase que não soa muito como você mesmo e que depois, no dia seguinte, você se pergunta “mas por que eu disse aquilo?”.
Esses momentos são especiais... marcam um divisor de águas na vida entre quem você é por inércia e quem você é por interesse.
Ultimamente tenho mesclado esses dois jeitos de ser. Meu divisor de águas foi bombardeado e eu começo a misturar as águas do ria Amazonas com as do São Francisco. Depois vai ser uma bagunça para colocar cada água no seu lugar quando eu conseguir reerguer meus divisores de novo...
Queria lembrar com detalhes do sonho dessa noite... só sei que multipliquei por dois a aflição de querer só um. Quase acordei acreditando ser a realilade do sonho a real realidade...
Eu sou uma neurose fóbica que cresceu sonhando em ser esquizofrenia.



►Enfim, uma sexta-feira de dormir até às nove da manhã, de ligar o computador para desperdiçar a minha manhã, de deixar a correria de lado sem ligar muito pra isso...

quinta-feira, 25 de setembro de 2008

Repertório comportamental

Não há buraco fundo que não possa afundar um pouco mais.
Cá estou eu, presa entre as duas faces de uma única opção aparentemente plausível. Ou segura. Ou que seja a única coisa que eu consigo fazer no momento, simplesmente por não ter repertorio comportamental adequado no meu arsenal. Não sei mais como sair dessa circunferência provocadora de dependência química.
Sim, eu consigo fazer coisas mirabolantes, eu me vejo mais perto desse mundo hipotético (dedutivo) que eu sonhei para mim, eu confio na minha capacidade de completar o caminho. Mas por que é que parece que eu sou a única que não tem certeza? Eu sou a única que não tem apoio (alguma base sólida que ajude a manter o equilíbrio). Pois bem, eu sei o que eu quero, e sei muito bem. Mas de duas uma: ou o que eu quero não me dá garantia de nada no meu futuro cada vez mais obscuro, ou o que eu quero me parece impossível de alcançar porque eu nunca aprendi a lidar com tais assuntos capciosos.
E desses dois mundos eu escolhi um para fingir que o outro não me afeta. O que eu escolhi me ofereceu boa distração até o momento em que conversei com o João sobre isso.
E na verdade isso tudo é uma baboseira de marca maior. Eu não tenho que escolher nada. Tudo faz parte de mim. É apensa mais fácil ignorar a parte de mim que incomoda (e os supostos amigos mais próximos têm feito questão de agravar o incomodo... depois me pergunto por que tenho sido assombrada por essa solidão existencial). Acho que ia ser tão bom contar esse detalhe com todas as palavras para alguém... mas quem é que pode ouvi uma coisa dessas? As pessoas em quem não confio o suficiente para mostrar meus medos ou as pessoas em quem confio, mas que são justamente quem tem me provocado medo e mágoa com esse assunto? Ou quem sabe a única pessoa em quem eu confio que não vai me provocar tais mágoa e medo, mas que tem por si só mais problemas que eu jamais poderia imaginar em ter na minha vida... Eu sempre estive isolada, eu e eu mesmo... mas essa bola de neve virou uma avalanche.
Reclamações à parte (e reclamação ultimamente não me falta), eu sei que não dou conta disso tudo sozinha. Sim, dou conta porque tenho vivido comigo mesma há vinte anos e vou bem, obrigada. Mas não sou tão incrível ao ponto de conseguir ressignificar a minha vida a partir do nada que me cerca. Tudo que posso dizer é que o jeito é agüentar calada por mais um tempo indefinido mesmo, como sempre foi. Até quando será que eu posso estender isso?
Ah, que preguiça que eu tenho dessa minha imaturidade emocional...




►Meu repertório comportamental é rico em estratégias de fuga e esquiva e de defesa...

segunda-feira, 22 de setembro de 2008

Em palavras de gente mortal

Agora vejo como foi rápido. Quase uma vida inteira à mercê de uma vontade que era como o vento. E eu me permiti. Proporcionalmente não faz o menor sentido... será que é por não ter sido? Nunca vi algo tão pequeno ser tão forte e tão de repente.

