sábado, 4 de dezembro de 2010

Fuck

Eu não reclamo muito. Às vezes faço aquela voz chorosa reclamando do clima e do cansaço. Mas duvido que você saiba de toda essa merda acumulada dentro de mim que eu nunca deixo aparecer (a não ser que você seja o Humberto ou a Laila). Eu estou, na verdade sempre fui, verdadeiramente sozinha. Cresci e aprendi que eu deveria sempre pisar em ovos para evitar o que no final das contas sempre acontece: violência. Eu sou uma desgraça de uma submissa, não consigo unir a pontas pra levantar e botar alguns limites. Na verdade todos. Eu devia era botar todos os limites de uma vez. Mas medo me paralisa. Quando não estou chorando, estou lendo alguma fantasia que me faça sentir como uma criança que pode fugir do mundo físico. Quando não estou com dor de cabeça, estou rindo de algo idiota que falei ou ouvi de alguém. Quando não estou masoquistamente me remoendo, estou sei lá, desperdiçando meu tempo com alguma porcaria na internet. De que adianta pensar que são alguns dias e depois tudo volta ao normal? Eu cresci e aprendi que um mínimo deslize meu significa SEMPRE um abalo sísmico. Cara, essas coisas provocam feridas e eu acumulo feridas. Aprendi a guardar rancor. Ninguém aqui está a fim de crescer porra nenhuma. Contanto que todos façam seu chilique e causem impacto. Seria eu a única pessoa a fim de mudar isso aqui? Eu chego a achar que nem isso. Porra, mas nem sabendo o que fazer eu tomo vergonha na cara e faço! Eu sou uma covarde, de marca maior!



►Nunca estive tão anti-romântica... Onde está a diferença entre culpa e responsabilidade?

sábado, 6 de novembro de 2010

Nudez.

Sabe, eu geralmente passo muito tempo pensando, me preocupando com o que pode me vir pela frente e me vitimizando diante de tanta imprevisibilidade. Às vezes eu chego a me irritar com isso: eu fico bem chata de vez em quando.

Sim, eu ainda faço isso. Essa não é uma declaração do tipo “olhe como sou uma pessoa melhor agora”. Mas como é bom uma vez ou outra experimentar aquela tal nudez psicológica que eu tanto desejo. Apenas ver as coisas como elas são. E o que elas são é puro caos e sorte e.... bem, muita sorte!

É muito fácil viver na rotina. Não requer esforço, não requer sequer a menor consciência do que se está fazendo. Ontem, ou foi outro dia, você me disse que a felicidade vem com um preço: a infelicidade. Mas eu acho que acredito no oposto. É na miséria de ser quem somos que podemos encontrar alguma paz.

Eu sofro um pouco todo dia. Sempre foi assim desde que resolvi ser alguém por mim mesma. Alguns dias são mais difíceis. Alguns dias eu separo para viver a inércia e descansar a minha reflexibilidade crítica. Tem dias que precisamos de um tempo de ser.

E as horas passam. E eu por aqui, conversando com essa nova eu que você fez surgir. Ela me faz lembrar da sua presença... e da presença de sua ausência.

Sabe... eu gosto de você! Em um nível interessante: adoro quando isso acontece! É você pessoa para além de você você. Um conceito confuso, mas acho que você me entende. Você tende a me entender.

E cá estou eu, falando além do que poderíamos chamar de discreto ou reservado. Mas quer saber de uma coisa... eu não estou nem aí! Hahaha Eu apenas gosto de materializar esses sentimentos que me vêem no meio do nada enquanto faço o que há de mais inútil e improdutivo.

Agora vou voltar às minhas leituras fantasiosas enquanto espero a sua volta.



►Acho que sou sonâmbula...

segunda-feira, 18 de outubro de 2010

Namorados

Várias vezes na vida, a frase “mas isso não vai acabar nunca?” me veio à mente. Acho que eu vivo o tempo de forma diferente. Cada dia em que algo se repete representa a eternidade de cada repetição, a intolerância de sequer alguns segundos revivendo o não vivido.

As minhas coisas ainda estavam jogadas pela bancada. Os textos e livros ainda não lidos. As tarefas ainda não feitas. Eu vivendo as lacunas primeiro. E então as lacunas começaram a me mostrar que eu não as estive preenchendo. Eu não estive fazendo a vida.

Me perguntei quando vou largar desses dias inertes, quando vou mergulhar na liberdade.

Mas nem tudo foi perdido. A vida dá voltas e mais voltas e tantas voltas. E eu ainda acordo num belo dia e vejo que o tempo realmente passou, que o desejo realmente se realizou, que meus sentimentos mudaram, que nada é o que estava sendo na repetição eterna. Que agora há novos sentimentos, novas idéias, novas vontades... um novo rosto.

Hoje eu acordei sorrindo. Porque agora há algo novo, algo bom... algo que me desafia a crescer. Hoje eu acordei atemporal. Pois hoje não tive medo. Eu vivo sob preceitos de Vinicius: que seja eterno enquanto dure.


►A lua apareceu para nós, só naquele momento... porque assim devia ser. E quando ele me perguntou, a resposta já estava dada. Acho que ele já sabia. O sorriso foi inevitável. E agora há um nome para o que somos: namorados.

sexta-feira, 8 de outubro de 2010

Do you?

Não sei por que, mas luto. Luto sem causa porta afora. E luto sem perceber. Pra que lutar contra aquilo que eu busco, pra que lutar contra o que é bom?

Eu tenho medo, a maior parte do tempo. Medo de qualquer coisa, instabilidade. Medo de não ser amada, mas também medo de ser. Medo de estar parada. Eu me afeto mais fácil do que gostaria. Mas também me mantenho distante.

Eu não me mostro a você tão fácil assim. Às vezes, no entanto, me mostro sem perceber, e sem querer.

Eu me assustei, verdade. Não estou acostumada com a vida dessa forma. E hipocritamente, eu também me preocupei com sentidos e futilidades.

Mas para que lutar contra algo que eu quero?

Acho que é o medo do espelho.

Ora, mas eu não mereço ser eu mesma? Tenho que me lembrar daquela lição.

Eu estou apaixonada. E o peso dessas palavras me comprime e me expande. E cada dia que passa é uma nova vida que chega.

Imagine querer muito algo. Querer tanto que o temor de não conseguir te faz duvidar de tudo, até de si mesmo. E, de repente, isso que você tanto quer explode à sua frente e se oferece de inteiro. É assim que me sinto.

E agora, escrevo sem rumo. Escrevo sobre sentimentos que me invadem pelos lados, raramente de frente. E descubro aos poucos o turbilhão que há dentro de mim e o que fazer com ele.

De repente, um novo fato: eu já estou indo. E meu mundo já vem vindo. E o encontro está aqui.



►Verborragicamente....

domingo, 26 de setembro de 2010

E eu sorri.

Eu insisto em dizer que o mundo, o mundo tem sua beleza. Essas coisas que nos pegam no pulo de vez em quando e nos derrubam no chão... é nesse momento que sua vida muda de vez. Às vezes espero mudar a vida de mais alguém que pula comigo.

Tem muito tempo que não passo por aqui, nem ao menos organizo pensamentos em forma verbal. Essas últimas duas semanas foram a contestação do desequilíbrio equilibrado. Chego até a pensar em uma ordem mística para o universo. Passam-se meses de marasmo e, de repente, desastres e alegrias tamanhas entram pela porta como uma manada desgovernada de antílopes africanos (metáfora altamente influenciada por ter assistido Rei Leão recentemente).

Mas hoje quero pensar sobre a parte, digamos promissora. Eu escuto promessas não pronunciadas. Na verdade eu tenho medo. Medo de pular mais uma vez, e mais uma vez descobrir tarde demais que não tinha uma almofada lá em baixo. Sabe aquelas feridas contínuas que as desventuras em série de sua vida vão deixando? Para um behaviorista isso é mais que claro: é mais difícil dessensibilizar que criar um medo. Eu tenho medo de estar sozinha, e na verdade todos estamos. Não há ninguém que possa compartilhar de minha experiência. No máximo poderei viver algo com alguém que terá uma experiência própria a partir disso. A única coisa que podemos compartilha é o tempo. E uma coisa que já me deixa muito feliz é que alguém me ofereça o seu tempo, a sua presença.

Com tantas coisas para pensar, até este momento não tinha parado para refletir sobre aquele momento por ele mesmo, e não pelas antecipações, medos e ansiedades que o envolveram. Parei e me vi ali, nos vi. E vi tudo que havia em volta. E aquele tempo, ou pedaço de, foi como... foi. Nada melhor que uma experiência que não se pode botar em palavras.

Penso também na contradição. No meu pulo, na minha provocação. Na forma como respondo à lacuna que ficou, lacuna essa em que não faltaram sinais e significados, mas não houveram palavras. Eu vou e dou um salto, sem perceber que já tomei uma postura diante do meu medo. É isso que sempre faço. Eu não ligo. Eu não ligo para ter perdido antes. Por um momento, eu ganhei. Ganhei a chance de compartilhar um pedaço de tempo.

E isto que sinto agora... vale a pena errar pela vida e perder todas as vezes. Eu sempre disse que não sei jogar esse jogo, e não sei mesmo. Porque acredito que para viver de verdade, você tem que perder... toda vez!

Espero, espero mesmo e não tenho mais medo de esperar, que eu possa ganhar muito mais antes da próxima derrota!


