segunda-feira, 6 de outubro de 2008

Sonho


Pergunta pro verbo!

Deixei o meu carro no mecânico para curar suas mazelas e vou ficar uns três dias de ônibus. Até estou gostando da idéia. Tenho uma certa saudade daquele tempo todo que se gasta dentro do ônibus ouvindo música e pensando na vida. Falando em música, passei um tempo amusical, apenas ouvindo o que já estava me cansando de ouvir. Querendo conhecer alguma coisa nova. Pois bem, redescobri muita coisa no meio desses meus trinta Gb de música.
Hoje eu estou num clima... “Fresh” (na falta de palavra mais adequada para descrever).
Fim de semana com bônus de aprendizados atrasados em gramática. É só perguntar pro verbo! Foi uma boa aula de francês, mas me fez sentir como o curso do Luziana por si só não faz ninguém falar francês. Eu sei que adianto muito o meu lado com o meu interesse por música e cinema franceses, mas eu tenho umas dificuldades que só treinando e escrevendo em francês para resolver. Sábado foi um dia avulso. Voltamos do francês e fomos fazer um almoço que só ficou pronto à cinco da tarde.
Ontem prometia ser um dia sem graça qualquer. Mas foi bem agradável. Chamamos meus avó para almoçar aqui em casa e eu cozinhei com a minha mãe. Uma coisa bem nostálgica. Já tinha mais de uns cinco anos que nós não uníamos animação para fazer um almoço empolgado de domingo. E ao som de Tom Jobim e João Gilberto cantados por Caetano. Depois a Diva passou aqui em casa para irmos votar. Ou não votar, digamos assim. a parte de votar foi indiferente. Mas demos uma passeada pelo meu ex-colégio e lembramos de coisas divertidas e nos abismamos com as diferenças desde que formamos. Voltamos para casa e o calor estava tão insuportável que tivemos a brilhante (e que brilhante) idéia de ir à casa da mãe da Diva para nadar em sua piscina. Levamos sorvete e fizemos milkshakes até, bem até acabar o sorvete... Adoro quando a Diva aparece avulsamente. Sempre nos rende alguma coisa divertida, ou mesmo que fiquemos a toa jogando adedanha, nos divertimos horrores.
Voltamos para casa uma 19:00 e eu fui trabalhar nos verbetes de novo. Até fiz um bom progresso, mas ainda estou tendo dificuldades com isso.
E bem, hoje eu vou ter tudo para voltar de saco cheio e exausta. Mas whatever. Às vezes eu posso me sentir independente de eventos para me considerar viva.
Acordei com vontade de usar verde e ouvir lounge. De me despreguiçar como um gato e tomar um banho de uma hora.



► Where do I go to get some perfect life?

domingo, 5 de outubro de 2008

Paralisia do sono.

Essa noite eu tive uma crise de paralisia do sono mais uma vez. O mais assustador é que essas “crises” duram cada vez mais. Ou seja, é cada vez mais tempo de angustia por não conseguir me mover e estar consciente disso.
Ultimamente eu sempre tenho consciência do que está acontecendo. Chego a pensar “ah não, mais uma vez?”.
Dessa vez foi assim: eu estava sonhando, e eu não lembro bem o que estava acontecendo no sonho, ou como eu fui parar no meu quarto. Em certo ponto eu estava no quarto e me deitei na minha cama. Então, de repente, eu sabia que estava acordada, mas não completamente. E o sonho continuou acontecendo, mas eu sabia que estava meio acordada. Então um homem estava deitado na cama da minha irmã, do meu lado direito, se levantou e veio até a minha cama. Mas ele não tinha cabeça. Tinha, mas quando eu olhava para ela, a cabeça desaparecia e se misturava com o teto atrás dela. Eu estava cagando de medo daquele homem com uma blusa de frio cinza claro. Na verdade não estava com medo dele, mas estava com medo de ele ser de verdade e realmente estar ali enquanto eu estava meio acordada e não conseguia me mover. No fim estava com medo porque nessas situações fica difícil distinguir o que ainda faz parte do sonho e o que já é real, porque eu experimento os dois ao mesmo tempo (seria isso uma quase alucinação?).
Eu comecei a tentar mover pequenas partes do meu corpo. Tentei fechar o punho com força e cravar as unhas na palma da minha mão para sentir dor. Eu sentia que estava fazendo isso, mas não conseguia sentir nenhuma dor. Era como a sensação de sonho mesmo: eu sinto as coisas mas não as coisas em si... eu sinto um fantasma das coisas, uma quase sensação. Eu fechava os olhos e parecia penoso abrir novamente. Mas eu abria e via ali o meu quarto escuro. Tentei resmungar, mas não saia som da minha garganta.
Em certo ponto minha respiração começou a ficar pesada. Foi a primeira vez que ficou difícil respirar no meio de uma coisa dessas. Três vezes seguidas a respiração pesou, mas voltou ao normal. A maior agonia era que eu tentava respirar mais fundo, mas como eu já disse, eu não conseguia mover nada do meu corpo por vontade própria. Da terceira vez que a respiração ficou pesada ela falhou. Eu fiquei alguns segundos sem mover o peito e aí, com a falta de ar, meu corpo se contorceu todo e eu acordei, finalmente.
Essa noite foi uma das vezes mais longas, e claro que uma das mais angustiantes.
Respirei fundo, bebi um gole de água, voltei a dormir.
Quando já era de manhã eu estava sonhando que estava coçando insistentemente a perna mas a coceira não passava. Quando acordei eu tinha certeza (não sei como) que eu estava fazendo os movimentos do sonho com o corpo.
Estou começando a me preocupar com esses meus pseudo-distúrbios do sono (sem contar com aquele dia que descobri que sou sonâmbula ao me pegar jogando água em mim mesma quanto dormia...).