O que falta é alguém com quem eu possa compartilhar meus dias, momentos que me tirem do meu eixo, motivos para continuar no meu caminho e desculpas para sair dele de vez em quando. Alguém que me tire essa sensação de estar sozinha nessa estrada árida, sem distrações ou diversão pelo caminho e sem enxergar o destino. Ia ser bom caminhar acompanhada...
O meu apoio tem sido eu mesma. Assim fica meio difícil manter uma certa estabilidade.
Não quero me apoiar em coisas que ainda não existem ou que não existem mais... apesar de eu ainda fazer isso quando me distraio. Mas esse tipo de apoio não vai pra frente: a fantasia tem data de validade e se desmancha sozinha antes que eu termine de pensar nela.
Não estou morrendo nem nada. Ainda aguento muita porrada antes de desistir... Eu sou uma pessoa forte apesar de reclamar muito. A reclamação trás uma parcela de força junto. Mas faz falta ter um outro objeto de investimento libidinal fora eu mesma.
Em palavras de gente mortal: sinto falta de amar alguém e ser amada (de preferência pelo mesmo alguém).



►”Sei que tudo vai ficar bem... só não sei se vou ficar também”

quinta-feira, 18 de setembro de 2008

Scaffolding e semancol para o jantar.

Nada como um dia após o outro. Nada como um scaffolding básico (falo como se soubesse horrores de Vygotski). Nada como alguém esfregar na minha cara de formas sutis e até inconscientes a minha grande estupidez.
Apesar disso, não negligencio o valor de um dia tão ruim como foi ontem. Afinal, cada dia é um dia. Mas hoje tive a sorte de perceber como eu sei ser patética (em um sentido diferente, quase saudável).
Sim, é verdade. Muitos dos nossos grandes medos são medos bobos. Algumas coisas são mais fáceis de se ultrapassar que se espera. Outras podem ser apavorantes por essência, mas o primeiro passo tem que ser dado.
Ontem foi a minha pausa para a miséria. Hoje retomei meu caminho (ainda com duvidas e complexo de solidão, mas engoli metade dessas coisas e recuperei a minha vontade de superar as expectativas que eu tenho de mim mesma).
Engraçado como algumas presenças conseguiram, sem querer, compensar as ausências.
Só retiro uma coisa que disse: não, eu não sou incompetente. Apenas sou sujeita a dias para não confiar na minha própria palavra.
Agora é hora de me preparar. É tão bom recuperar o sentimento de que eu sou capaz...



►Parece até que fiz auto-terapia intensiva. De onde vêm essas mudanças drásticas? Começo a achar que tenho algum transtorno de humor qualquer. Tem algum psiquiatra por aí que possa me diagnosticar?

Um quase desabafo.

Não sei mais quem sou, o que estou fazendo, para onde estou indo, se algum dia vou mudar... não consigo tomar a iniciativa e isso me prova que eu nunca serei ninguém na vida. Logo após admitir a minha fraqueza, eu me culpo, pois não tenho o direito de ser fraca agora! Eu tenho que conseguir e estou atrasada para isso. Mas o medo me paralisou e eu estou agarrada com todas as forças na cadeira... minhas mãos já estão começando a doer, mas eu me agarro cada vez mais. Eu quero mais que isso mas eu não consigo dar conta nem do que já tenho. Eu sou incompetente... Eu não posso perder a minha motivação... justo agora! Mas vejo ela se tornando rala e transparente aos poucos. Eu me joguei de cabeça nas tarefas que iriam me exigir o meu máximo na esperança de que isso me fizesse esquecer outros sofrimentos... me fudi... agora acumulei tudo de uma vez e botei o pouco do que tinha restado do meu caracteristico bom humor e otimismo em risco... na verdade acho que já matei eles...
Hoje fez mais falta que nunca... ter alguém para conversar... simplesmente conversar. Contar quem eu realmente sou e quem eu tenho medo de me tornar. Contar exatamente tudo que está me atormentando nesses últimos três dias (para variar). Deixar que alguém saiba que eu sou um caso perdido... chorar.
Mas parece que não sou só eu que estou sendo prensada entre paredes.
Nessas horas eu queria tanto ser egoísta... mas não consigo. Eu sempre vejo o outro lado e culpo a mim mesma por estar exigindo algo que o mundo nunca pôde me dar e não vai ser agora que vai oferecer de graça.
Afinal eu sou EU... e EU sempre aguento a dor de boca fechada.
Ok... Eu admito. Eu quero e preciso de ajuda. Mas cara de pau (porque eu nao consigo enxergar de outra forma) me falta para pedir.
Na verdade eu devia é estar me oferecendo para ajudar. Têm problemas maiores acontecendo com pessoas à minha volta. Mas dessa vez eu não consigo assumir mais esse peso e juntar à minha coleção.
Hoje o meu companheiro foi o nó na garganta.