►livre?

quarta-feira, 25 de agosto de 2010

Fome de dor e verdade


Estaria eu com fome? Agora, à exata meia noite. Depois de um dia irritante. Depois de enrolar algumas pessoas para não perder o costume. Agora que tudo virou silêncio e eu já não quero mais devanear pelos meus devaneios. Será que isso é mesmo fome? Ou seria a fúria? A falta de coisa alguma. Aquela incoerência que explodia na minha cara hoje mais cedo. A fuga da adaptação como forma de tentar ser aceita pelo mundo. A contradição inerente à existência...? A busca pela ignorância que nos protege da dor e da verdade. Ou pode também ser sede. Acho que tem água por aqui, em algum lugar. Na verdade queria mesmo é um rosto. Não é qualquer rosto. É um específico. Mas queria também as coisas que estão ligadas ao rosto. Acho que só um rosto não seria lá tão interessante. É... capaz de ser fome mesmo.



► I’m ignorant still...

terça-feira, 24 de agosto de 2010

Dispersão não sistemática


"Retroflexão

O quarto mecanismo neurótico é a retroflexão, que significa voltar-se de forma ríspida contra. As pessoa retroflexoras voltam-se contra si mesmas e, ao invés de dirigir suas energias para mudança e manipulação de seu ambiente, dirigem essas energias para si próprios. Dividem-se e tornam-se sujeito e objeto de todas suas ações e passam a ser o alvo de seu comportamento.

(Um dos mecanismos de defesa neurótica segundo a Gestalt-terapia)


A vida anda mudada, mas eu ainda sou essa aí. Retroflexora assumida.

Quero pra ontem coisas que estão demorando demais, mas não sei tomar as rédeas disso e simplesmente dizer o que tenho sentido. Não quero me esforçar por algo que está se revelando nada a ver comigo, mas eu fiz um compromisso. Cobro demais de mim mesma coisas que na verdade ninguém deveria resolver sozinho. E assim vou seguindo, convertando tudo que deveria estar canalizando para mim mesma. Não é a toa que quando chega aquela época do semestre em que tudo fica complicado eu começo a somatizar. Meu corpo mesmo não consegue sustentar tanta pressão.

Mas coisas boas têm acontecido. Tenho me apaixonado a cada dia pelas pessoas. Há algumas deveras especiais por aí!

Uma professora, supervisora de estágio. Foda no que faz, experiente, linda de coração, calorosa, extremamente humana sem deixar de ser profissional.

Um aluno. Maduro além da idade, inteligente, parece alheio a esse mundo maluco onde os adolescentes vivem ultimamente.

Uma nova colega de trabalho. Alegre, fala muito rápido, me lembra a Amanda Palmer. Não pela aparência, mas pelo jeito de falar, pelas expressões faciais e pela sensação que me passa de “fuck it, I’m happy”!

Um novo amigo. Se parece comigo em quase tudo, mas difere em pontos cruciais. Uma pessoa de opinião forte e com vontade.

Eu destaco as pessoas do fundo sempre pelo mesmo motivo. Percebi essa constante: identificação. É como se sentisse uma corda de energia me conectando às pessoas e essa corda é feita muitas vezes de semelhanças. Quando me enxergo em alguém, eu me apaixono. Narcisismo?

Estou falando sem rumo? Acho que sim né? Eu tendo a fazer isso. Estou com a imagem dessas pessoas pairando na minha mente. Tem mais imagens de outras pessoas, várias pessoas...

Bem, aqui estou eu, não dormindo. Pensando em como inspiração não é pra qualquer hora. E como agora é um momento ótimo para não ser criativa ou poética.

Gosto de ter de vez em quando um dia para não ligar a mínima. Para desligar o celular e esquecer qualquer coisa por algumas horas. Podem não ser horas longas, mas são cruciais. Acho que vou agora para aquela outra dimensão onde tempo não existe.



Tricky concept...

quinta-feira, 12 de agosto de 2010

E aí...?

“Quer um conselho, amiga? Parte por ataque que a coisa fica boa!”

Não pude evitar de rir dessa frase que um grande amigo soltou durante uma animada conversa por telefone. Mas também, conversa animada é sempre... até falando de, sei lá... como a vida é uma merda. Porque às vezes ela é mesmo...

Ultimamente, porém, as coisas estão tão... frescas e interessantes que parece que estou com um novo espírito. Até nas minhas inseguranças tenho estado de bom humor.

A faculdade está indo bem, apesar de aquele povo do colegiado me amar tanto que não querem que eu me forme e saia pelo mundo caçando a minha vida. Estou sentindo aquela empolgação meio hiperativa quando entro na sala para uma aula interessante. Nesta semana alguns dos melhores momentos foram quando estava lendo os textos indicados pelos professores para discussão em sala. Claro que ao mesmo tempo já bate um embasbaquecimento junto com a nostalgia antecipada. Cara, estou quase formando... e agora? Mas já foram cinco anos??? E as pessoas... vou sentir saudade disso aqui...

E eu tenho planos... não que eles sejam algo definitivo, essa nem é a intenção. Mas eu sempre soube bem que gosto da segurança de saber que quero alguma coisa concreta da minha vida. Por mais que na prática eu muito provavelmente não vá seguir isso, ou até vá, mas desista no meio do caminho.

Outra coisa recorrente nos últimos dias: tenho estado mais crítica que o normal. Isso é divertido, mas admito que eu mesma me irritei com isso há pouco tempo. Foi algo como “mas que saco, para de reclamar, carlisle!”. Por isso tenho me identificado até com um certo jeito de falar, mais incisivo... ou será canino... pré-molar?

Esse semestre promete coisas boas... e desafios... daqueles bem grandes. E, pra variar um pouco, acho que vou tentar dar um aproach mais radical às coisas. Como a questão do dinheiro, sempre um problema para mim. Eu simplesmente não o gasto mais! Mas claro, preciso economizar para conseguir ir a São Paulo em novembro para o Planeta Terra (pausa para empolgação histérica... ok, podemos continuar) e tenho que pagar algumas dívidas que ainda me faltam. Mas não vamos colocar o carro na frente dos bois. Primeiro de tudo é vestir a cara de pau e, como diria meu querido amigo, partir pro ataque!

Mas e naquele outro campo? Aquele evitado ou até apagado nos últimos tempos? Bem, está tudo tão blé... de duas uma, e estou tendenciando para a segunda. Mas veremos... taí mais uma grande chance para a famosa cara de pau.

Enquanto isso, no lustre do castelo, continuo por aqui, alimentando meu arsenal de cultura inútil e diversão improdutiva! Hasta!



E por onde será que anda toda aquela gente do meu passado?

quarta-feira, 11 de agosto de 2010

Niilismo miguxo... ou será que não?

Presa em uma espécie de situação não-sei-que-merda-faço-agora. Encurralada entre uma série de medos e inseguranças e vontades e dúvidas sobre as tais vontades. Afinal, o que seria a vida se não isso aí? Mas a ironia é uma beleza...

É algo que estava discutindo com uma amiga hoje mais cedo. Não existe um universo inteligente, com intencionalidade que planeja coisas ou que sequer se vinga ou demonstra carinho para com alguém (sim, estou falando que deus não existe... mas isso é só uma herege qualquer expressando suas opiniões altamente irrelevantes... why bother?) . bem, sou adepta do acaso. E sou adepta de algo bem grande... tão grande que não conseguimos conceber. Se algum dia conseguirmos tal proeza, já diria Douglas Adams, o universo será automaticamente substituído por algo ainda mais grandioso e complexo.

Mas eis aí meu argumento. Se é intencional ou ocasional, não faz a menor diferença. O fato é que passo anos em busca de algo que, quando encontro, quase que instantaneamente (se formos fazer uma comparação de dias com a idade do universo, digo) puff... não, não o ursinho... o barulho que algo faz quando implode no ar. Puff... já era. Ou será que já? Ainda estou esperando. Em comparação com a idade do universo, o que é esperar alguns dias, não é? Mas não me peça para esperar mais que alguns... também não sou paciente assim. E vamos encarar os fatos, não gosto e não sei como lidar com a frustração dos desejos até bem conscientes...

Hoje estou me sentindo num clima meio revolts ironizado. Pelo menos a energia vital está em alta. Nada como falar mal de algo que te incomoda em alto e bom tom. Também nada como amigos... não aqueles que riem com você... aqueles também, mas mais importante ainda, aqueles que riem de você quando você está na merda e que, por alguma razão oculta e mística inacessível até a deus, seja lá quem esse tal de deus seja, você ainda o ama e pode chegar a amá-lo ainda mais por justamente.... isso... tudo isso sabe? Essa coisa toda que estamos fazendo aqui nessa dimensão espacial física onde energias colidem e se atraem e disso extraímos sensações subjetivas bem... humanas...

É, quarta-feira é um bom dia.


Broxante...

terça-feira, 10 de agosto de 2010

Já acabou?

Às vezes eu sinto muito, mas sou convencional, tenho planos clichês, sou apegada às coisas, me envolvo com as pessoas e eventos da minha vida de forma retorcida, tenho expectativas, sou dramática, me desespero, como demais, sou vagabunda quando o assunto não me interessa, cobro demais de mim mesma, sou exibida naquilo que penso ser minha qualidade apenas para ganhar elogios, me acho inteligente demais, deixo planos de lado, não tenho coragem para fazer o que realmente quero.