Me apareceu um dilema financeiro: um estágio bem remunerado em uma área em que eu sei que não iria gostar de trabalhar versus o laboratório que me dá tesão e abre caminhos para coisas que quero para o meu futuro, mas onde não tenho garantia alguma de conseguir uma bolsa... Eu me conheço, vou acabar suportando por mais algum tempo indefinido a falta de dinheiro, não poder comprar nada, não poder almoçar durante a semana, não poder ir a shows, não fazer nada em prol da minha super dedicação à minha vida acadêmica.



►Pequena pausa nos verbetes (a prioridade do momento) para respirar.

sexta-feira, 3 de outubro de 2008

Pseudo-palavras

Preciso, em primeiro lugar, de um plano de ação. Para dar conta dessas tarefas que não acredito ser capaz de realizar, mas o mundo me empurra para elas (ou que seja eu mesma que me empurro). Depois, preciso de dinheiro. Porque eu sempre me coloco nessas situações em que tenho que escolher alguém para decepcionar, quando decepcionar é em si uma tortura.
As complicações às vezes até parecem inventadas.
Hoje aconteceram coisas de sempre. Algumas levemente assustadoras, algumas saudosas, algumas que incomodam por essência. Ia ser bom me livrar de metade dessas paranóias.
No fim são poucos os momentos do dia que eu dedico a mim mesma. Este é um deles. É neles que eu volto àqueles pensamentos sobre como meus pensamentos não têm substância.
Acho que o meu problema é estar focalizando demais esse meu esquema de mim mesma. Algo que eu considero bom, inclusive. Sabe quando se percebe que quanto mais bem esclarecida e inteligente eu sou, menos satisfeita eu estou com a forma “natural” das coisas acontecerem?
Eu estou tranqüila. Eu sei que me viro. Mas para isso, esses pensamentos “negativos” (entre muitas aspas) vão ter que ficar para de vez em quando na frente do computador sem mais nada para fazer. Pois é né?... se eu continuar cavando até bater na pedra eu paro de viver.
Então vamos lá. Começando por um fim de semana inteiro de livros e artigos e dicionários e mais livros e mais artigos e, se tudo ajudar, conseguir definir pelo menos sete dos meus nove verbetes de memória.
Essas próximas três semanas vão ser difíceis. Não que as seis semanas anteriores não tenham sido...



►Entre o cansaço e a vontade de fazer alguma coisa impossível.

quinta-feira, 2 de outubro de 2008

Crise existencial em dez passos:

1. Eu detesto dogmatismo. Sinto uma enorme preguiça e sempre me parece tão imaturo venerar algo com tanta paixão que todas as respostas e todas as frases e todas as reações tem uma assinatura irritante daquilo que se venera. Acho que veneração deveria ser proibida por lei em prol de pessoas mais sensatas e abertas a verdades e mentiras.

2. Não faz muito tempo, eu nunca argumentaria tão fervorosamente como tenho feito. Parece que perdi uma parcela daquele medo que eu tenho de ofender ou decepcionar quando eu me posiciono. Eu sempre tive esse medo de ser alguém. É muito mais fácil só ser quem os outros dizem que eu sou. Mas chega uma hora que é informação demais para se ignorar fingindo ser a famosa average person.