►Saí da aula de ética hoje me sentindo um cocô... se não fosse a desgraça que está o meu humor, eu teria adorado o fato. Mas só veio para piorar o meu dia.

quarta-feira, 17 de setembro de 2008

Alguém me deleta?

Começo a achar que nao vou dar conta disso tudo. A cada quarta-feira, o meu mundo roda, se mistura, sofre terremoto de escala ridiculamente alta e volta ao "normal". E todas as formas que encontrei para liberar energia, tensão ou o que for só me serviram para risadas (e boas risadas) de momento.
Minha vida piorou 40% depois de hoje. E como sempre, até quarta-feira que vem eu vou me virar, dar um jeito de ser cinquenta ao mesmo tempo, resolver tudo e e respirar fundo só a tempo de receber mais um carregamento de pressão, desespero e "WHAAAAA"!
Queria gritar, mas só gritar não adianta. Por isso mesmo vou ali começar a ler um dos enormes livros que vão me ajudar muito pouco a completar tarefas muito complicadas...


►Depois de ser bombardeada por chuva de cubos de gelo, bombardeada por tarefas do laboratório, por trabalhos, por conceitos, por doenças, por problemas, por lembretes, por detalhes, por fome, por falta de dinheiro, por dores musculares... quem é que tem tempo para pensar em vida afetiva?

domingo, 14 de setembro de 2008

Adeus você

Adeus vocêEu hoje vou pro lado de láEu tô levando tudo de mimQue é pra não ter razão pra chorarVê se te alimentaE não pensa que eu fui por não te amarCuida do teuPra que ninguém te jogue no chãoProcure dividir-se em alguémProcure-me em qualquer confusãoLevanta e te sustentaE não pensa que eu fui por não te amarQuero ver você maior, meu bemPra que minha vida siga adianteAdeus vocêNão venha mais me negacearTeu choro não me faz desistirTeu riso não me faz reclinarAcalma essa tormentaE se agüenta, que eu vou pro meu lugarÉ bom...Às vezes se perderSem ter porqueSem ter razãoÉ um dom...Saber envaidecerPor siSaber mudar de tomQuero não saber de cor, tambémPra que minha vida siga adiante.