Em um momento de hipotética frustração, vejo todas essas coisas aflorando ao mesmo tempo. Algo mais que tenho é o péssimo hábito de investir esperanças demais em minhas fantasias. É tanta fuga da realidade que ela me desestabiliza.

Tem dias em que tenho pressa. Quero tudo para antes de ontem. Vivo demais na expectativa do futuro.

É difícil quando percebo que não vivo o que eu acredito. Que sou torta, que defendo na fala algo que não demonstro na ação. E se fosse fácil, acho que nem esse blog existiria. Eu provavelmente não seria quem eu sou.

Fico me perguntando então, quem seria eu? Se eu tivesse passado na prova do CEFET quando tinha 14 anos... se não tivesse me paralisado pelo medo quando me apaixonei pela primeira vez, se tivesse dito sim naquele dia... se não tivesse trocado de vida em primeiro lugar.

Quando eu era bem pequena (eu não me lembro disso, tinha apenas três anos de idade, mas minha mãe me conta essa estória desde quando posso me lembrar), num belo dia de sei lá qual estação, eu estava brincando pelo terreiro quando minha mãe me perguntou “Paula, por que você demorou tanto para vir?” (desde que meu irmão tinha nascido, meus pais tentaram engravidar por cinco anos até eu finalmente aparecer). E eu respondi com aquela típica expressão de tédio das crianças, como que dizendo “que pergunta idiota...”: “é porque antes de vir eu fui para outra mãe, mas não deu certo. Só que agora não vou mais trocar de mãe.”

Essa estória é uma das coisas que sempre colocaram minhoquinhas na minha cabeça.

Estou falando livremente... sem saber onde vou chegar. É mais ou menos assim que levo as coisas. Acho que estou sempre improvisando, mas esse não é o problema. Não faço isso sem sempre me preocupar com as terríveis conseqüências de não ter um plano. De não já estar no meu caminho. Acho que eu deveria levar a vida mais como levo um desenho. Ou como levo um texto. No futuro é quando posso realmente observar a beleza daquele momento.

Mas por que não posso ir além? Por que não posso apreciar a beleza enquanto estou vivendo nela, dela... ela?


Algo que escrevi em um momento que passou:

"Muito bom estar aqui com você. Ali vai a nuvem que nos trouxe a existir. Ali vai o sol. Ali se vai noite afora adentrando meu cansaço. A luz se faz em relâmpago agora. Agora tudo é som. Esqueci de flutuar por alguns anos, mas agora, tudo é bom. A vida me enganou quando me encarnou. Não sou de carne e osso, sou de gente, sou de cor. Somos mais um espaço em calor. O que nos torna dois, já não sei. Sei que não somos ao outro o que o outro espera. Não somos a nós mesmos espera do outro. Somos dois. E a luz que vem põe um fim ao intervalo que criamos. Acabou o recreio. Chegou o dia que vem. E parece que o mundo voltou ao normal. Te vejo no próximo hiato. Até lá, guardo palavras."



►E agora? De volta ao zero?

quinta-feira, 5 de agosto de 2010

We may... or may not...

It’s been a while.

Since I became mortal, since the world came to be.

Since I’ve been in love. Since things were so damn complicated.

Now I see myself sitting, waiting. For something exciting. But somehow I feel like the excitement is actually on the waiting.

Now I start having these thoughts.

Growing is kinda hard.

But in some way, I enjoy this. Being uncertain. Expecting. Taking a chance at something.

It’s been a while now…

Could you come? Have a sit or whatever… I’d sure like the company. Or maybe I want more than that. But what do I actually want here?

I feel connected somehow. I feel something else.

I want to… I don’t know, have… be… see… know.

Are you still with me?

At all?

Could you just… verb?

Being alive is a lonely condition. We lonely stay together... it’s all part of existence, anyway.

Headache today…

Sometimes I just don’t want to make sense. I don’t always have to connect the strings!

And for now, I’m happy not being anyone.

I could say I’m a feeling… that something may… or may not… happen today!



►Do I sound like a crazy person to you...? oh well... things are the way they are!

quarta-feira, 4 de agosto de 2010

Apenas sinto

O todo é maior que a soma das partes.

Eu sinto saudades,

E falta.

Como juntar um mais um para formar uma pessoa?

Medo... de que tudo acabe em zero. Fujo do nada como de algo concreto.

Quero que me ames de vez em quando. Não precisa ser o tempo todo.

Poderia fazer tudo tão melhor...

Tenho vontade de gritar ao mundo, do mundo, pelo mundo, como mundo... sem ele.

Quero ser mais, mas não sou algo todo, algo tudo.

Há emoções flutuando ao meu redor.

Não tenho fronteiras. Convido-te a entrar quando não te quero dentro.

E quando quero... já não sei como convidar.

Queria a mim antes de tudo. Queria ser o espelho de mim mesma.

Conceitos...

Para que me provar digna?

.......................

Olha! Adoro aquele ator!



►pandemônio...

segunda-feira, 2 de agosto de 2010

Quem sabe....

Atualizar é como pegar algo que sempre esteve ali e olhar de um jeito diferente. Acho que é isso que sempre fiz. Acaba que sou sempre a mesma diferentemente sendo.

Há tempos não sentia essa quase insegurança... o que estou dizendo? Total insegurança! Esse friozinho na barriga. Algo como expectativa.

É claro que a vida continuar uma chatice total! Se assim não fosse, não seria. Digo pela rotina: algo forçado em nós e que não faz o menor sentido, com o qual perdemos a humanidade, mas sem o qual perdemos a condição de sermos humanos uns para com os outros. Algo como segurança.

Apesar de pensar sobre as coisas e tentar escrever sobre os pensamentos, acabo descobrindo de vez em quando que não penso no essencial. Não atribuo sentido a essa cascata de fatos. Acho que fenomenologiso pouco os meus dias.

O sono se foi... as coisas estão dando certo demais para eu dormir. Amanhã, obviamente, as coisas darão muito errado como conseqüência desse fato, mas.... a vida é assim. E quanto menos rotina, mais e menos humana me torno... lembre-se sempre que quanto mais queijo, menos queijo!


►And now....?

quarta-feira, 28 de julho de 2010

Desabafo

Como será não ter nada? Livros para ler, pessoas para brigar, lugares e responsabilidades... como será não ter nem o que lembrar? Ultimamente tenho estado num estado gradativo de estresse. Tem as causas clássicas: trabalho, decisões, faculdade, os meus desafios psicológicos de sempre... mas o que mai tem comido a minha energia é a situação que me envolve em casa. Minha avó tem Alzheimer e chegou a um estado muito avançado. Atualmente ela não quer mais comer, tomar banho, tomar os remédios, beber líquido, ou sequer se levantar da cama. Se deixássemos ela de lado, ela entrava em estado vegetativo. Mas nos continuamos tentando. E cada vez que tentamos dar banho, comida, água ou remédio, ela começa a gritar, chorar e a bater na gente. Outro dia ela tentou me morder quando segurei o braço dela para não me bater. Depois ainda se surpreendem quando me vêem chorando quando isso acontece. É impossível separar isso tudo das lembranças de tudo que vivi com ela antes de ela desenvolver a doença. Ainda temos que lidar com o meu avô que não apenas é um idoso sistemático e digamos bem chato, acredita fielmente que essas coisas que ela faz é resquício da implicância e marcação que ela teve com ele durante toda a vida deles. A situação toda é um bolo de sensações e mágoas e medos e raivas... Mas enfim... Nós continuamos tentando...

E eu me pergunto às vezes... não é algo bonito ou confortável de se perguntar, mas para que continuar tentando, se nada mais gera resultado positivo? Não tem mais jeito...

Isso se chama exaustão... estamos todos nos esforçando além do que achávamos que era nossa capacidade, tendo que lidar com o impossível todos os dias, sentindo impotência e pessimismo e tudo por algo que não vai se curar.

Imagino que muita gente passa por esse tipo de coisa. E uma coisa é certa: cuidar de alguém com Alzheimer não é fácil!

Enfim... como mais vou conseguir passar por isso com sanidade se não desabafar, não é?


►onomatopéias....

sexta-feira, 23 de julho de 2010

Little more Phoebe...

Como é que você faz quando começa a sentir preguiça da terapia? E isso é realmente uma pergunta que me intriga. Eu não sei como se faz!

Agora estou finalmente de férias (se é que posso chamar de férias os efêmeros 12 dias que a vida me concedeu para poder ter a chance de me estressar dentro de casa...). Mas também não vou reclamar demais. Nesses dias de “férias” já pude ir a São Paulo e descobrir que eu estava vivendo em uma vida sem graça até conhecer São Paulo. Moraria por lá sem que precisassem me pedir a segunda vez! Também reencontrei uma amiga minha de infância, que já não via há três anos e atualmente está morando em São Paulo... uma boa idéia que nasceu disso tudo foi realmente ir para lá e dividir um apartamento com ela... mas do jeito que as coisas estão, nem tão cedo!

Estive tentando ler nesses dias folgados. Mas eu ainda não desenvolvi a habilidade de ler um livro em uma hora. Se fosse assim, aí sim conseguiria eliminar toda a minha pilha de livros a serem lidos antes de voltar à rotina louca de sempre. Uma vez minha irmã disse algo que traduz muito bem esse pensamento: meu sonho é poder ler os livros na mesma velocidade em que os compro!

