terça-feira, 17 de janeiro de 2017

Ímpares



Pulando os anos pares, sigo toda errada. Me espanta não ser canhota, voltada para o oeste, para a partida e não a chegada.
Somente aqui essas coisas me vêem. E pelo jeito, somente em ano ímpar. Nunca quando houver Copa, ou Olimpíadas ou eleições, aparentemente!
De certa forma sou mesmo errada, sou pro oeste.
À minha esquerda tenho obrigações, cálculos financeiros, agendas, busca incessante por pesar menos que 75kg... à direita tenho distração formato de tela preta, plana e retangular. À direita tem memórias também, tem coisas que guardo sem precisar guardar. Tem coisas que tenho porque são bonitas. Tem coisas que guardo aos montes e ainda desejo mais coisas para continuar guardando. A esquerda me lembra então que não posso, e se não posso, melhor nem desejar! Melhor me convencer de que não preciso para ser feliz.
Mas do que preciso para ser feliz?
Algumas coisas sei enumerar. Algumas delas estão aqui à esquerda mesmo. Esse lado esquerdo que me faz pensar que não sou boa, não sou inteligente, não sei fazer as coisas direito, estou trapaceando, quem é que vai dar ouvidos a alguém que nem sabe direito o que está fazendo.
Aí a direita diz: calma... você sabe, mas não sabe que sabe, que sabe... que sabe.
Na minha estante de livros de teoria Gestáltica, o livro mais à direita é sobre mandalas. Meio que nada a ver né?
Porran... teoria de campo! De repente estou falando da minha escrivaninha ou do meu cérebro?


►Mesmo assim, preciso disso aqui de vez em quando....

quarta-feira, 2 de dezembro de 2015

Só não estou aqui

Eu estou aqui. À minha frente, pessoas com olhares exasperados, olhares cansados, olhares tensos. Cada um envolto em algo que não sou eu quem está vivendo. Eu estou aqui, e vejo todos. Mas eu não estou aqui. Parece irreal, mas é possível. Parece loucura aos outros saber onde eu realmente estou. Por isso mesmo, não digo a ninguém.
Eu estou no futuro. Diante de gente que ainda não conheço e sentimentos que ainda não sinto: mas quero muito sentir. Estou em uma sala, deitada num sofá escuro, à meia luz, ouvindo a chuva. Estou numa cozinha, preparando algo apimentado, estou acordando em outra casa. Estou em uma boate, contra a parede. Estou deitada na praia. Estou correndo na neve. Estou dentro de um abraço…
Só não estou aqui: não hoje.


►Algumas coisas só podem ser roubadas se eu não as segurar firme.

Tu tens um medo - Cecília Meireles

Tu Tens um Medo 
Acabar.
Não vês que acabas todo o dia.
Que morres no amor.
Na tristeza.
Na dúvida.
No desejo.
Que te renovas todo dia.
No amor.
Na tristeza
Na dúvida.
No desejo.
Que és sempre outro.
Que és sempre o mesmo.
Que morrerás por idades imensas.
Até não teres medo de morrer.
E então serás eterno.
Não ames como os homens amam.
Não ames com amor.
Ama sem amor.
Ama sem querer.
Ama sem sentir.
Ama como se fosses outro.
Como se fosses amar.
Sem esperar.
Tão separado do que ama, em ti,
Que não te inquiete
Se o amor leva à felicidade,
Se leva à morte,
Se leva a algum destino.
Se te leva.
E se vai, ele mesmo...
Não faças de ti
Um sonho a realizar.
Vai.
Sem caminho marcado.
Tu és o de todos os caminhos.
Sê apenas uma presença.
Invisível presença silenciosa.
Todas as coisas esperam a luz,
Sem dizerem que a esperam.
Sem saberem que existe.
Todas as coisas esperarão por ti,
Sem te falarem.
Sem lhes falares.
Sê o que renuncia
Altamente:
Sem tristeza da tua renúncia!
Sem orgulho da tua renúncia!
Abre as tuas mãos sobre o infinito.
E não deixes ficar de ti
Nem esse último gesto!
O que tu viste amargo,
Doloroso,
Difícil,
O que tu viste inútil
Foi o que viram os teus olhos
Humanos,
Esquecidos...
Enganados...
No momento da tua renúncia
Estende sobre a vida
Os teus olhos
E tu verás o que vias:
Mas tu verás melhor...
... E tudo que era efêmero
se desfez.
E ficaste só tu, que é eterno. 