►Los Hermanos

Inconcluível

Estou com pressa para não fazer nada. O ritmo de repente mais lento que aquele que eu apelidei de desumano me faz sentir como se tivesse perdido sustento para o próximo passo. Sim, é claro que eu transformei isso tudo numa forma de escapar de algo que mesmo assim mantenho comigo.
O clima de domingo à noite embalado por trinta graus de calor insuportável e uma semana não tão animadora pela frente... amidalite dos dois lados (o que me impede de engolir qualquer coisa sem fazer uma careta muito feia), carência musical (que já estou dando um jeito de tratar).
Por que deve sempre haver um motivo? Depois do momento em que descobri um sentido, não consigo mais viver em paz sem algum.
Para mim chega de idéias impossíveis. Pelo menos por alguns meses. Mas continuo resistindo bravamente ao sistema que tenta me engolir. O plano é aprender uma maneira de me encaixar nele e deixar que ele acredite ter me conquistado enquanto eu assumo toda a minha irresponsabilidade quando ele não estiver olhando. Que coisa perversa!
Agora há pouco parei de frente para o espelho, deixando de lado o fluxo natural de pensamentos, e vi uma pessoa diferente escondida. Um mesmo rosto para tantas pessoas... hoje o rosto estava mais inspirado. Como se aversividades de nada adiantassem para derrubar um simples sorriso. Uma pontinha de orgulho.
Nada aconteceu, nada inverteu a(s) situação(ões)... mas por um breve momento eu não precisei me espelhar no mundo para ser alguém. Eu me espelhei em mim mesma para que o mundo fosse algum.



►I cheated myself, like I knew I would...

quinta-feira, 11 de setembro de 2008

(imagine) Um bocejo

Tentei duas vezes. Da terceira resolvi admitir o fato de que não estou boa para escrever hoje. Tenho idéias que se desmancham antes que eu as conclua. Então decidi dançar a música, rir das piadas e deixar as lembranças irem embora da mesma forma que chegam.
Quando as pernas já não respondem à vontade e os olhos já não sabem o que está perto, o que está longe, o que está dentro, o que sequer está, ou é hora de dormir, ou dormir já não adianta mais. Eu estou precisando de um dia de ócio completo, sem absolutamente nada que eu tenha ou queira fazer. Meus fins de semana estão tão ou mais corridos que os dias de moradia acadêmica. E apesar da boa sensação de trabalho cumprido, me falta uma falta de ter algo em que me concentrar. Mas como eu sou eu, quando sentir que as conseqüências não serão tão severas, eu fabrico um dia extraordinário de, no máximo, leitura descompromissada e conversas verborrágicas com o cachorro.
E cheguei à conclusão de que estando no plural ou no singular, sempre haverá motivo para enxergar problema. A tendência para olhar para esse lado é o que importa na verdade. Mas é sempre assim. tem dias em que estou simplesmente miserável, merecendo um fim de existência ou um tapa bem dado na cara. Em outros eu volto a ser eu, ou o meu estereótipo de eu.


►Se houvessem palavras para acordes... melhor, para a sensação subjetiva provocada por um acorde... ouvir música pela música perderia o sentido. Algumas impossibilidades são melhores deixadas como estão. Isso só faz aumentar a minha paixão por música.

terça-feira, 9 de setembro de 2008

Pequena de idéias

Ela era pequena de idéias, se deixava responder às perguntas. Gostava de quem conseguia lhe arrancar um sorriso de surpresa. Mas nunca foi daquelas que abrem caminho pelos muros dos outros. Esperava que as portas fossem abertas a ela aos poucos. Esperava que a convidassem a entrar.
Quem sabe esteja aí o buraco que quebrou o pneu e atrasou a viagem.
Para que ela se sentisse bem consigo mesma, deveria ser outra pessoa.
Estava acostumada, mas nunca é bom ver de longe.
Ela era de muitas palavras volumosas, mas poucas palavras verdadeiramente verdadeiras. Ela conhecia intimamente o conceito de lágrima. E todos conheciam seu sorriso intimamente.
Ela era pequena de idéias, pequena de coragens.
Ela era grande de olhares disfarçados. Grande de medos vestidos de alegria.



►Pai, já ta chegando?..... e agora?.... e agora?

segunda-feira, 8 de setembro de 2008

O sol torrando o meu ser

De perto, ninguém é tão bonito assim....
Portas escancaradas se fecham também.
E eu sou resiliente ao meu próprio mundo.
Bons pensamentos voltaram, boas partes de mim.
Quando terminamos de montar um quebra-cabeças de mil peças, começamos a montar o de duas mil.
Eu consigo apagar imagens e sons... mas não consigo apagar os cheiros.
E mais um dia cheio passa. E mais uma vez eu dou um jeitinho.
Dias feitos de creme de leite. Homogênios e quase sem sabor... mas quem é que nao gosta de creme de leite? Com morangos então...
Que bom que ainda encontro morangos solítários pelas esquinas da minha vida para enfeitar o meu creme de leite.