Estou em um clima de preguiça generalizada... finalmente podendo me levantar depois das dez da manhã!

Essa semana me deparei com aquela famosa situação aproveite-as-oportunidades-que-te-aparecem. E resolvi apostar em algo que pode ou não me dar muito dinheiro. Tudo vai depender de eu superar mais um dos meus bloqueios bobões... na verdade todos se reduzem a um só: limite. Saber estabelecer limite ao outro, ou em outras palavras, desenhar uma fronteira ao meu redor e me manter firme nela. Sempre foi tão fácil para as pessoas penetrarem o que quer que seja isso que estou metaforizando como uma fronteira...

Percebi que adoro usar reticências...

Como será a minha vida daqui um ano... ou dez? eu gosto de acreditar que ela é tão imprevisível quanto pode ser. E até agora ela tem mesmo sido. Mas sabe aquele sentimento de “eu poderia ser um pouquinho mais Phoebe”? Mas dispenso o cuspe de um cafetão, ou dar a luz aos filhos do meu irmão... rimou.

Texto verborrágico, não? Algo como uma memorável comunidade do C!: Mudo de assunto, gosto de azul

Ah e como poderia me esquecer de divulgar uma coisa magnífica que descobri recentemente? Bo Burnham! O mundo deveria conhecer esse moleque! Ele tem 18 anos de idade e é um comediante americano. Escreve músicas com letras “offencive”! Uma das melhores músicas:


video



Então vamos lá... hoje, em plenas férias, tenho que ir ao hospital para terminar de corrigir testes que vagabundamente não corrigi antes. Pelo menos esse fim de semana pode ser bem divertido... ou como diria o Cosmo: “Oooou será que nããão?”



►Love is all about whistles!

quinta-feira, 24 de junho de 2010

Tá lento....

Se tenho vários talentos, ter talentos pode ser um deles. Também sou boa no talento dos trocadillos... Mas um deles eu não consigo tê-lo. Não sei palavrear. E se palavreio, faço isso muito errado. Até me divirto errando deliberadamente. Inventamos uma língua errada que serve para falar das coisas erradas. Até mesmo das coisas erradas da língua. Outro talento meu é o de dar voltas em volta de voltas.

Mais um talento que não tenho é o de me impedir. O de reprimir minha vontade de acabar com as vontades. Auto-controle não aparece nem fantasmagoricamente no meu Rorschach. Alias, não sei... outro talento que não tenho é o de levar meus estudos a sério. Correção, eu levo a serio, mas não tenho o talento dessas pessoas levemente irritantes e esforçadas. Eu gosto de avacalhar os caminhos certinhos demais. E não sou eu mesmo enquanto não estiver apertada contra a parede com um prazo de horas para entregar um trabalho ou decidir coisas grandiosas e existenciais.

“às vezes acham que psicoterapia é uma fraude”. Acabei de ouvir essa frase. Estou escrevendo de dentro do SPA (Serviço de Psicologia Aplicada da UFMG)... agora vivo aqui. Descobri que não gosto de neuropsicologia mesmo e não pretendo fazer isso nem por mais alguns meses, quem dirá pela vida. Por isso resolvi mergulhar na clínica e assumir meu futuro de carência monetária.

Agora preciso resolver mais algumas coisinhas da vida. Esse semestre não acaba nunca e eu estou estressada. Já começo a ter reações somáticas. Não paro de tossir tem uma semana e fui atacada por alergias no corpo praticamente inteiro. E lá vou eu, me dirigir para uma das causas das minhas somatizações histerias: o trabalho! Oh god.... I HATE that place!



►Na falta de talentos, me viro com prestígio mesmo....

quinta-feira, 17 de junho de 2010

Rédis, pertinho!

Você está muito mais próximo das pessoas do que imagina! Sem mencionar viagens da física nem nada. Quero dizer emocionalmente.

Nos últimos dias foram algumas coisas que impactaram o meu vir-a-ser “espírito”. Eu dirigindo até a casa da Bella, minha amiga, para tentar consolar de alguma forma (o seu avô tinha morrido no dia anterior e ela estava muito triste). O sentimento forte que tive de fragilidade e empatia e dor... alguns chamariam isso tudo de compaixão. Eu chamo isso de chorei-horrores-porque-eu-sou-gente. Me fez pensar em humanidade. Reformulei muitas idéias que tinha sobre Rogers e essas frases manjadas do humanismo de que o ser humano é essencialmente bom. Cheguei a ver isso tudo de um ponto de vista tão diferente do que já tinha feito antes que agora minha visão da psicologia toda está mudada! Não é que todo mundo é bom. Nesse mundo doido, quem for bom o tempo todo tá fudido ao cubo. Mas tenho uma nova impressão de que isso não é bom. Digo subjetivamente... acho que isso não traz satisfação, auto-realização... felicidade. E acho também que em breve isso vai deixar de ser adaptativo. Onde todo mundo mata para sobreviver e todos morrem, a surpresa mesmo vai ser quando alguém salvar alguém.

Outra coisa foram os olhos das pessoas (uma mais que as outras) quando ficaram sabendo que meu cachorro havia morrido. Na maioria das vezes, fazer contato visual é uma coisa íntima demais... e nesses poucos dias eu percebi coisas íntimas de várias pessoas. Meu avô me deu um conselho... essas coisas que gente velha e vivida fala com medo de estar dando palpite, mas querendo te ajudar num momento difícil que ele já viveu antes... essa coisa toda. E ele está certo, como eu sabia que estava quando ele me falou: se a vida fosse uma conta bancária, a melhor escolha que você faz é por um cartão de crédito em vez de um de débito.

A terceira coisa foi a reação da minha mãe... toda a sinceridade e arrependimento dela. Depois de um tempo, quando passa infância e adolescência, você percebe que seus pais são gente, quinem todo mundo, que faz merda e está errado a maior parte das vezes. Mas acho que é por isso mesma que eu me senti mais próxima dela nesses dias. Porque ela não tentou ser algo sobre-humano etéreo superior que não se afeta. A melhor forma que ela encontrou para me ajudar foi sofrer junto comigo, e isso eu achei do Carlisle!

Bem... saí do balanço da semana também com algumas pendências. como algumas pessoas têm prioridades estranhas. No momento eu sempre sou atacada pela minha compulsão a ser perfeitinha para ser mais amada. Depois, com reflexão, é que vi que isso me chateou um pouco. Por mais que eu saiba que isso ficou bem entendido... mas ainda há muito pano pra manga. Já outra coisa estranha é como algumas pessoas fazem questão de provocar, criar clima, trair sacanamente... eu me incomodo com esse tipo de coisa porque, aí sim, passo a acreditar no sadismo puro... fico indignada. Mas eu tenho tentado me resolver com a minha indignação e com a minha agressividade. Não sei se vou conseguir responder a pergunta do Rogério direito... nem consegui pensar nela direito. Mas isso também faz parte da coisa toda.



►Eu, gripada até nos ossos, assistindo o jogo do braZil e comemorando: GOOOOOO-O-COFFF COFF COFFF

quarta-feira, 16 de junho de 2010

Il est mort..

Eu geralmente tento não pensar demais sobre morte e, conseqüentemente, sobre suas conseqüências. Mas deixando de lado a minha própria morte, vamos pensar na morte dos outros. Ver a morte me faz perceber que o fato de eu estar viva se deve ao puro acaso. Sim, voltei à minha. É uma espécie de ciclo.

Essa semana o meu cachorro morreu. O Doug. Ele pegou cinomose, uma doença viral que ataca o sistema nervoso e aos poucos causa paralisia muscular sem contar outras seqüelas tristes, gasturentas e bastante doloridas. Ao ver ele sofrendo, chorando enquanto dormia e tendo espasmos musculares, eu fui empurrada contra a parede. Eu tive que decidir se meu cão ia morrer no dia seguinte ou em uma semana. De qualquer forma, eu ia perdê-lo. As chances de ele sobreviver eram quase negativas. E eu, com o coração apertado na garganta, decidi sacrificar ele para ele não ter que passar pela dor muito maior que viria com o próximo estágio da doença. Agora, o mais doído disso tudo é me sentir a responsável pela morte de algo que eu amo.

Houve um momento em que fui me despedir dele. Eu sabia que nunca mais o veria depois daquilo. E não sei como me segurei. Isso tudo pode parecer frescura para muita gente, mas o meu Doug significava algo para mim que eu nem consigo descrever com palavras.

Essa situação toda é uma bosta. Minha mãe inconsolável por não conseguir me consolar... todos medindo palavras para falar sobre cachorro perto de mim... e eu vendo aquele espaço vazio toda vez que entro em casa e a almofada, a vasilha de água e a pilha de remédios não estão ali...

Acho isso tudo uma sacanagem... ele era filhote.

Mas, enfim, por mais que eu tente me convencer de que eu não acredito em nada, acaba que eu acredito sim... ou quero acreditar. E se tudo der certo, quando for a minha vez de morrer, não vai ter apagão nem nada dessas minhas viagens macabras...



►CAR##$@@¨#$%$%##@&*¨&*&*&*(*¨%$#@&!

quarta-feira, 9 de junho de 2010

Ali pela região do chakra do plexo solar.