sexta-feira, 6 de novembro de 2015

New kind of mess

A fact: never before was it so hard. Never before was it so great.
A gift and a fear.
Some people gone, some people come.
I open the doors so many times. I close them right after.
Maybe I could leave them open…
I pray.
I listen to a song. It tells me to trust.
How is it? Trusting?
I think it over… I may be thinking too much. I may be feeling too much…
I fear.
I fear and I fear.
Can I concentrate for the next one hour?
What is it I do when I write and talk about death?
Where’s my ground? It was just here…
Can this be? Can it happen? Can it change me?
Of course! It is already changing me.
Where do we go now…. Sweet child of mine?


►Butterflies

quinta-feira, 5 de novembro de 2015

Ele me disse

Eles me disseram que eu estava “sumida”. Respondi: “nem eu tenho me visto mais!”
Ele me disse de manhã, em voz cantada: “esse é só o começo do fim da nossa vida”. E eu cantei junto.
Ela, por sua vez, já me disse tanta coisa. Difícil dizer uma. Mais difícil é responder. E sempre será.
Eles todos me disseram coisas bonitas. Me senti agradecida. Então agradeci.
Mas a que sou grata mesmo? São tantos encontros, eu sempre acreditando serem, não eternos porque me parece que tempo não se encaixa, mas verdadeiros por assim dizer.
Eu não sei ser sem esperança. E sofro por me perceber vulnerável. Eu estou aí eo mundo pode fazer o que bem entender. Pareço vítima, penso em mudar, endurecer, não me importar.
Mas se eu não for de verdade, o que será?

Vou deixar Amarante dizer algumas palavras por mim: “o vento vai dizer lento o que virá”



► Já tinha saudades

quarta-feira, 26 de agosto de 2015

Procurar ou viver?

Até meus ídolos estão tentando. Meus amigos, cada um em seu mundo. E eu caminho só, só caminho. As pessoas fazem e dizem coisas que não lhes cabem. Outras pessoas escutam coisas e deixam que elas cresçam.
Um de meus maiores ídolos recebeu uma carta. Na minha opinião, a carta era simplesmente desrespeitosa, egoísta, descabida. No entanto, quem recebeu realmente levou a sério, se afetou, sofreu... E não parece ter percebido quão invasiva foi essa carta. Então percebo que até meus ídolos, aqueles que julgo tão evoluídos, por assim dizer, só estão tentando. Ninguém está pronto, acabadinho, redondinho. Será que aqueles que julgo também estão tentando?
Outra coisa: como é fácil perceber falhas e responder à altura quando não é comigo. Acho que cada um tem mesmo sua lição a aprender.
É difícil esse momento em que se compreende. Sinto quase uma tristeza, um luto pela minha posição mais confortável de quem apenas sofreu por culpa de alguém. É difícil achar o equilíbrio entre ser a bobona e ser a brigona. Se nada incomoda, se tudo é compreensível, eu viro a mosca morta, a vida fica difícil, não dá para sobreviver no meio dos lobos assim. Mas me tornar um lobo vai contra tanta coisa. Principalmente contra mim mesma.
É difícil tentar ser mais "a minha mãe" e ao mesmo tempo não querer viver "a minha mãe".
É difícil buscar o meu poder e saber que sou quem sou e estou feliz sendo assim, mas mesmo assim saber que tenho carências. Será que dá para ser poderosa e frágil ao mesmo tempo? Acredito que sim.... Mas será que existe alguém por aí que vai saber disso? Eu preciso procurar, ou só preciso viver?



► ela tem beleza mesmo na fraqueza

segunda-feira, 17 de agosto de 2015

Das coisas de que tenho medo

Ficar sozinha
Não ter filhos
Não ter meu próprio espaço
Não ter espaço
Não conseguir escrever o tcc
Não conseguir escrever o tcc
Não conseguir um emprego
Perder amigos
Perceber que alguns amigos não são amigos
Perder possibilidades de ser
Voltar a falar com ele
Não voltar a falar com ele
Não dizer o que não consegui dizer antes
Dizer tudo que penso
Encarar um conflito
Gritar com alguém
Não aprender a não chorar
Não poder chorar
Não chorar
Morrer
Viver
Engordar
Desistir de algo
Insistir em algo
Ser vista como babaca
Ser realmente babaca
Ser irresponsável
Deixar que os outros vejam minhas irresponsabilidades
Dinheiro
Assalto
Escuro
Alienígena
Pessoas novas
Fazer o que o desejo manda na hora que ele manda

Preciso sentar agora e escrever. Preciso ir para casa fazer o que não quero fazer. Preciso me largar.

