segunda-feira, 7 de junho de 2010

Há exceções...



Eu funciono bem sob pressão. E é isso. Não espere de mim nada brilhante com mais de dois dias de antecedência...

Eu vou á terapia e choro os meus problemas, ou parte deles.

Eu volto pra casa todo dia e a partir do momento em que piso no meu quarto, estou em outro mundo. Onde a vida ainda é um porre, mas eu posso sempre escolher me esquecer disso e, descaradamente, fugir.

Eu tenho desejos imorais, mas eles não me perseguem... eles me acompanham.

Eu tenho sérios problemas financeiros... e admito não fazer nada para resolvê-los. Também não me orgulho. É nessas horas que eu me desespero.

Eu tenho crises de pânico e me curo delas com interferência de terceiros... o tempo é um terceiro bem eficiente.

Eu tenho saudades de várias pessoas... às vezes mato... às vezes não.

Eu tenho pouco tempo.

Eu tenho coisas a decidir... e pouco tempo.

E eu sempre inicio minhas frases com a palavra eu! (bem... há exceções)

►Adeus, cabelo...

sexta-feira, 4 de junho de 2010

Pausa para uma reflexão inócua.


Sabe aquele sentimento de que não se sabe de nada, muito menos do essencial? Eu sinto que para enquadrar meu problema eu preciso estudar a alma humana. Literalmente! Agora isso não é um problema. Problemas são as coisas que fritam meus miolos. Como essas pedras no meio do caminho até uma vida tranqüila e pelo menos razoavelmente realizada. Por que será que projetamos os desejos à frente? Parece que ainda tenho muito o que aprender com a Gestalt!

E por falar nela, nossa querida amiguinha, já vem me rendendo alguns apertos! Tenho que fazer um trabalho (eu e minha dupla de três). definimos o tema de ultima hora, procrastinamos até não poder mais, como bons neuróticos que somos, e a Claudia me passa um e-mail de uma professora da USP que é super especialista no nosso tema como ultimo recurso de última hora para tentarmos por as mão em fontes que prestam pro trabalho. Mandei o e-mail, ela respondeu indicando dois livros que não temos na biblioteca da fafich e que eu não consegui encontrar em livrarias de BH. Respondi o e-mail pedindo fontes online se fosse possível. A tal professora me manda um e-mail encaminhando para a Claudia insinuando muito sarcasticamente que acha engraçado estarmos fazendo um trabalho sobre um tema e não termos tempo para consultar um ou dois livros.... aaaaah mas o meu sangue ferveu. Fiquei com aquela impressão de que essa mulher estava encaminhando o e-mail pra Claudia para dedurar, do tipo: “olha que alunos avacalhados você tem!”. Na mesma hora mandei um e-mail dando um chega pra lá nela, reapontando o que havia dito e que ela não entendeu e dizendo que encontramos nesse meio tempo mais de vinte artigos online de muita qualidade, obrigada! Olha, é um sentimento de poder bem interessante, ser capaz de dar uma tirada em uma pós-doutora da USP!

Esse caso fez-me lembrar de outras ocasiões recentes em que eu me vi chegando perto da gota d’água e estourando. Ou as vezes em que dei tiradinhas bem colocadas e não me senti nem um pouco mal com isso. E constatei que eu estou mudada! Mas nuuuuunca que eu faria isso, qualquer uma dessas coisas, há um tempo. Ou quem sabe eu só estou num nível de irritabilidade mais elevado ultimamente. Desde que li que é permitido sentir raiva, eu passei sentir...

Bem, agora estou aqui refletindo sobre o tempo e sobre como ele me incomoda! Uma boa coisa para despistar isso foi passar a tarde pintando meus quadros (self made deco do meu novo quarto onde vivo só eu e meus pertences e onde a decoração é inteiramente personalizada!).

Acho que estou entediada... ou melhor, com span de atenção reduzido. Hora de arrumar outra atividade consideravelmente interessante!

tinta a óleo: cuidado, ela não é facilmente lavável! deixe fora do alcance de suas melhores roupas e de seu computador!

terça-feira, 11 de maio de 2010

CYHBG (Control Your Headless Body Guide)

A vida de um simples e mundano neurótico histérico é cheia das minúcias. É muito difícil. Quase tudo é muito difícil e é muito difícil não dificultar quase tudo. As palavras que entram pelos ouvidos quase nunca são as que saíram da boca de quem falou. Aquelas frases amedrontadoras ficam se repetindo na mente como se fossem irrevogavelmente verdades. Uma coisinha acontece na segunda feira às sete da manhã e na sexta ainda se está remoendo o fato como se pensar sobre ele pudesse ajudar a mudar a realidade. A pessoa faz o seu melhor, mas ele sempre acarreta naquilo que é mais terrível e difícil de se lidar. Ah, e a beleza e harmonia emocional das coisas conta muito mais que qualquer ordem racional! Enfim, é um mundo complexo onde nunca se está feliz completamente, mas estar triste também é meio difícil de aceitar, então fica-se numa espécie de limbo, inerte no tempo e observando o mundo com muita esperança de que ele não o ferrará mais uma vez. Mas ele ferra. O furo da história é que não é o mundo ferrando... são as conseqüências muito ruins de se levar a situação da forma como se pensa que pode (sintomaticamente).