Gosto de me separar da opinião geral das massas na psicologia da UFMG. É bom evitar esses pensamentos confluentes e seriamente patologisantes que as pessoas adotam por lá. Sinto muito, mas eu gosto do Louis! Achei milagroso, mas a influencia dele está me fazendo pensar em espiritualidade, em cosmicidades e, curiosamente, mecânica quântica! Além de ter completamente entrado na onda dos chakras, yoga e coisas zem. Oh meu deus, estou virando, sei lá, algo muito diferente!

Completamente mergulhada em gestalt-terapia. Adorando psicologar quinem gente grande! Claro que com alguns problemas de memória e de experiencia mesmo. Mas estou mais do que nunca me sentindo bem com o pensamento de que estou aprendendo fazendo. Acho que com menos medo agora.

Frustrada. Cada dia acordo tendendo para um lado diferente. E acabei me perguntando por que o desespero. Descobri que não é por mim... é pelos outros. Vontade de acompanhar o fluxo. Mais um pensamento confluente.

É... auto-cobrança é algo que cansa... fisicamente!



Quando eu acordo na Rua das Cascadas e não sinto nada... eu nem me lembro...

E então a canção continua em minha mente e eu não quero que ela saia tão cedo. De todas as coisas a serem perdidas, jamais quero perder a audição! Pensava que a visão era mais importante, mas descobri que minha forma de, sei lá, ser... é atravessada e muitas vezes por barulhinhos.

Pense no barulhinho de alguém chorando, aquela respirada de nariz entupido. Brota um sentimento meio frio e meio quente, meio rasgado, meio em gotas ali pela região do chakra do plexo solar.

Agora pense naquela música fantástica da Regina Spektor: Après Moi. É uma energia que passa pela base da espinha e se espalha pelo abdome, puxando ele pra baixo e fazendo-o inchar.

Devo estar perdendo tempo aqui, não aprendendo a tocar piano.

Um fato carregado da minha atual vida: quero companhia. Para minhas sinestesias sem objetivo, para venerar Amanda Palmer e seus hábitos anti-paradigmáticos, para aprender coisas e para discutir filosofia da mente! “I was hoping we could dance together...”. Já não sei se quero um namorado ou um clone!


Passei de Yann Tiersen para Regina Spektor para Amanda Palmer para Alanis Morissette... faltou algo de Lady Gaga no meu processo...

segunda-feira, 7 de junho de 2010

Há exceções...



Eu funciono bem sob pressão. E é isso. Não espere de mim nada brilhante com mais de dois dias de antecedência...

Eu vou á terapia e choro os meus problemas, ou parte deles.

Eu volto pra casa todo dia e a partir do momento em que piso no meu quarto, estou em outro mundo. Onde a vida ainda é um porre, mas eu posso sempre escolher me esquecer disso e, descaradamente, fugir.

Eu tenho desejos imorais, mas eles não me perseguem... eles me acompanham.

Eu tenho sérios problemas financeiros... e admito não fazer nada para resolvê-los. Também não me orgulho. É nessas horas que eu me desespero.

Eu tenho crises de pânico e me curo delas com interferência de terceiros... o tempo é um terceiro bem eficiente.

Eu tenho saudades de várias pessoas... às vezes mato... às vezes não.

Eu tenho pouco tempo.

Eu tenho coisas a decidir... e pouco tempo.

E eu sempre inicio minhas frases com a palavra eu! (bem... há exceções)

►Adeus, cabelo...

sexta-feira, 4 de junho de 2010

Pausa para uma reflexão inócua.


Sabe aquele sentimento de que não se sabe de nada, muito menos do essencial? Eu sinto que para enquadrar meu problema eu preciso estudar a alma humana. Literalmente! Agora isso não é um problema. Problemas são as coisas que fritam meus miolos. Como essas pedras no meio do caminho até uma vida tranqüila e pelo menos razoavelmente realizada. Por que será que projetamos os desejos à frente? Parece que ainda tenho muito o que aprender com a Gestalt!

E por falar nela, nossa querida amiguinha, já vem me rendendo alguns apertos! Tenho que fazer um trabalho (eu e minha dupla de três). definimos o tema de ultima hora, procrastinamos até não poder mais, como bons neuróticos que somos, e a Claudia me passa um e-mail de uma professora da USP que é super especialista no nosso tema como ultimo recurso de última hora para tentarmos por as mão em fontes que prestam pro trabalho. Mandei o e-mail, ela respondeu indicando dois livros que não temos na biblioteca da fafich e que eu não consegui encontrar em livrarias de BH. Respondi o e-mail pedindo fontes online se fosse possível. A tal professora me manda um e-mail encaminhando para a Claudia insinuando muito sarcasticamente que acha engraçado estarmos fazendo um trabalho sobre um tema e não termos tempo para consultar um ou dois livros.... aaaaah mas o meu sangue ferveu. Fiquei com aquela impressão de que essa mulher estava encaminhando o e-mail pra Claudia para dedurar, do tipo: “olha que alunos avacalhados você tem!”. Na mesma hora mandei um e-mail dando um chega pra lá nela, reapontando o que havia dito e que ela não entendeu e dizendo que encontramos nesse meio tempo mais de vinte artigos online de muita qualidade, obrigada! Olha, é um sentimento de poder bem interessante, ser capaz de dar uma tirada em uma pós-doutora da USP!

Esse caso fez-me lembrar de outras ocasiões recentes em que eu me vi chegando perto da gota d’água e estourando. Ou as vezes em que dei tiradinhas bem colocadas e não me senti nem um pouco mal com isso. E constatei que eu estou mudada! Mas nuuuuunca que eu faria isso, qualquer uma dessas coisas, há um tempo. Ou quem sabe eu só estou num nível de irritabilidade mais elevado ultimamente. Desde que li que é permitido sentir raiva, eu passei sentir...

Bem, agora estou aqui refletindo sobre o tempo e sobre como ele me incomoda! Uma boa coisa para despistar isso foi passar a tarde pintando meus quadros (self made deco do meu novo quarto onde vivo só eu e meus pertences e onde a decoração é inteiramente personalizada!).

Acho que estou entediada... ou melhor, com span de atenção reduzido. Hora de arrumar outra atividade consideravelmente interessante!

tinta a óleo: cuidado, ela não é facilmente lavável! deixe fora do alcance de suas melhores roupas e de seu computador!

terça-feira, 11 de maio de 2010

CYHBG (Control Your Headless Body Guide)

A vida de um simples e mundano neurótico histérico é cheia das minúcias. É muito difícil. Quase tudo é muito difícil e é muito difícil não dificultar quase tudo. As palavras que entram pelos ouvidos quase nunca são as que saíram da boca de quem falou. Aquelas frases amedrontadoras ficam se repetindo na mente como se fossem irrevogavelmente verdades. Uma coisinha acontece na segunda feira às sete da manhã e na sexta ainda se está remoendo o fato como se pensar sobre ele pudesse ajudar a mudar a realidade. A pessoa faz o seu melhor, mas ele sempre acarreta naquilo que é mais terrível e difícil de se lidar. Ah, e a beleza e harmonia emocional das coisas conta muito mais que qualquer ordem racional! Enfim, é um mundo complexo onde nunca se está feliz completamente, mas estar triste também é meio difícil de aceitar, então fica-se numa espécie de limbo, inerte no tempo e observando o mundo com muita esperança de que ele não o ferrará mais uma vez. Mas ele ferra. O furo da história é que não é o mundo ferrando... são as conseqüências muito ruins de se levar a situação da forma como se pensa que pode (sintomaticamente).

Eu estou aqui com o coração na mão, me culpando por algo que não fiz, com medo de que ela pense de mim algo que não é verdade e ao mesmo tempo já com pesar antecipado por perder um objeto de afeto meu que está com os dias contados. Um não, três.

Aí me lembro daquela frase do Sartre, na qual eu deveria me apoiar em uma freqüência muito maior do que a que eu na verdade faço: “não é o que o mundo fez de você, mas o que você faz do que o mundo fez de você”.

Isso tudo é coisa demais para eu ter que lidar de uma vez! E ainda por cima tenho que manter meu teatrinho de pessoa tranqüila para alunos e colegas que, bem... lets face it, você não chega na faculdade e cumprimenta colegas com quem não tem muita intimidade com a cara inchada, vermelha e molhada de choro compulsivo. Nessas situações você fica em casa, isolado do mundo (o exato lugar que eu estava tentando evitar hoje... então para onde mais iria, se não onde meus amigos mais próximos poderiam estar?).

Sinto-me uma boba agora. Mas isso é a histeria falando. Sinto também uma mistura muito pesada de sentimentos. Não sei mais se estou com raiva, triste, arrependida (de que?), com medo, ansiosa para fazer alguma coisa, paralisada, carente... definitivamente carente! E triste....sim, triste!