"De ti ficará apenas ti que és eterno"



►Karma.

quarta-feira, 5 de agosto de 2015

Vou levando

Você leva a vida. Leva pra onde for.
E se a vida fosse uma versão criança de você mesmo?
 Eu não quero o que está por vir em duas horas. Eu não quero o que está por vir em sete meses. Por outro lado, tudo que quero é que acabem logo esses meses.
 Eu não quero mais agir como manda uma coreografia só porque tenho medo de, se não for assim, não será de forma alguma. Tenho medo de não conseguir levar a minha vida até a casinha com uma cozinha antiga, um cachorro e dois filhos. A coreografia me chateia. E só me mostra que o que quer que venha como fruto dela, vai me chatear também. Eu quero que seja de verdade. Mas pra isso não tem como saber quando e nem se.
Eu não quero mais estar entre pessoas que ofendem outras pessoas, que não respeitam o espaço de outras pessoas, que não tratam outras pessoas como Pessoas. Eu quero não me irritar com palavras usadas levianamente (na verdade prefiro que elas não sejam usadas). Eu quero não sentir preguiça de ninguém. Eu quero gente que dê gosto de ver.
Eu não quero mais esperar, por mais que tudo que eu esteja fazendo seja esperar. Mas não é bem isso que quero dizer.... Esperar de alguém o que espero de mim. Prefiro buscar sozinha, se tiver que ser assim.
Agora, querer nesse momento, sentada nessa sala modelada para outra profissão, esperando duas horas passarem para poder passar por mais duas horas angustiantes (justamente o tipo de coisa que não quero mais pra minha vida)....... Sinto que não estou aqui hoje. Ou nesses últimos dias, pra ser mais exata. Não consigo estar aqui quando tenho outros lugares para levar a minha vida.




 ► did i build this ship to wreck?

sexta-feira, 24 de julho de 2015

Journey(al)

We don't just journey by tranveling far away or taking a spiritual retreat or something I saw on a movie. Journeys can take place anywhere and all the time. My personal Journey has been going to work every day. A work that, even though is going to be over in a few months, still demands a lot of me and pretty much doesn't let me do much else out of my life.
I've been feeling like my life is now in a suspension state, that nonthing can be done or changed appart from writing the danm article and dealing with this and that. Maybe I just realized I don't know what I want or will want after this is over. One thing I can say for sure: I still want the money to keep... Well, to keep living exactely like I'm living now. Maybe it will be a good thing if I don't get that. Being confortable prevents us from getting up and walking.
Maybe Julia Roberts was right about the being afraid of being destroied thing in that movie. What is there to destroy now anyway. I feel like there's only what I should build. Maybe that's where the feeling comes from. I had some confort in the idea that my future was predictable (kind of). Now it's all blind choices and people I don't know yet.
I don't hate it anymore. It's unconfortable to be around and there's still some anger. But not hate. Anyway, it's part of my story now, and therefore (love this word), will bring me another life that i could never have predicted or experienced if it weren't for the misfortune of it all. I seriously hope everyone comes whole out the other end and just... Moves on.


►We are groot

terça-feira, 21 de julho de 2015

Como passei na fase hard:

Aprender machuca. E machucados costumam doer se você tem o sistema nervoso em pleno funcionamento. Fugir de aprender dói também. Aliás, o que é que não dói nessa vida?
Agora, muito melhor doer se algo pode mudar por causa dessa dor. Alguns parecem apenas doer, sem espremer pra ver se sai um caldinho. Ontem eu fui embora porque não aguentava mais. Mas aquela era uma dor besta, forte, mas besta: dessas que só estragam parte do seu dia e mais nada. A dor que me "coisou" (por falta de palavra para dizer o que ela me fez) há seis meses já é outro paranauê. Aquela que faz parecer que há um buraco negro na boca do estômago., mas que ao mesmo tempo me fez perder 15 quilos. Que deveria ter me puxado para dentro desse buraco negro e me feito implodir, mas que, no lugar disso, me fez olhar para mim de novo e me fez querer aproveitar a minha própria companhia.
O mais estranho foi perceber o que esses seis meses se tornaram: um abismo entre duas pessoas. Fico imaginando metaforicamente: eu saltei (ou será que fui empurrada?) e fui pulando de pedrinha em pedrinha e cada pedrinha em que eu pisava, caia (como em um joguinho desses). Quando olhei para trás, lá estava ele na outra margem e, no meio, esse buraco que sobrou já que eu derrubei as pedrinhas. Não dá para voltar, não dá para ele vir... Se ele achar outra trilha para atravessar, eu já vou ter caminhado mais adiante. Porque se tem algo que toda essa dor me ensinou foi: chega de esperar parada. Chega de guiar o forró porque o parceiro ainda não aprendeu o passo. Chega de ser compreensiva o tempo inteiro. Chega de ser a culpada. Chega de tentar sozinha.
E vamo que vamo... Muita coisa aconteceu ao mesmo tempo naquele dia. No fim, senti que ganhei e que perdi. Tive dois desejos e nenhum se realizou. Não consigo evitar de pensar que foi porque eu estava sendo patética. Então mais um aprendizado: chega de ser patética! Ainda vou me sentir uma loser mais algumas vezes antes de poder dizer "é, achei!".



►Aos 27anos, absolutamente NADA é certeza. Próxima fase!

quinta-feira, 16 de julho de 2015

Um corte de cabelo

Qual o valor de trocar com cem pessoas? Qual o valor de “ter” só uma? Qual o valor de uma pessoa? Qual o valor de cortar o cabelo?
Sabe quando a vida está borocoxô e pensar sobre as grandes coisas e grandes consequências das coisas abre um buraco no meio da barriga? É nessas horas que vejo o grande valor de cortar o cabelo. Quem sabe a nova pessoa que vai aparecer no espelho após um bom corte de cabelo vai saber resolver melhor essa montanha de problemas.
Outro dia uma grande amiga, em meio ao seu desabafo, me perguntou:
“Mas e você? Como está?”
E não soube responder. Não objetivamente. Na tenho palavras para descrever o sentimento de estar prestes a estar desempregada, sem perspectiva de outro emprego, se cobrando produção escrita e gastando boa parte do tempo se distraindo, não conseguindo se concentrar, se adaptando a uma vida diferente daquela de seis meses atrás, enfrentando uma enxurrada de bullshit , mas no fundo nem se importando tanto porque em breve nem estarei mais lá para precisar me importar com coisa alguma agora. Como chama esse sentimento? Eu chamei de “estou alheia”.
Como uma laranja seca... é difícil espremer algum caldo. Até o bagaço fica difícil de mastigar. Estamos precisando comprar mais laranjas aqui em casa.
Qual o valor disso tudo que estou fazendo quando não estou fazendo nada? Qual o valor de atravessar esse deserto em que esse ano está se transformando? Qual o valor de um corte de cabelo? Vai custar uns R$75,00...



► olhos semicerrados...

quinta-feira, 9 de julho de 2015

"Everything is different the second time around"