3. Por trás das escolhas que não escolhemos se escondem todas as pessoas que poderíamos ter nos tornado. Mas o que aconteceu aconteceu. Já não poderia ser de outra forma a partir do momento de cada escolha. Dá uma impressão de destino controlável. Dá uma impressão de livre arbítrio determinista. Afinal escolhemos a cada segundo quem vamos ser aos olhos de outros e aos nossos próprios. Mas quem foi que disse que controlamos nossas escolhas? Simplesmente nos entregamos à vontade de nós mesmo. Engraçado pensar assim não? Cheguei a uma espécie de meio do caminho entre escolha e destino onde estou nos dois e em nenhum.

4. É nas discussões e nos argumentos que eu descubro quem é essa pessoa presa dentro da minha pele. Você não conhece o adversário até ter lutado com ele. Meu adversário sendo eu mesma e a luta sendo a simples classificação do mundo. As teorias do desenvolvimento de Vygotski e Piaget não previram o liquidificador no qual jogamos o mundo a cada novo problema. Ninguém previu que a incerteza traria esse sentimento de segurança apavorada. Afinal, ninguém no mundo prevê paradoxos.

5. Eu sei muito bem como é essa empolgação gostosa quando descobrimos o conhecimento mágico que parece fazer o mundo fazer sentido. Parece que a própria vida e o próprio caminho ganham motivo de ser. Mas quão imaturas são essas idéias eufóricas quando a cada momento se une mais um número à soma. Dois mais dois nunca vai continuar sendo dois. Como é que se planeja um fim quando o caminho é feito de gelatina? Onde é que vou chegar quando essas minhas idéias mágicas já forem apenas idéias passadas?

6. O que é futuro? Já ouvi falar disso antes, mas não lembro onde. Quem sabe pela boca da minha mãe ou pelos livros que cruzaram o meu caminho. Mais um paradoxo bate à minha porta. Eu faço planos para a próxima década, para o próximo ano, para aproxima chance, para a próxima responsabilidade. E mesmo assim não confio na minha capacidade de me sustentar eu mesma até o próximo amanhecer.

7. Onde estou? Eu sou alguém? Eu quero ser alguém? Alguém quer ser alguém? É possível querer alguma coisa? O que é que estou fazendo com a minha vida? O que é uma vida? O que é vida?

8. As respostas vão vir quando eu menos esperar.

9. E logo atrás das respostas virão perguntas piores. Certo comediante britânico disse que se um dia descobrirmos todas as respostas filosóficas para a existência e para as questões complexas que regem o universo, este será imediatamente substituído por algo ainda mais complexo. Dizem que isso já aconteceu.

10. Esse papo me deu fome... Vou fazer um macarrão!



►Estava procurando algo para escrever e de repente chegou esse espírito e me encarnou.

quarta-feira, 1 de outubro de 2008

Sobre mim e sobre mim.

Um dia, queria escrever não sobre mim ou sobre mim. Mas sobre alguém. Sem medo de alguém ler. Sem medo de ser ridícula só por amar alguém. Sem me importar se também serei amada. Um dia eu perco o medo de defender o meu peito e correr contra o muro, e derrubá-lo e cair, e quebrar vinte ossos, e receber um não. Quantas vezes já aceitei o não que não veio para não deixar que o não venha? Um dia vou me escrever em duas frases e vou sair andando. Se houver resposta, que ela venha atrás de mim. Se não, que eu vá atrás de outros nãos.
Um dia, queria escrever não sobre alguém ou sobre alguém. Ou sobre o efeito de alguém em mim ou em mim. Um dia, queria escrever sobre mim e sobre mim.


Janta
Eu quis te conhecer, mas tenho que aceitar
caberá ao nosso amor o eterno ou o não dá
pode ser cruel a eternidade
eu ando em frente por sentir vontade
Eu quis te convencer, mas chega de insistir
caberá ao nosso amor o que há de vir
pode ser a eternidade má
caminho em frente pra sentir saudade

Paper clips and crayons in my bed
everybody thinks I’m sad
I will take a ride in melodies and bees and birds
will hear my words
will be both us and you and them together
I can forget about myself
trying to be everybody else
I feel allright that we can go away
and please my day
I’ll let you stay with me if you surrender

Eu quis te conhecer, mas tenho que aceitar
I can forget about myself trying to be everybody else
caberá ao nosso amor o eterno ou o não dá
I feel allright that we can go away
pode ser a eternidade má
and please my day
eu ando sempre pra sentir vontade
I’ll let you stay with me if you surrender
(Marcelo Camelo & Mallu Magalhães)


►Invejo aqueles que se declaram.