Eu estou aqui com o coração na mão, me culpando por algo que não fiz, com medo de que ela pense de mim algo que não é verdade e ao mesmo tempo já com pesar antecipado por perder um objeto de afeto meu que está com os dias contados. Um não, três.

Aí me lembro daquela frase do Sartre, na qual eu deveria me apoiar em uma freqüência muito maior do que a que eu na verdade faço: “não é o que o mundo fez de você, mas o que você faz do que o mundo fez de você”.

Isso tudo é coisa demais para eu ter que lidar de uma vez! E ainda por cima tenho que manter meu teatrinho de pessoa tranqüila para alunos e colegas que, bem... lets face it, você não chega na faculdade e cumprimenta colegas com quem não tem muita intimidade com a cara inchada, vermelha e molhada de choro compulsivo. Nessas situações você fica em casa, isolado do mundo (o exato lugar que eu estava tentando evitar hoje... então para onde mais iria, se não onde meus amigos mais próximos poderiam estar?).

Sinto-me uma boba agora. Mas isso é a histeria falando. Sinto também uma mistura muito pesada de sentimentos. Não sei mais se estou com raiva, triste, arrependida (de que?), com medo, ansiosa para fazer alguma coisa, paralisada, carente... definitivamente carente! E triste....sim, triste!

►Tm tm tm tmtmtmtm tm tm tmtmtm.. txtx tx txtx.. shwshwshw... só assim mesmo...

quinta-feira, 8 de abril de 2010

Pronome

Meu corpo tem limites, ele acaba onde não há mais eu. Eu estou por aí, em todos os cantos. Meu corpo, mesmo assim, ainda é meu limite. Costumo pensar que sou menos quando meu corpo e suas funções são menores, em comparação com uma média de uma população maior que trinta para que se obtenha uma curva normal. Na verdade sou o que faço de meu ser. Eu sou um corpo que não salta, não tem força, não venceria uma luta contra uma tiazona, corre, mas perde o fôlego, come e acumula o que comeu em lugares esteticamente mal vistos pela mídia. Mas apesar das tendências de minhas heurísticas ingênuas, eu não sou o que já fiz, onde já estive ou a minha aparência. Eu sou eu. Sem nome, sem cor, sem atributos descritíveis por terceiros. Eu sou essas palavras que se seguem em uma ordem quase lógica. Afinal, a linguagem é o que nos carrega e nos corta. Parece que a linguagem é tudo. Gostaria até de me saber ser em várias outras linguagens. Tem também as paixões. Essas sim podem chegar perto de quem eu sou. Ou, como a Claudia diria, quem eu estou sendo. Eu sou mais um eco de freqüências sonoras caóticas e assimétricas. Eu sou também a representação copiada de uma idéia que ninguém teve. Se deus existisse, ele seria essa idéia. Eis o porque de seu vazio. Eis o porque de meu vazio. Eu não sou absolutamente nada. Se eu morrer amanhã, provavelmente não vou morrer feliz ou realizada. Mas o que é que quero realizar? Quando penso me vêm lugares que eu nunca vi, reações viscerais que nunca experimentei. Idéias que tenho de coisas que me contaram. A experiência de não ser eu limitada ao meu corpo. Também não morreria feliz graças ao medo que tenho da morte. Mas como eu poderia saber disso depois de morrer? Tenho medo de que eu seja apenas uma rede de conexões neurais que provocam sensações sinestésicas que me dão a impressão de estar tendo impressões das coisas. Não sei o que me mantém transmitindo sinais eletroquímicos, ou o que iniciou isso tudo. Não sei, principalmente, se algo restará do mundo quando esse ciclo tiver um fim. Não sei imaginar um mundo onde eu não imagine. Pois imaginar é uma reprodução, uma projeção na parede da mente de coisas que eu senti ou sinto ou antecipo. O que é a minha mente? Quer saber? Por que parei de estudar isso? Esse é obviamente o meu maior interesse já revelado. Algo que diz de algo que eu seria se algo eu fosse. Como disse o filósofo terapeuta corporal reichiano que acabo de ouvir falar: vai tentar escrever poesia... vá escrever poesia! Mas deixe-se possuir por isso! Será que sou o que me possui. Será que possuo o que sou? Eu participo da minha ação como se desempenhando um papel. No final das contas, o que seria eu se não essa própria pergunta? (leia a ultima frase novamente)