É... eu já escrevi muita coisa. Eu já fui boa em muita coisa. Eu já estudei, já me estabaquei, já me decepcionei, já chorei bastante (e põe bastante), já viajei, já mudei demais. Há alguns dias me percebi numa rua pavimentada de pedras abauladas, daquelas que fazem ser difícil andar e olhar para a frente ao mesmo tempo. Desenvolvi a técnica que os nativos parecem dominar de caminhar de cabeça erguida, mas não sem um tremendo esforço de concentração nos pés. Então eu viajei (no meio da viagem literalmente falando) sobre esses momentos em que me pego existindo. Não faz lá muito tempo que me pegava existindo como uma estudante de faculdade envolta em seus dramas amorosos e seus trabalhos feitos sempre no dia anterior da entrega. Não posso dizer que tudo tenha mudado: ainda há muito drama e muito trabalho sendo feito às pressas no dia anterior! E cá estou eu, existindo aos 27, a vida uma zona, as certezas meio capengas, as expectativas voláteis, a lembrança recente de um genial novo filme da Pixar, as irritações de sempre, mas de cara nova, a vontade de ser de novo só que como nunca antes. É engraçado... a vida faz dela mesma uma piada. Sempre me surpreendo quando percebo que mudei. Mas tanta coisa continua igual: li algumas coisas que escrevi há mais de cinco anos e já tinha opiniões que me definem até hoje. Acredito que na verdade fui mesmo é aprimorando e preenchendo as lacunas daquilo que ainda não tinha pensamentos formados a respeito. Mudar de opinião existe também. Será que ainda sei escrever?
Muitas coisas me trouxeram aqui hoje. Digo: aqui, escrevendo nesse antigo, quem sabe novo, blog. Uma pessoa que eu não conheço, uma viagem repleta de inspirações, uma pessoa que não me conhece. Me lembraram como é bom colocar para fora e registrar alguns pensamentos. Me lembraram que eu posso ser boa (razoável) nisso. Me lembraram principalmente que ter um "diário" é como ter uma máquina do tempo surreal. Vamos ver se vai dar liga!



►Chego em casa para ver mais um episódio daquele seriado-muito-genial-que-eu-comecei-a-ver-outro-dia.

quarta-feira, 11 de setembro de 2013

Eu por aqui!?

Uma sequência inusitada de eventos desafortunados me inspirou a voltar a esse blog e ler coisas que escrevi há pelo menos dois anos e me estranhar (como sempre acontece) com a pessoa que não sou mais. Já escrevi de forma boba, profunda, verdadeira, infantil e clueless. As vezes todos os adjetivos citados ao mesmo tempo. Agora a vida é outra, e me arrisco a dizer, é mais chatinha de viver. Não digo chata no sentido entediante da palavra, não. Falo da dificuldade que é ter que passar por ela e tentar permanecer de pé. Olha do que estou falando. Com apenas 25 anos, reclamando dos tropeços da vida. Aposto que aos 40 vou sentir vergonha de ter escrito isso. Mas aí é que está o bacana de ter esse arquivo (um pouco mal cuidado e abandonado até pelo provedor) da minha evolução.
Sofrimento é uma idéia engraçada. O meu é sempre válido, pois do meu ponto de vista o bicho tá pegando, digamos assim. Mas sinto-me minúscula ao ver coisas ao meu redor, coisas que pessoas tem que enfrentar. Pareço uma filantropa a la Madre Tereza querendo salvar os pobres. Não, falo de amigos próximos, da minha idade, da minha classe social, até mais estudos, inteligentes ou disciplinados que eu. Como dizem por aí, não tá fácil pra ninguém! Pra alguns, muito menos!
Inconclusivamente paro de escrever agora. Quem sabe são os primeiros passos para uma retomada de um diário pretencioso (espero deixar essa característica pra trás, mas eu sempre vou me achar uma besta lendo textos antigos).


►E choveu dois anos em mim.

segunda-feira, 11 de abril de 2011

Depois de quebras e emendas

E muito tempo passou, e muuuita água rolou em baixo da minha ponte, e eu tive que fazer tanta coisa e teria estórias para encher um livro. Sentimentos se dissolvem com essa passagem fluida do tempo. Mais outros sentimentos nascem de um nada onde havia algo que não se via. É claro que eu não via. Se visse, bem... se visse então já teria sido apaixonada há mais tempo. Mas não é assim que a banda toca. Tudo só acontece porque veio seguido de tudo que já aconteceu. E se não fosse toda a meleca emocional que me aconteceu antes, nunca que teria chegado ao ponto hoje de dizer que estou feliz.

É engraçado como pessoas passam pelo meu blog. Bem, se não fosse todo o tempo que passei sem escrever, essa divisão não seria tão nítida.

Estou vivendo um momento interessante de tentativa de resolver problemas. O problema do dinheiro, que parece que nunca vai acabar... o problema do meu preparo físico, que minha preguiça acaba por anular, o problema da minha formação, que anda indo, o problema do meu emprego, que loucamente me toma o tempo em que poderia estar resolvendo todos os problemas acima. Exceto o do dinheiro... se não fosse o emprego, o problema financeiro estaria ainda mais aterrorizante.