Memória cotidiana

Acumulando conhecimento e cultivando minha hortinha intelectual. Enquanto isso vou aplicando de formas banais para fixar.
Terça feira às sete e meia da manhã eu estava na aula da matéria que ainda me pergunto se deveria mesmo estar cursando. Mas a inércia me levou ali novamente. Estava assistindo a apresentação de seminário de um cara muito nerd que achou um texto de um filosofo muito nerd (buscando argumentos filosóficos para defender o estatuto de arte dos.... vídeo-games! – Rowling eyes + deep breath). Eu agüentei firme e sonolenta uma hora e quarenta disso.
Quando a aula terminou encontrei a Raquel no corredor do segundo andar. A minha chará de data de nascença. Ela comentou quase que esperando uma resposta negativa: “vamos beber?”.
Eu disse: “não convida que eu fico com vontade.”.
“Então vamos mesmo?”
“VAMOS!”
Já viu né?... Duas sagitarianas com sobrecarga de stress. A palavra cerveja ou semelhantes não podem ser mencionadas que elas já ficam bêbadas.
Fui beber com a Raquel às nove da manhã de uma terça feira. E já tinha um bom tempo que eu não bebia aquele tanto. Quando era meio dia voltamos andando no sol, rindo das coisas sem sentido que só gente bêbada consegue perceber. Conversamos tanto sobre tanta coisa que senti que tinha descarregado alguns muitos quilos das minhas costas. Também estava precisando de algo assim: falar a falar, contar tudo para alguém que estivesse distante da minha história, mas em quem eu confiasse ou pelo menos me identificasse. E a Raquel é um máximo! Como discutimos enquanto bebíamos, ela é aquele tipo de pessoa que é impossível categorizar na primeira olhada. Na segunda e na terceira então, fica mais difícil. Aquele tipo de pessoa que te dá vontade de conhecer por não ser parecida com nada que se conhece.
Fomos almoçar, conversamos mais um monte. E nos despedimos.
Fui para a aula de ética. Claro que ainda bêbada. Eu havia bebido horrores e de estomago vazio. Então eu simplesmente dormi a aula inteira. Quando “acordei” e fui para a aula do Lincoln percebi algo simpático: eu estava com ressaca! E ela durou o resto do dia. Minha dor de cabeça só passou quando eu estava em casa deitada no colo da minha mãe assistindo novela (imagina a cena).

Hoje não teve problema. Não me afetei. O gatinho da fafich me tirou de mim por alguns minutos. Tive uma daquelas reuniões de laboratório que eu adoro (e isso não foi ironia, vale apontar). Fui à apresentação da peça “Aqueles Dois” na reitoria e juro que quem não foi é um idiota! Apelidei a peça de “a-peça-que-me-deu-um-nó-na-garganta-permanente”. Simplesmente maravilhosa, e eu estou boquiaberta até agora.
Depois uma aula de Industria, um macarrão (primeira refeição do dia às quatro da tarde), uma conversa breve com pessoas que me provocam sorrisos. Dirigir em horário de pico (e redescobrir como eu odeio motoristas estressados e apressados e filhos da puta e que merecem morrer em horário de pico – EU OS ODEIO!)
Tenho um trabalho de ética para entregar amanhã e já vejo como não terei o tempo que queria ter para isso... parece que esse não vai ficar tão bonito e chiquerrimo quanto o anterior, mas deixar de fazer eu não vou.

Entre sambinhas, musicas bregas, rocks alternativos e violinos, vou me carregando (às vezes com muito esforço) por aí. Mantenho sempre uma mistura de sentimento de rotina permanente com expectativa pela pausa e pelo inesperado. De certa forma, os dois acontecem de formas paradoxalmente simultâneas.
O peito está pesado, mas é um peso que eu consigo suportar. O cansaço clama por peso nenhum, por ser carregada e receber tudo nas mãos e na boca. Mas como o Linconl disse ontem: “A vida não é quando eu formar, ou quando isso, ou quando aquilo... a vida é todo dia, a vida é paulera!”


►Hey you... do you ever miss me, or is it me who needs to be missed?