►Tm tm tm tmtmtmtm tm tm tmtmtm.. txtx tx txtx.. shwshwshw... só assim mesmo...

quinta-feira, 8 de abril de 2010

Pronome

Meu corpo tem limites, ele acaba onde não há mais eu. Eu estou por aí, em todos os cantos. Meu corpo, mesmo assim, ainda é meu limite. Costumo pensar que sou menos quando meu corpo e suas funções são menores, em comparação com uma média de uma população maior que trinta para que se obtenha uma curva normal. Na verdade sou o que faço de meu ser. Eu sou um corpo que não salta, não tem força, não venceria uma luta contra uma tiazona, corre, mas perde o fôlego, come e acumula o que comeu em lugares esteticamente mal vistos pela mídia. Mas apesar das tendências de minhas heurísticas ingênuas, eu não sou o que já fiz, onde já estive ou a minha aparência. Eu sou eu. Sem nome, sem cor, sem atributos descritíveis por terceiros. Eu sou essas palavras que se seguem em uma ordem quase lógica. Afinal, a linguagem é o que nos carrega e nos corta. Parece que a linguagem é tudo. Gostaria até de me saber ser em várias outras linguagens. Tem também as paixões. Essas sim podem chegar perto de quem eu sou. Ou, como a Claudia diria, quem eu estou sendo. Eu sou mais um eco de freqüências sonoras caóticas e assimétricas. Eu sou também a representação copiada de uma idéia que ninguém teve. Se deus existisse, ele seria essa idéia. Eis o porque de seu vazio. Eis o porque de meu vazio. Eu não sou absolutamente nada. Se eu morrer amanhã, provavelmente não vou morrer feliz ou realizada. Mas o que é que quero realizar? Quando penso me vêm lugares que eu nunca vi, reações viscerais que nunca experimentei. Idéias que tenho de coisas que me contaram. A experiência de não ser eu limitada ao meu corpo. Também não morreria feliz graças ao medo que tenho da morte. Mas como eu poderia saber disso depois de morrer? Tenho medo de que eu seja apenas uma rede de conexões neurais que provocam sensações sinestésicas que me dão a impressão de estar tendo impressões das coisas. Não sei o que me mantém transmitindo sinais eletroquímicos, ou o que iniciou isso tudo. Não sei, principalmente, se algo restará do mundo quando esse ciclo tiver um fim. Não sei imaginar um mundo onde eu não imagine. Pois imaginar é uma reprodução, uma projeção na parede da mente de coisas que eu senti ou sinto ou antecipo. O que é a minha mente? Quer saber? Por que parei de estudar isso? Esse é obviamente o meu maior interesse já revelado. Algo que diz de algo que eu seria se algo eu fosse. Como disse o filósofo terapeuta corporal reichiano que acabo de ouvir falar: vai tentar escrever poesia... vá escrever poesia! Mas deixe-se possuir por isso! Será que sou o que me possui. Será que possuo o que sou? Eu participo da minha ação como se desempenhando um papel. No final das contas, o que seria eu se não essa própria pergunta? (leia a ultima frase novamente)

►Este foi um surto de inspiração. Tudo começou com o DVD que meu psicólogo me passou de para casa. Logo estava postando frases de efeito para a posteridade no twitter. Percebi que era hora para um bom momento eu – teclado.

quarta-feira, 24 de março de 2010

Bitolada

Uma coisa aprendida sobre mim: eu sou de me bitolar esporadicamente! Quem sabe seja devido a isso que eu decoro filmes inteiros e ainda sei recitar cenas completas de Monty Python and The Holy Grail com quase seis meses sem assistir o bendito filme. Atualmente estou bitolada em Franz Ferdinand. Deve ser por raiva de não ter ido a nenhum dos quatro shows que eles deram aqui no Brasil (o último foi ontem em São Paulo). Por dois motivos: não posso ignorar o trabalho e não consegui substituição e, o mais significativo, eu não tenho dinheiro para viajar! Ei até fiz as contas para ir no show do Rio na sexta, mas realmente não ia ter condições financeiras e no sábado ia ter que estar aqui inteira e bonita para dar aula às nove da manhã. Meu consolo é que eles aparentemente adoram esse país de fim de mundo aqui e não devem demorar muito para voltar. Se eu tiver sorte, quem sabe antes disso vou ter a chance de ver eles lá na Inglaterra/ qualquer lugar no Reino Unido.

Hoje tem supervisão da Claudia (treme). Essa mulher é um capeta vilarinho, já diria minha irmã. Sou fã dela!

Estou decorando o meu quarto novo. Finalmente privacidade total e um espaço que é somente e apenas MEU! Acho que ele vai ter um clima meio florestal going on... haha

Lendo um livro muito legal: The Time Travellers Wife. O que inspirou aquele filme meio cheesy. O livro é muito melhor, sem comparação. Acho que gosto tanto desse livro porque ele é incrivelmente confuso. E de forma alguma ele é meloso. Ao contrário do filme, o livro se debruça mais sobre a questão filosófica da vida louca do cara do que no romance entre ele a mulher.

Assisti Shutter Island e achei FENOMENAL! Direção, roteiro, atuações e tudo mais! Êita filme do Carlisle! Também vi Remember Me, que tem uma estória bem legal, gostei mesmo, mas como sempre, não se pode esperar grandes coisas da atuação de Robert Pattison...

No trabalho está tudo tão cansativo como sempre esteve. Mas tenho feitos amizades bacanas lá, com esse pessoal novo que começou a trabalhar lá nesse semestre! A Meghie é uma descoberta! Pessoa ótima com um ÓTIMO gosto musical (e uma capacidade incrível de me fazer inveja quando me contou que conheceu os caras do Franz Ferdinand pessoalmente ¬¬).

Eu comigo mesma... well... não muito a dizer, porque não muito tem acontecido. Acho que tenho fugido desse assunto. Meu clima terapêutico está em baixa nesse ultimo mês.



►Of everything I feel, I feel we’ve already been here...

quarta-feira, 17 de março de 2010

Dia ruim...

(Foto: Doug, meu novo filhote de Golden Retriever que odeia ESQUILO)






Uma coisa é não fazer alguma coisa ou apenas sentar e ficar esperando o tempo passar por ter medo de não ser capaz. Outra completamente diferente é ter que ficar de pé enquanto te provam que você realmente não é capaz e manter a poker face.

Hoje me provaram de verias formas que eu não sei o que estou fazendo e eu vi como é frágil isso tudo. As minhas escolhas e tals. Ao contrário do que já ouvi antes de pessoas que são suspeitas para falar, eu não sou assim tão boa em tudo que eu tento.

Depois da aula da Claudia eu comentei com o Igorinho: eu queria estar no ponto em que a Claudia está agora. Eu sei que ela também já sentiu essa insegurança e já também não soube como lidar com uma situação dessas (para melhor esclarecer: a Claudia, minha orientadora de estágio, pede para que nós simulemos na frente da turma uma situação de primeira sessão de terapia para depois refletirmos sobre o que está certo, errado, bacana e horrível na forma como lidamos com a situação).

Enfim, sobre as minhas inseguranças confirmadas hoje sobre ser psicóloga e se eu estou preparada para isso ou não (e pelo jeito é não), eu sei que é algo que eu posso trabalhar agora que eu sei no que não tenho segurança e como fazer para tê-la... mas chega a noite e me vêm os problemas de disciplina dos alunos e problemas e mais problemas. No fim das contas a mãe de uma aluna foi reclamar no Greenwich querendo conversar comigo para pedir satisfação sobre o que aconteceu. Não tiro razão da mãe... essas coisas acontecem. Mas não deixo de pensar que eu poderia ter evitado isso se eu não fosse tão mole. Eu não consigo ter autoridade. Nem quando se trata de mim mesma e da minha própria vida, como é que vou ter autoridade diante de um bando de adolescentes doidos para me desafiar?

Sai do trabalho derrubada, triste... sem vontade mais de voltar lá. Dor de cabeça... de mau humor.

É uma ironia escutar os casos na supervisão... por que o mundo está a fim de falar de mim ultimamente?

Já tem duas semanas que não vou na terapia. O resultado disso, mais um dia deveras difícil de aturar: acabei chorando lá no Greenwich depois da aula. Deixei a Taty e a Ju preocupadas quando me viram assim. A Taty foi fofíssima comigo, by the way, tentando me acalmar e tudo.

Ai ai.... esse texto vai sem boas perspectivas. Vou para a cama hoje num clima sombrio de “não quero mais um dia para ter que resolver”. Eu quero mergulhar no meu livro e nunca mais sair dele. Eu quero ser o Doug.



►Boa noite para quem vai ter uma...

sábado, 6 de março de 2010

Minhas "espiritualidades", ou algum esboço disso.



(Foto: Amanda Palmer. A mulher por quem eu me apaixonaria)


Tem algumas pessoas bem fofinhas na minha vida. Que dá vontade de abraçar, botar num potinho e alimentar com algodão doce. A Florzinha é uma delas. Outra é a Amanda. Sim, a Amanda Palmer. Depois que fiz um Twitter e estou seguindo ela tenho uma sensação tão estranha de que ela é uma pessoa de verdade...

Parece idiota isso que disse, mas o estranho mesmo é a impressão que tenho de que as pessoas não existem de verdade. Isso vem das minhas crises existenciais provocadas por ler O Mundo de Sofia quando tinha quinze anos. Durante bastante tempo tive sérias dúvidas sobre a existência de pessoas, das coisas que eu via todo dia, do tempo... de mim mesma. Mas eu tive alguns momentos bem cartesianos e fui obrigada a concordar que, pelo menos em matéria de consciência, eu existo. Tudo se complicou mais ainda quando eu “cresci” e fui estudar psicologia.