►Este foi um surto de inspiração. Tudo começou com o DVD que meu psicólogo me passou de para casa. Logo estava postando frases de efeito para a posteridade no twitter. Percebi que era hora para um bom momento eu – teclado.

quarta-feira, 24 de março de 2010

Bitolada

Uma coisa aprendida sobre mim: eu sou de me bitolar esporadicamente! Quem sabe seja devido a isso que eu decoro filmes inteiros e ainda sei recitar cenas completas de Monty Python and The Holy Grail com quase seis meses sem assistir o bendito filme. Atualmente estou bitolada em Franz Ferdinand. Deve ser por raiva de não ter ido a nenhum dos quatro shows que eles deram aqui no Brasil (o último foi ontem em São Paulo). Por dois motivos: não posso ignorar o trabalho e não consegui substituição e, o mais significativo, eu não tenho dinheiro para viajar! Ei até fiz as contas para ir no show do Rio na sexta, mas realmente não ia ter condições financeiras e no sábado ia ter que estar aqui inteira e bonita para dar aula às nove da manhã. Meu consolo é que eles aparentemente adoram esse país de fim de mundo aqui e não devem demorar muito para voltar. Se eu tiver sorte, quem sabe antes disso vou ter a chance de ver eles lá na Inglaterra/ qualquer lugar no Reino Unido.

Hoje tem supervisão da Claudia (treme). Essa mulher é um capeta vilarinho, já diria minha irmã. Sou fã dela!

Estou decorando o meu quarto novo. Finalmente privacidade total e um espaço que é somente e apenas MEU! Acho que ele vai ter um clima meio florestal going on... haha

Lendo um livro muito legal: The Time Travellers Wife. O que inspirou aquele filme meio cheesy. O livro é muito melhor, sem comparação. Acho que gosto tanto desse livro porque ele é incrivelmente confuso. E de forma alguma ele é meloso. Ao contrário do filme, o livro se debruça mais sobre a questão filosófica da vida louca do cara do que no romance entre ele a mulher.

Assisti Shutter Island e achei FENOMENAL! Direção, roteiro, atuações e tudo mais! Êita filme do Carlisle! Também vi Remember Me, que tem uma estória bem legal, gostei mesmo, mas como sempre, não se pode esperar grandes coisas da atuação de Robert Pattison...

No trabalho está tudo tão cansativo como sempre esteve. Mas tenho feitos amizades bacanas lá, com esse pessoal novo que começou a trabalhar lá nesse semestre! A Meghie é uma descoberta! Pessoa ótima com um ÓTIMO gosto musical (e uma capacidade incrível de me fazer inveja quando me contou que conheceu os caras do Franz Ferdinand pessoalmente ¬¬).

Eu comigo mesma... well... não muito a dizer, porque não muito tem acontecido. Acho que tenho fugido desse assunto. Meu clima terapêutico está em baixa nesse ultimo mês.



►Of everything I feel, I feel we’ve already been here...

quarta-feira, 17 de março de 2010

Dia ruim...

(Foto: Doug, meu novo filhote de Golden Retriever que odeia ESQUILO)






Uma coisa é não fazer alguma coisa ou apenas sentar e ficar esperando o tempo passar por ter medo de não ser capaz. Outra completamente diferente é ter que ficar de pé enquanto te provam que você realmente não é capaz e manter a poker face.

Hoje me provaram de verias formas que eu não sei o que estou fazendo e eu vi como é frágil isso tudo. As minhas escolhas e tals. Ao contrário do que já ouvi antes de pessoas que são suspeitas para falar, eu não sou assim tão boa em tudo que eu tento.

Depois da aula da Claudia eu comentei com o Igorinho: eu queria estar no ponto em que a Claudia está agora. Eu sei que ela também já sentiu essa insegurança e já também não soube como lidar com uma situação dessas (para melhor esclarecer: a Claudia, minha orientadora de estágio, pede para que nós simulemos na frente da turma uma situação de primeira sessão de terapia para depois refletirmos sobre o que está certo, errado, bacana e horrível na forma como lidamos com a situação).