E hoje resolvi ficar em casa, nesse clima quente. Comecei a pensar sobre a minha vida e como não é possível viver ela plenamente. Não tem como, é vida demais para se viver de uma vez só. Eu posso ter me contaminado um pouco pelo clima da conversa niilista que tive com o Humbs outro dia. Então me lembro do pensamento que me veio naquele dia: estar apaixonada é como usar uma droga. Quando estou perto dele o resto do mundo ainda está lá, mas não me atinge. E quando não estou, tudo que quero é estar, mantendo mais uma vez o mundo afastado de mim. É como negar a vida para poder viver uma experiencia tão única que é a de olhar dentro dos olhos dele naqueles momentos em que ele está fazendo algo mundano ou quando faz uma careta quando fala faz uma coisa errada ou quando olha pra mim derramando em mim através dos olhos algo que eu só posso descrever como amor. E por alguma razão misteriosa, sexo é um assunto recorrente em minha mente.

Agora deixe-me dizer algo sobre como é namorar o irmão do seu melhor amigo (ainda mais quando a relação entre os dois espelha tanto a sua relação com sua própria irmã). Ver os dois e a forma como um fala do outro é como um flashback torto. Eles são a versão menininho de mim e da minha irmã. O que chegou a ser um pouco esquisito para mim foi enxergar um lado do meu amigo que não conhecia. E eu que julgava conhecê-lo tão bem... às vezes é preciso separar essas coisas na minha cabeça. Separar o Humbs meu amigo do Humbs meu cunhado.

Os dias de semana têm me deixado pra baixo. Trabalhar virou algo que suga mais energia do que eu consigo produzir sozinha. Ainda não descobri as maravilhas das fontes alternativas de energia para aplicar no trabalho. Quem sabe até tenha descoberto, mas é muito fácil deixar o habitual tomar conta novamente e esquecer completamente das minhas metas e planos novos. Acho que é por isso que deixo a vida ir numa inércia tão grande.

É por isso que digo que vou agora trocar minha roupa e ir para aquela bendita academia e parar de reclamar do quanto estou parada.

Eu poderia escrever mais vinte páginas sobre “I’d rather be doing...”. quem sabe uma outra vez...

►Nunca tinha chamado alguém assim antes. Feels good, in spite of all I used to believe in.

sábado, 4 de dezembro de 2010

Fuck

Eu não reclamo muito. Às vezes faço aquela voz chorosa reclamando do clima e do cansaço. Mas duvido que você saiba de toda essa merda acumulada dentro de mim que eu nunca deixo aparecer (a não ser que você seja o Humberto ou a Laila). Eu estou, na verdade sempre fui, verdadeiramente sozinha. Cresci e aprendi que eu deveria sempre pisar em ovos para evitar o que no final das contas sempre acontece: violência. Eu sou uma desgraça de uma submissa, não consigo unir a pontas pra levantar e botar alguns limites. Na verdade todos. Eu devia era botar todos os limites de uma vez. Mas medo me paralisa. Quando não estou chorando, estou lendo alguma fantasia que me faça sentir como uma criança que pode fugir do mundo físico. Quando não estou com dor de cabeça, estou rindo de algo idiota que falei ou ouvi de alguém. Quando não estou masoquistamente me remoendo, estou sei lá, desperdiçando meu tempo com alguma porcaria na internet. De que adianta pensar que são alguns dias e depois tudo volta ao normal? Eu cresci e aprendi que um mínimo deslize meu significa SEMPRE um abalo sísmico. Cara, essas coisas provocam feridas e eu acumulo feridas. Aprendi a guardar rancor. Ninguém aqui está a fim de crescer porra nenhuma. Contanto que todos façam seu chilique e causem impacto. Seria eu a única pessoa a fim de mudar isso aqui? Eu chego a achar que nem isso. Porra, mas nem sabendo o que fazer eu tomo vergonha na cara e faço! Eu sou uma covarde, de marca maior!



►Nunca estive tão anti-romântica... Onde está a diferença entre culpa e responsabilidade?

sábado, 6 de novembro de 2010

Nudez.

Sabe, eu geralmente passo muito tempo pensando, me preocupando com o que pode me vir pela frente e me vitimizando diante de tanta imprevisibilidade. Às vezes eu chego a me irritar com isso: eu fico bem chata de vez em quando.