►Às vezes, quando está muito quente, presto atenção à sensação de calor e o incômodo vira experimento. Me lembro da primeira vez que fiz isso: eu tinha oito anos, carro da minha mãe, voltando para Betim (quando eu lá morava) depois da escola, por valta de meio dia, o sol torrando o meu ser.

sábado, 6 de setembro de 2008

Abstração

Só para variar um pouco... queria ser procurada em vez de sair procurando.
Perceber que o sorriso é culpa do que vem de fora e não de dentro. Ter que me convencer que é verdade em vez de me conformar com o “podia tanto ser verdade...”.
É que quem é tão idealista assim vai sempre sorrir ao fechar os olhos por mais de dois minutos. Vai sempre procurar o impossível nas entrelinhas. Vai sempre entender o que quer entender. Vai sempre achar que o ápice ainda está por vir.
Eu fui hipnotizada. Algo foi além. Juntei aquele sonho com aquele pensamento intrahipnótico. E me lembrei, e me lembrei. E que saudade eu tenho de me sentir tão bem assim.


►A volta ao dia em oitenta mundos.

quinta-feira, 4 de setembro de 2008

Construção

Amou daquela vez como se fosse a última
Beijou sua mulher como se fosse a última
E cada filho seu como se fosse o único
E atravessou a rua com seu passo tímido
Subiu a construção como se fosse máquina
Ergueu no patamar quatro paredes sólidas
Tijolo com tijolo num desenho mágico
Seus olhos embotados de cimento e lágrima
Sentou pra descansar como se fosse sábado
Comeu feijão com arroz como se fosse um príncipe
Bebeu e soluçou como se fosse um náufrago
Dançou e gargalhou como se ouvisse música
E tropeçou no céu como se fosse um bêbado
E flutuou no ar como se fosse um pássaro
E se acabou no chão feito um pacote flácido
Agonizou no meio do passeio público
Morreu na contramão atrapalhando o tráfego

Amou daquela vez como se fosse o último
Beijou sua mulher como se fosse a única
E cada filho como se fosse o pródigo
E atravessou a rua com seu passo bêbado
Subiu a construção como se fosse sólido
Ergueu no patamar quatro paredes mágicas
Tijolo com tijolo num desenho lógico
Seus olhos embotados de cimento e tráfego
Sentou pra descansar como se fosse um príncipe
Comeu feijão com arroz como se fosse o máximo
Bebeu e soluçou como se fosse máquina
Dançou e gargalhou como se fosse o próximo
E tropeçou no céu como se ouvisse música
E flutuou no ar como se fosse sábado
E se acabou no chão feito um pacote tímido
Agonizou no meio do passeio náufrago
Morreu na contramão atrapalhando o público

Amou daquela vez como se fosse máquina
Beijou sua mulher como se fosse lógico
Ergueu no patamar quatro paredes flácidas
Sentou pra descansar como se fosse um pássaro
E flutuou no ar como se fosse um príncipe
E se acabou no chão feito um pacote bêbado
Morreu na contra-mão atrapalhando o sábado

Por esse pão prá comer, por esse chão prá dormir
A certidão prá nascer e a concessão prá sorrir
Por me deixar respirar, por me deixar existir,
Deus lhe pague

Pela cachaça de graça que a gente tem que engolir
Pela fumaça e a desgraça, que a gente tem que tossir
Pelos andaimes pingentes que a gente tem que cair,
Deus lhe pague

Pela mulher carpideira prá nos louvar e cuspir
E pelas moscas bicheiras a nos beijar e cobrir
E pela paz derradeira que enfim vai nos redimir,
Deus lhe pague


Chico Buarque



►Eu amo proparoxítonas e essa letra é genial.