Daí hoje, enquanto esperava meus alunos chegarem para começarmos a aula, eu estava conversando com a Soraia, faxineira do Greenwich, e não sei por que eu sempre acabo chegando em assuntos religiosos nessas situações. Mais estranho ainda devido ao fato de eu tentar ao Maximo evitar esse tipo de conversa uma vez que as pessoas quase entram em choque quando ficam sabendo que eu não tenho religião, tão pouco acredito na existência (ou não existência) de deus. Enfim, nessa conversa acabei descobrindo que ela é cardecista e eu achei isso bem bacana, porque se eu algum dia fosse acreditar em alguma coisa, eu ia gostar muito de ser capaz de acreditar no espiritismo. Foi esse pensamento, justamente, que me fez sentir um frio na barriga. E se não existir nada de espírito ou sei lá?

Foi quando ela me perguntou se eu já tomei uma anestesia geral. Diz ela “se morrer for assim, então tá ótimo porque a gente não sente nada”. E eu fui obrigada a pensar que morrer deve ser assim mesmo! Quando sua consciência é apagada. Se faltar oxigênio no cérebro, o que acontece? Você desmaia. E a sensação é bem parecida. NADA. Você acorda depois como se não houvesse tempo. É esse nada que me dá vertigem. E se a minha consciência for simplesmente um padrão de conexões cerebrais que me fazem crer que sou quem sou e quando meu cérebro morrer então não vai haver mais nada... nem tempo..............................

Eu sempre chego nesse ponto. E é nele que eu paro. É por isso que eu tenho medo de morrer. Porque eu não sei ter religião ou fé. Eu só sei imaginar possibilidades.

Mas então eu percebi que eu tenho, não fé, mas esperança. De que essa estória toda de espírito seja verdade mesmo.

Nossa... comecei pensando nas pessoas fofinhas, na Flor e na Amanda... acabei chegando em revoluções espirituais.

Será que eu estou caminhando? Será que dá pra perceber de fora? Eu sei que minha vida mudou, mas como já diria a própria Amanda em “Good Day”: “I’d like to do more than survive, I’de like to rub it in your face.”



►And I’ve got some faces to rub it in, for sure!

sexta-feira, 26 de fevereiro de 2010

Pululantemente


Placebo vai se apresentar em BH no Chevrolet Hall dia 16 de abril! Agora me pergunta se eu vou? Quase morri de taquicardia quando fiquei sabendo. Tive que sair pulando pela casa para dar vazão à empolgação. Eu vou realizar um sonho de quatro anos de idade já! Assim que os ingressos estiverem à venda, o meu já estará em mãos!
Estou experimentando alguns sentimentos bastante adolescentes! De muitas formas, é bastante empolgante. Acredito que haja alguma adrenalina envolvida nisso tudo. Mas, apesar do rótulo de adolescente que acabei de colocar no sentimento, não ligo muito...
Estou sim é achando muito absurdo como eu ainda consigo refletir sobre isso. Mas vamos dar um crédito: eu já passei por isso antes e sei como é a coisa. Mesmo assim ainda é um pouco estranho perceber que seus ídolos, aquelas pessoas que você coloca em um pedestal eterno, são na verdade pessoas que fazem merda e amadurecem com o tempo. Hoje vi um bando de fãs menininhas adolescentes darem chilique porque Matt Bellamy fuma e isso é feio e vai estragar sua linda voz e é ridículo e que elas estavam muito desapontadas com ele... ah come on! Ele é gente como a gente! E isso, isso dá pra fazer!
Essa é uma época desleixada da minha vida. Digo, essas férias foram. Semana que vem as aulas começam novamente, mas ainda não me sinto no clima de voltar a me dedicar ás coisas. Acho que é porque voltei a me sentir um pouco perdida e sem motivação na faculdade. Apesar de estar fazendo dois estágios que eu gosto muuuito, a idéia do que vai ser da minha vida depois que essa trabalheira toda terminar voltou a deixar minha cabeça nublada. Estou com saudades da rotina, mas não quero mergulhar em nada. Não quero ser inteligente mais. Para mim é o bastante ser sociável e cantarolante.
No trabalho estou sendo desafiada todas as terças, quintas e sábados. Acho bom. Vejamos se sou capaz de... pull this off, por assim dizer.
2006 voltou enquanto escuto Placebo por horas. Memórias de 2006 voltaram junto. Parece que faz tanto tempo... ao mesmo tempo parece tempo algum. Como assim eu já tenho quatro anos de faculdade?



►Change your taste in mennn...

domingo, 21 de fevereiro de 2010

Raiva enlatada


Hoje o meu carro pifou... e qual é a novidade nisso, não é mesmo? A novidade é que ele demorou alguns bons meses para voltar a me dar trabalho. Suspeito de que ele não goste de mim. Portanto, amanhã vou ter um atípico dia movido a ônibus. Por mais estranho que pareça, isso me animou um pouco. Tem muito tempo que não ando de ônibus olhando para essas cidades feias e essas pessoas feias e pensando em coisas randomizadas.

Eu tenho descoberto coisas sobre mim, diferenças entre as minhas carências emocionais que me fazem ser assim ou assado e as coisas que eu realmente sou. Hoje descobri que existe uma pequena Monica em mim. Eu NÃO CONSIGO conviver com um ambiente sujo. Desorganizado tudo bem, bagunçado, caos absoluto até que vai. Mas se eu vir manchas ou resíduos ou poeira no chão ou sobre as superfícies eu fico desconsertada. Bate uma angustiazinha!

Também vi que eu não confio tão facilmente nas pessoas. Na verdade acho que existem apenas três pessoas no mundo em quem eu confio 95% e uma quarta em quem confio 89% (é engraçado como esse ranking não é tão óbvio quanto alguém que me conheça poderia imaginar. Me surpreendo com ele também). A maioria das outras pessoas que eu conheço devem estar em uma porcentagem abaixo de 80. Mas, afinal, nem em mim mesma a confiança chega aos 100%. Acho que me tornei uma pessoa muito desconfiada, haha.

Outra coisa que descobri é que eu não sou tão boazinha quanto eu mesma acreditava há alguns meses. Eu sou capaz de não gostar de alguém, e eu ás vezes nem preciso de um motivo para isso. Também descobri que eu não tenho muita habilidade para apoiar pessoas em momentos de desespero. Eu tenho uma tendência muito grande de tentar introduzir uma visão nova e racional à situação, para expandir a percepção da pessoa. Mas ontem acabei descobrindo que isso não é bacana para quem ouve. Quem ouve na verdade quer é algum tipo de suporte, um afago, sei lá... juro que nem entendo direito o que é que a pessoa quer ouvir em uma situação dessas porque eu não consigo cogitar a possibilidade de enganar as expectativas de uma pessoa apenas para vê-la mais calma ou feliz. Pensar nisso me dá raiva. Assim como me dá raiva a falta de racionalidade que ataca uma pessoa. Eu tenho raiva principalmente do costume de se deixar às mãos da pura reação emocional impensada, porque para mim o sofrimento não vale a pena. Não é possível que uma pessoa não seja capaz de tomar as rédeas das coisas, do próprio coração, dar uns bons tapas nele e falar “cala a boca que agora é o cérebro que vai tomar conta dessa jussanga aqui!”. Se eu não acreditar nisso do fundo do meu intestino, juro que entro em parafuso. Eu PRECISO acreditar que uma emoção não vai acabar comigo e me levar como naquela maldita musica do zeca pagodinho, sem que eu possa evitar, fazer uma escolha, fazer com que a minha vida pertença a mim e não a outra pessoa. Nunca mais quero me sentir nas mãos de alguém, como se minha felicidade dependesse de um sorriso ou de duas palavras enigmáticas que vão me deixar três semanas sem sono, imaginando o que possam ter significado.

Nossa... tive um momento de catarse aqui! Até taquicardia me deu depois desse desabafo enfático... Blog também é terapia, gente! Não sabia que era por isso que estava tão irritada ultimamente. Mas e agora? O que fazer... ainda não sei como agir diante dessa raiva. Eis um tema para a próxima sessão.



Ainda não me cansei de Muse.

quarta-feira, 10 de fevereiro de 2010

Irony



I love and hate the irony.

How Hitler did a campaign against Jewish scientists and because of that was not able to build the atomic bomb after Einstein renounced his German nationality…

Or how I wrote about running away from emptiness and, hours after that, cried like a baby in front of the book I’m reading (that, ironically, was practically written about my life up until now). The book is Alice Miller’s “The Drama Of The Gifted Child”. It’s about how a child can grow up seeking for the parents’ love and approval and, for that, having to give up emotions, becoming the perfect child with no bad feelings or inconveniences. Well, actually it’s about psychoanalysis , but it’s quite intelligible to someone who hasn’t ever studied about it, although it’s a bit complex. But anyway, come on! The book is about me, mainly!

(Actually, the reason why the book was so ironic after what I wrote is hard to explain… and maybe I don’t want to =D)

Today I feel like I’m able to do things. Like I’m actually good at what I do. Teaching, driving, speaking (translating vague ideas into speech). These days are good. I also feel interesting. Maybe it’s all this music that I’ve been listening to that left me in high spirits.

Only I’ve been worrying about my will to do stuff. Like the bad stuff, stuff that demands effort. I have this really bad tendency to leave them aside. One good example is the diet I should have been doing so I lose some weight. But as Humbert told me, I get cranky when I’m hungry…

Just arrived home. Came from work, so the thoughts are still in English. Didn’t press the SAP button yet.