Sim, eu ainda faço isso. Essa não é uma declaração do tipo “olhe como sou uma pessoa melhor agora”. Mas como é bom uma vez ou outra experimentar aquela tal nudez psicológica que eu tanto desejo. Apenas ver as coisas como elas são. E o que elas são é puro caos e sorte e.... bem, muita sorte!

É muito fácil viver na rotina. Não requer esforço, não requer sequer a menor consciência do que se está fazendo. Ontem, ou foi outro dia, você me disse que a felicidade vem com um preço: a infelicidade. Mas eu acho que acredito no oposto. É na miséria de ser quem somos que podemos encontrar alguma paz.

Eu sofro um pouco todo dia. Sempre foi assim desde que resolvi ser alguém por mim mesma. Alguns dias são mais difíceis. Alguns dias eu separo para viver a inércia e descansar a minha reflexibilidade crítica. Tem dias que precisamos de um tempo de ser.

E as horas passam. E eu por aqui, conversando com essa nova eu que você fez surgir. Ela me faz lembrar da sua presença... e da presença de sua ausência.

Sabe... eu gosto de você! Em um nível interessante: adoro quando isso acontece! É você pessoa para além de você você. Um conceito confuso, mas acho que você me entende. Você tende a me entender.

E cá estou eu, falando além do que poderíamos chamar de discreto ou reservado. Mas quer saber de uma coisa... eu não estou nem aí! Hahaha Eu apenas gosto de materializar esses sentimentos que me vêem no meio do nada enquanto faço o que há de mais inútil e improdutivo.

Agora vou voltar às minhas leituras fantasiosas enquanto espero a sua volta.



►Acho que sou sonâmbula...

segunda-feira, 18 de outubro de 2010

Namorados

Várias vezes na vida, a frase “mas isso não vai acabar nunca?” me veio à mente. Acho que eu vivo o tempo de forma diferente. Cada dia em que algo se repete representa a eternidade de cada repetição, a intolerância de sequer alguns segundos revivendo o não vivido.

As minhas coisas ainda estavam jogadas pela bancada. Os textos e livros ainda não lidos. As tarefas ainda não feitas. Eu vivendo as lacunas primeiro. E então as lacunas começaram a me mostrar que eu não as estive preenchendo. Eu não estive fazendo a vida.

Me perguntei quando vou largar desses dias inertes, quando vou mergulhar na liberdade.

Mas nem tudo foi perdido. A vida dá voltas e mais voltas e tantas voltas. E eu ainda acordo num belo dia e vejo que o tempo realmente passou, que o desejo realmente se realizou, que meus sentimentos mudaram, que nada é o que estava sendo na repetição eterna. Que agora há novos sentimentos, novas idéias, novas vontades... um novo rosto.

Hoje eu acordei sorrindo. Porque agora há algo novo, algo bom... algo que me desafia a crescer. Hoje eu acordei atemporal. Pois hoje não tive medo. Eu vivo sob preceitos de Vinicius: que seja eterno enquanto dure.


►A lua apareceu para nós, só naquele momento... porque assim devia ser. E quando ele me perguntou, a resposta já estava dada. Acho que ele já sabia. O sorriso foi inevitável. E agora há um nome para o que somos: namorados.

sexta-feira, 8 de outubro de 2010

Do you?

Não sei por que, mas luto. Luto sem causa porta afora. E luto sem perceber. Pra que lutar contra aquilo que eu busco, pra que lutar contra o que é bom?

Eu tenho medo, a maior parte do tempo. Medo de qualquer coisa, instabilidade. Medo de não ser amada, mas também medo de ser. Medo de estar parada. Eu me afeto mais fácil do que gostaria. Mas também me mantenho distante.

Eu não me mostro a você tão fácil assim. Às vezes, no entanto, me mostro sem perceber, e sem querer.

Eu me assustei, verdade. Não estou acostumada com a vida dessa forma. E hipocritamente, eu também me preocupei com sentidos e futilidades.

Mas para que lutar contra algo que eu quero?

Acho que é o medo do espelho.

Ora, mas eu não mereço ser eu mesma? Tenho que me lembrar daquela lição.

Eu estou apaixonada. E o peso dessas palavras me comprime e me expande. E cada dia que passa é uma nova vida que chega.