Zero

Hoje a minha mãe me ligou pela manhã para tratar dos assuntos conturbados familiares de ultimamente e por fim me perguntou, já que eu estava em casa, por que não ia resolver as questões pendentes e aproveitar para levar o almoço dos meus avós. Eu expliquei que só tinha ficado em casa hoje e matado as aulas da manhã porque eu tinha um trabalho para entregar hoje (que por sinal, apesar da resistência para ler o texto e começar a escrever, me orgulhei dele!). E ela perguntou: “Minha filha, você não acha que está tentando abraçar o mundo com as pernas não?”. Eu disse “acho...”. A resposta: “então se organiza, porque ninguém consegue fazer tudo do jeito que você está tentando fazer não!”.
Eu tive que rir disso. E por que será que eu ainda tenho essa impressão de que não estou fazendo o suficiente?

A minha vida toda é um teatrinho. Hoje eu não senti nada de autêntico ou espontâneo em mim. Nada de original. Nada de verdadeiro. Eu sou a cópia da cópia, eu busco a aprovação de um mundo que parece sempre predisposto a desaprovar, como se eu devesse minha vida a ele.
Sinceramente, eu não acredito em quão patética eu estive sendo. Buscando motivos racionais para uma coisa que não tem a menor credibilidade. Para uma coisa simplesmente besta. E como eu vou me sentir mais patética ainda se a solução para essa minha agonia vier com o que eu estou pensando.
Poxa, até parece que eu sou uma Amélia da vida qualquer! Já passou da hora de eu aprender a me sustentar sozinha.



►mais um e menos um

quarta-feira, 3 de setembro de 2008

E ainda não

Eu tentei (re)começar a ler a droga do texto. Quando termino o primeiro parágrafo, percebo que estive refletindo sobre a sonoridade da letra F. Disso passei para uma contemplação breve de como se produz cada tipo de som misturando-se movimentos labiais, da língua e o cálculo exato da quantidade de pressão do ar a passar na garganta. Da segunda vez que tentei começar a ler o texto, minha mente recitava as silabas enquanto Vivaldi “cantarolava” como plano de fundo. Então resolvi ouvir a música de verdade. Foi pior. A tentação a fechar os olhos e prestar atenção unicamente aos meus ouvidos venceu. Na terceira vez resolvi que música não iria me ajudar em nada. Fiquei apenas eu e o texto sob a lâmpada amarela. Eu, meu texto, a lâmpada amarela e a sombra que a luz amarela acima de mim produzia: o formato da minha cabeça desenhado sobre o texto. Então meu caderno e suas cores, a minha mão virada e o lembrete escrito nela que me fez lembrar da situação da Juliana pedindo indicação de oftalmologistas bons em BH que atendam pela Unimed, eu escrevendo o lembrete em vermelho na mão esquerda. Eu me concentrando no texto do Figueiredo e apoiando a cabeça justamente na mão esquerda e, depois, a Tayane e a Juliana rindo horrores da minha cara e do lembrete em vermelho carimbado na minha testa.
Cheguei então à conclusão de que não conseguiria ler o texto. Um simples e inofensivo texto sobre ética. Deve ser só pelo fato de ter que escrever um trabalho livre demais e valendo pontos demais. A situação da produção do trabalho comprova o que vou escrever nele: a liberdade é um horror!
E o meu tempo está correndo. Arrumei várias desculpas para adiar esse trabalho mais alguns minutos. O banho, a janta, a conversa sobre os problemas familiares (que aliás estão ficando cada dia mais absurdos), a conversa sobre tudo e nada com a Lika... até escrever isso aqui... mas vou ter que aceitar o fato de que se eu não me concentrar nesse texto inofensivo, as conseqüências não serão nada inofensivas.

Estou experienciando um sentimento ínfimo de... noz. Imagine ser uma noz. Sinto-me assim!



►To the ministry of silly walks, please!