There’s no need for beautiful endings in this world of chaos…

segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010

Anything



Fantasy is not just an interest of mine. It actually saves me from something seriously disturbing: nothing. Nothing is itself an invitation to anything. And nothing can be scarier than anything.

Well… my thoughts tend to go on if I don’t stop them. Today I had company. Three imaginary friends. When I realized I was talking to my empty car as if there were people there answering me back I thought “how far am I from madness?”.

I would like to learn how to sing (properly). I would like to meet people I admire and talk about life and other unimportant things. I would like to speak my mind when it’s needed. I would certainly like distances to be smaller!

And if I could choose someplace else to be right now, it would be London, definitely!



Half asleep, half full, half Jack... I am Jack's half of a thought.

sexta-feira, 5 de fevereiro de 2010

Update

Primeira semana depois do fim das férias e eu já me sinto exausta. Desconsiderando destino, espiritualidade e todo esse tipo de coisa às quais não consigo me apegar nem na marra, eu vou sair dessa situação bem mudada. Lidar com a minha avó com Auzheimer, digo. É a maior sensação de impotência possível no mundo. Porque simplesmente não há o que fazer. Tenho adquirindo uma fobia do telefone quando ele toca. Até taquicardia estou tendo quando escuto aquele barulhinho intrometido. Eu tenho me apegado muito aos meus ouvidos a fim de relaxamento. Ironicamente as musicas mais relaxantes são aquelas com riffs de guitarra no talo a ponto de estourar os tímpanos. Fazer o que, sou uma pessoa de gostos pitorescos.

Gostaria de estar lendo um pouco também, mas não estou tendo paciência. Exige muita concentração e ultimamente eu preciso e dispersar minha mente para que ela não doa 24/7.

Outra coisa que ajuda muito é adquirir obsessões bobas. Como a minha obsessão por Muse que me faz gastar horas no youtube assistindo entrevistas e virando uma daquelas groopies que eu acho ridículas. Mas calma, calma! Não criemos cânico! Eu não estou por aí dizendo que vou casar com fulaninho guitarrista de banda do outro lado do mundo (e nem vou... coisa mais adolescente histérica!).

Viajei para o Rio semana passada com a Laila e a Diva. Foi a última semana oficialmente de férias e a viagem foi planejada de ultima hora (três dias antes). Mas foi maravilhoso! O Rio, como sempre, continua lindo (e insuportavelmente quente), e me diverti horrores, me queimei de tanto sol também, sambei demais, enfrentei vertigens loucas. Durante esse tempo não me estressei com coisa alguma. Foi a gente chegar ao aeroporto de Santos Dumont para pegar o avião de volta que o estresse voltou com todos os seus piores sintomas.

Agora já voltei a trabalhar e bem, não vou reclamar muito porque eu gosto do que eu faço. Dar aula é muito bom! Mas dá tanto trabalho e por uma remuneração tão miseravelsinha! Vamos ver se nesse ano eu consigo manter controle da minha vida financeira com a planilha super versátil que a Laila fez para mim!

Da faculdade já estou com saudade. E pesar porque algumas coisas não vão mais voltar (como a pesquisa de memória e tudo que viria pela frente com o Gauer... vou sentir falta dele). Mas agora tenho a empolgante perspectiva de ser psicóloga de verdade, atendendo em psicoterapia. Sem contar com os atendimentos na neuropsicologia que vão continuar e com a possibilidade de fazer terapia cognitivo comportamental com alguns pacientes.

Estou começando a sentir a parede da formatura me empurrando pelas costas. Parece que falta tão pouco tempo e tanta coisa que ainda não fiz por lá. Mas é desumano fazer tudo que eu quero fazer. Se me dedicando mais ou menos nas coisas que já fiz eu quase tive uma síncope no semestre passado...

No mais, tenho ido muito ao cinema. Até sozinha quando não tem ninguém disponível (ou quando não estou a fim de conversar também). Mas não é porque perdi critério! Tem coisas que me recuso a assistir. Mas ultimamente tem tanta coisa saindo no cinema toda semana, e eu nunca canso de ir... último que vi foi Nine, o musical do diretor de Chicago que é muuuuuito bom! Nunca pensei que um dia gostaria de alguma coisa que a Fergie cantasse na vida! Esse mundo é muito louco!

E sabe o que seria uma big Idea agora? Um banho gigante e depois terminar de tomar o pote de Häagen-Dazs (strawberry cheasecake) que eu comprei hoje, ouvindo (pausa dramática...) Muse!


Frase da semana: “I’ve had recurring nightmares, I was loved for who I am, missed the opportunity to be a better man.” (Hoodoo – Muse)

quarta-feira, 20 de janeiro de 2010

Ano novo em meados de janeiro

Naquela época eu me sentia insuficiente. É uma coisa minha. Eu tento alcançar de verdade os pedestais que os outros criam para mim em suas fantasias. Porque se eu não for tão boa quanto, ou melhor, que o que esperam de mim, então não sou digna de que gostem de mim. Ou algo nesse clima. Algo muito tipo 2 (eneagrama e essas coisas).

O problema é que foi sempre assim com todo mundo. Era uma tal mania de me rebaixar. Falta de confiança, insegurança e sintomas depressivos vinham de brinde. Eu tinha até raiva de todas aquelas pessoas no mundo que eram ou tinham alguma coisa que eu pensava que alguém esperava que eu tivesse ou fosse (confuso). Porque afinal, por que eu seria de qualquer forma interessante ou bacana de se ficar perto se eu não fosse alto astral como fulana, ou tivesse cabelo assim ou assado, ou fosse meio despirocada como sei lá quem, ou me vestisse de tal forma ou discordasse de uma opinião muito forte, ou me atrevesse a seguir a minha própria vontade sem me importar se isso iria contrariar a vontade de outro alguém? Nada permanece saudável dessa forma. Muitas coisas foram se roendo de fora para dentro sozinhas com o tempo e eu só via o fim chegando quando percebia a bagunça que já tinha se tornado tudo.

Uma coisa que eu NUNCA imaginaria era falar (na cara, nas costas, por qualquer meio de comunicação tangível) minha opinião sobre coisas que me irritam em alguma pessoa, ou criticas ou simples expressões de coisas que me incomodaram em algum momento da vida. Sabe, é exposição demais. Não ser a sempre boazinha, sempre bem humorada e sempre caladinha e satisfeita. Enfrentar sempre trás o risco da perda ou da frustração. Outra coisa que eu tenho feito muita força para aprender a lidar com.

Mas agora isso já não me amedronta tanto. Claro que ainda amedronta. Estou muito longe de concluir algum caminho terapêutico. Mas veja como a vida mudou de dois meses para cá... na verdade de seis meses para cá. A vida mudou junto comigo.

E se tem uma coisa certa é que eu sou uma pessoa bacana e gostável sem precisar de cabelos, roupas, acessórios, opiniões e gostos diferentes daqueles que eu tenho e gosto. Afinal o meu gosto é o melhor do mundo. É meu, oras!

E então, finalmente, chego aos meus desejos para 2010:

-emagrecer

-viajar para NY em Junho (processos e preparações já em andamento!)

-aprender a ser psicóloga (ou começar... ou continuar aprendendo)

-ler (continuações diversas para esse desejo)

-ser eu mesma pelos meus próprios motivos.

-gostar dessa eu mesma.

-saber daquelas coisas que desejei não saber ter decidido não saber... sabe, aquelas? Pois é.

-ver se aprendo a lidar com esse maldito mundo financeiro

-fazer listas menores!


Pois já era tempo!

You know how I feel...



Já tinha um bom tempo que eu não me viciava em alguma coisa. Desde a semana passada, lá pra quinta feira, quando eu baixei a discografia de Muse, não consigo largar essa banda. A ponto de sonhar com as musicas e sair vendo entrevistas e tudo mais. E em um prazo de cinco dias eu já ouvi 220 faixas (isso é muito tempo sentada na frente do computador), baixei o show deles no estádio de Wembley, e até já cheguei ao ponto de achar o vocalista, Matt, que, coitado, é bem feinho, incrivelmente foda e sexy! Mas falando sério, aquele cara é meio que um geniozinho da música, toca piano pra caramba e os agudos que a voz dele alcança me intrigam! Como ele faz isso?

O estilo das músicas é uma loucura. Nada tem a ver com nada, uma única musica muda de blues para heavy metal e outra tem uma guitarrinha à la new metal com uns efeitos eletrônicos à la Daft Punk ou algo parecido. E é essa loucura deles e o clima super intenso de todas as músicas o que eu mais gosto na banda. O estilo musical muda loucamente, mas as melodias vocais são sempre muito dramáticas. Sem contar que eles têm aquela cara típica de britânicos sarcásticos e, claro, o sotaque mais legal do mundo!

Estava com saudades da música. Já não me envolvia de verdade assim com ela desde meados do ano passado. Até parei de falar nela. Coisa pitoresca!

Outra coisa que me invadiu novamente foi a vontade de desenhar. Semana passada na quarta eu fiquei o dia inteiro me borrando de grafite. Saíram algumas coisas bem legais desse dia produtivo.

Estou atualmente em processo de planejar o meu novo quarto. Ele vai ser bem bacana! Também parece que vou fazer uma viagem inusitada ao Rio semana que vem. Olha só!

Pois então, vou voltar às minhas musiquinhas aqui.



►Sentindo aquele vazio tranqüilo de não se ter obrigações... for now...