Imagine querer muito algo. Querer tanto que o temor de não conseguir te faz duvidar de tudo, até de si mesmo. E, de repente, isso que você tanto quer explode à sua frente e se oferece de inteiro. É assim que me sinto.

E agora, escrevo sem rumo. Escrevo sobre sentimentos que me invadem pelos lados, raramente de frente. E descubro aos poucos o turbilhão que há dentro de mim e o que fazer com ele.

De repente, um novo fato: eu já estou indo. E meu mundo já vem vindo. E o encontro está aqui.



►Verborragicamente....

domingo, 26 de setembro de 2010

E eu sorri.

Eu insisto em dizer que o mundo, o mundo tem sua beleza. Essas coisas que nos pegam no pulo de vez em quando e nos derrubam no chão... é nesse momento que sua vida muda de vez. Às vezes espero mudar a vida de mais alguém que pula comigo.

Tem muito tempo que não passo por aqui, nem ao menos organizo pensamentos em forma verbal. Essas últimas duas semanas foram a contestação do desequilíbrio equilibrado. Chego até a pensar em uma ordem mística para o universo. Passam-se meses de marasmo e, de repente, desastres e alegrias tamanhas entram pela porta como uma manada desgovernada de antílopes africanos (metáfora altamente influenciada por ter assistido Rei Leão recentemente).

Mas hoje quero pensar sobre a parte, digamos promissora. Eu escuto promessas não pronunciadas. Na verdade eu tenho medo. Medo de pular mais uma vez, e mais uma vez descobrir tarde demais que não tinha uma almofada lá em baixo. Sabe aquelas feridas contínuas que as desventuras em série de sua vida vão deixando? Para um behaviorista isso é mais que claro: é mais difícil dessensibilizar que criar um medo. Eu tenho medo de estar sozinha, e na verdade todos estamos. Não há ninguém que possa compartilhar de minha experiência. No máximo poderei viver algo com alguém que terá uma experiência própria a partir disso. A única coisa que podemos compartilha é o tempo. E uma coisa que já me deixa muito feliz é que alguém me ofereça o seu tempo, a sua presença.

Com tantas coisas para pensar, até este momento não tinha parado para refletir sobre aquele momento por ele mesmo, e não pelas antecipações, medos e ansiedades que o envolveram. Parei e me vi ali, nos vi. E vi tudo que havia em volta. E aquele tempo, ou pedaço de, foi como... foi. Nada melhor que uma experiência que não se pode botar em palavras.

Penso também na contradição. No meu pulo, na minha provocação. Na forma como respondo à lacuna que ficou, lacuna essa em que não faltaram sinais e significados, mas não houveram palavras. Eu vou e dou um salto, sem perceber que já tomei uma postura diante do meu medo. É isso que sempre faço. Eu não ligo. Eu não ligo para ter perdido antes. Por um momento, eu ganhei. Ganhei a chance de compartilhar um pedaço de tempo.

E isto que sinto agora... vale a pena errar pela vida e perder todas as vezes. Eu sempre disse que não sei jogar esse jogo, e não sei mesmo. Porque acredito que para viver de verdade, você tem que perder... toda vez!

Espero, espero mesmo e não tenho mais medo de esperar, que eu possa ganhar muito mais antes da próxima derrota!


►livre?

quarta-feira, 25 de agosto de 2010

Fome de dor e verdade


Estaria eu com fome? Agora, à exata meia noite. Depois de um dia irritante. Depois de enrolar algumas pessoas para não perder o costume. Agora que tudo virou silêncio e eu já não quero mais devanear pelos meus devaneios. Será que isso é mesmo fome? Ou seria a fúria? A falta de coisa alguma. Aquela incoerência que explodia na minha cara hoje mais cedo. A fuga da adaptação como forma de tentar ser aceita pelo mundo. A contradição inerente à existência...? A busca pela ignorância que nos protege da dor e da verdade. Ou pode também ser sede. Acho que tem água por aqui, em algum lugar. Na verdade queria mesmo é um rosto. Não é qualquer rosto. É um específico. Mas queria também as coisas que estão ligadas ao rosto. Acho que só um rosto não seria lá tão interessante. É... capaz de ser fome mesmo.



► I’m ignorant still...