Enfim, sobre as minhas inseguranças confirmadas hoje sobre ser psicóloga e se eu estou preparada para isso ou não (e pelo jeito é não), eu sei que é algo que eu posso trabalhar agora que eu sei no que não tenho segurança e como fazer para tê-la... mas chega a noite e me vêm os problemas de disciplina dos alunos e problemas e mais problemas. No fim das contas a mãe de uma aluna foi reclamar no Greenwich querendo conversar comigo para pedir satisfação sobre o que aconteceu. Não tiro razão da mãe... essas coisas acontecem. Mas não deixo de pensar que eu poderia ter evitado isso se eu não fosse tão mole. Eu não consigo ter autoridade. Nem quando se trata de mim mesma e da minha própria vida, como é que vou ter autoridade diante de um bando de adolescentes doidos para me desafiar?

Sai do trabalho derrubada, triste... sem vontade mais de voltar lá. Dor de cabeça... de mau humor.

É uma ironia escutar os casos na supervisão... por que o mundo está a fim de falar de mim ultimamente?

Já tem duas semanas que não vou na terapia. O resultado disso, mais um dia deveras difícil de aturar: acabei chorando lá no Greenwich depois da aula. Deixei a Taty e a Ju preocupadas quando me viram assim. A Taty foi fofíssima comigo, by the way, tentando me acalmar e tudo.

Ai ai.... esse texto vai sem boas perspectivas. Vou para a cama hoje num clima sombrio de “não quero mais um dia para ter que resolver”. Eu quero mergulhar no meu livro e nunca mais sair dele. Eu quero ser o Doug.



►Boa noite para quem vai ter uma...

sábado, 6 de março de 2010

Minhas "espiritualidades", ou algum esboço disso.



(Foto: Amanda Palmer. A mulher por quem eu me apaixonaria)


Tem algumas pessoas bem fofinhas na minha vida. Que dá vontade de abraçar, botar num potinho e alimentar com algodão doce. A Florzinha é uma delas. Outra é a Amanda. Sim, a Amanda Palmer. Depois que fiz um Twitter e estou seguindo ela tenho uma sensação tão estranha de que ela é uma pessoa de verdade...

Parece idiota isso que disse, mas o estranho mesmo é a impressão que tenho de que as pessoas não existem de verdade. Isso vem das minhas crises existenciais provocadas por ler O Mundo de Sofia quando tinha quinze anos. Durante bastante tempo tive sérias dúvidas sobre a existência de pessoas, das coisas que eu via todo dia, do tempo... de mim mesma. Mas eu tive alguns momentos bem cartesianos e fui obrigada a concordar que, pelo menos em matéria de consciência, eu existo. Tudo se complicou mais ainda quando eu “cresci” e fui estudar psicologia.

Daí hoje, enquanto esperava meus alunos chegarem para começarmos a aula, eu estava conversando com a Soraia, faxineira do Greenwich, e não sei por que eu sempre acabo chegando em assuntos religiosos nessas situações. Mais estranho ainda devido ao fato de eu tentar ao Maximo evitar esse tipo de conversa uma vez que as pessoas quase entram em choque quando ficam sabendo que eu não tenho religião, tão pouco acredito na existência (ou não existência) de deus. Enfim, nessa conversa acabei descobrindo que ela é cardecista e eu achei isso bem bacana, porque se eu algum dia fosse acreditar em alguma coisa, eu ia gostar muito de ser capaz de acreditar no espiritismo. Foi esse pensamento, justamente, que me fez sentir um frio na barriga. E se não existir nada de espírito ou sei lá?

Foi quando ela me perguntou se eu já tomei uma anestesia geral. Diz ela “se morrer for assim, então tá ótimo porque a gente não sente nada”. E eu fui obrigada a pensar que morrer deve ser assim mesmo! Quando sua consciência é apagada. Se faltar oxigênio no cérebro, o que acontece? Você desmaia. E a sensação é bem parecida. NADA. Você acorda depois como se não houvesse tempo. É esse nada que me dá vertigem. E se a minha consciência for simplesmente um padrão de conexões cerebrais que me fazem crer que sou quem sou e quando meu cérebro morrer então não vai haver mais nada... nem tempo..............................

Eu sempre chego nesse ponto. E é nele que eu paro. É por isso que eu tenho medo de morrer. Porque eu não sei ter religião ou fé. Eu só sei imaginar possibilidades.

Mas então eu percebi que eu tenho, não fé, mas esperança. De que essa estória toda de espírito seja verdade mesmo.

Nossa... comecei pensando nas pessoas fofinhas, na Flor e na Amanda... acabei chegando em revoluções espirituais.

Será que eu estou caminhando? Será que dá pra perceber de fora? Eu sei que minha vida mudou, mas como já diria a própria Amanda em “Good Day”: “I’d like to do more than survive, I’de like to rub it in your face.”



►And I’ve got some faces to rub it in, for sure!